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Fichamento do livro "A Paz Perpétua" de Immanuel Kant Immanuel Kant foi um filósofo prussiano que viveu entre 1724 e 1804. Chegou a ser considerado o principal filósofo da era moderna, no período do Iluminismo e que teve também como destaques nomes como René Descartes, Baruch Espinoza, David Hume e John Locke. Publicou, em 1795, o livro “A Paz Perpétua”, onde defendeu a necessidade do Estados Nacionais defenderem um regime pacifista, de modo que pudessem estabelecer entre si um quadro de paz perpétua, de maneira a serem estabelecidas regras éticas e políticas de modo que as relações internacionais de dessem de forma segura evitando-se a guerra. Nesse sentido, Kant buscou traçar elementos preliminares para a garantia da paz perpétua entre os países, de modo a serem estabelecidos elementos garantidores da paz. De acordo com ele: “nenhum tratado de paz pode ter ressalvas, caso contrário, essas ressalvas podem estar preparando o terreno para uma futura guerra”. Kant queria dizer com isso que a celebração de tratados internacionais de paz poderiam eclodir em novas guerras, legitimando-as em casos de descumprimento dos mesmos. Podemos citar como exemplo dessa tese abordada por Kant no que tange aos descumprimento do acordo firmado após a primeira guerra mundial e que acabou por justificar a segunda guerra mundial. Outro exemplo da atualidade da tese de Kant é no que se refere aos intensos conflitos bélicos existentes no Oriente Médio, tendo em vista também o fracasso dos Tratados celebrados entre árabes e israelenses. Assim, para Kant, nenhum Estado poderia ser objeto de conquista, aquisição ou doação de outro, pois não deveria nenhum Estado deveria herdar outro Estado, apenas pessoas físicas seriam legitimadas a herdar os governos. Ademais acrescenta que: “exércitos permanentes devem desaparecer por completo com o tempo”, devido ao fato de, além de serem um dos principais motivos causadores da guerra estando sempre prontos à enfrentá-la, estes geram um elevado custo ao Estado com a sua manutenção. Ademais, Kant também defendia que nenhum Estado deveria interferir-se nos conflitos internos de outros Estados, sob pena de violação dos direitos humanos, além de ser inadmissível a realização de dívidas públicas por parte destes para a defesa de interesses externos ao Estado. Também defendia que o dinheiro público não deveria ser empregado para custear guerras, mas sim em benefício da população. Assim, conforme Kant, seguidos esses fundamentos, teríamos o início do desenvolvimento da paz perpétua entre os Estados. Sobre o estado de natureza, o pensamento de Kant refletia o pensamento também adotado por Hobbes e por Locke, pois defendia, assim como eles que a teoria de que o estado de natureza seria um “estado de guerra”, onde os indivíduos vivem em um cenário de perfeita liberdade, sendo que, todavia, não possuíam nem mesmo a garantia da própria vida. Assim, Kant defendia que toda a Constituição de um estado deveria ser aos moldes republicano, assemelhando-se, nesse aspecto com Rousseau, formulador das bases do republicanismo. Assim, sustentava Kant que essa é fundada segundo os princípios da liberdade de seus membros enquanto homens, portanto, liberdade sob o ponto de vista de Kant, é a possibilidade de não obedecer a quaisquer leis externas se essas não estiverem no consentimento das pessoas, assim, a ideia de legalidade é justamente a ideia de obedecer à leis que convém para as pessoas. Dessa maneira, a Constituição Civil para ele é fundada também, a partir da dependência de todos enquanto súditos, em relação a uma única legislação que vigora, e por último é fundada a partir dos princípios da igualdade dos cidadãos, sendo que cada um deles é submetido à mesma condição dentro do estado. Segundo este, toda a forma de governo deve ser representativa, porque o legislador não pode ser ao mesmo tempo formulador e executor da sua vontade, fato esse que por sua vez, o diferencia de Rousseau, pois esse entregou ênfase ao republicanismo participativo e o assemelha com Locke, pois essa é uma concepção do liberalismo. Por fim, Kant em seu livro “A Paz Perpétua”, abordou que há o direito das gentes dos Estados nas suas relações recíprocas, que determina o que é justo segundo unidades do poder e não segundo leis exteriores que limitam a liberdade das pessoas, o direito político exercido pelo povo no Estado, e o direito cosmopolita, aquele que entrega condições de hospitalidade universal, conforme o autor, todo o estrangeiro que se comportar amistosamente não deve ser tratado com hostilidades devido à sua vinda em território de outrem, caso contrário, isso implicaria em estado de natureza, fato que contradiz a implantação da paz.