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imunobiologicos

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não há diferença na taxa de eventos adversos quando se comparam as duas apresentações da vacina varicela (tetravalente ou monovalente). Eventos adversos do tipo de anafilaxia, meningite, herpes zoster grave, encefalite, ataxia, eritema multiforme, Síndrome de Stevens-Johnson, pneumonia, trombocitopenia, convulsões e síndrome de Guillain-Barré estiveram raramente relacionados temporalmente à administração da vacina varicela. A transmissão do vírus vacinal foi documentada, até o final de 2012, em 10 indivíduos vacinados que apresentaram o exantema após a vacinação. Um único caso foi relatado de transmissão do vírus da varicela vacinal sem que se observasse exantema no indivíduo vacinado, com boa evolução da criança que contraiu o vírus vacinal. Notificação e investigação Todos os eventos adversos graves devem ser notificados e investigados. Conduta • Recomenda-se o uso de aciclovir nos raros casos em que o indivíduo imunocomprometido manifesta lesões cutâneas da varicela após a vacinação.
Imunoglobulinas e soros heterólogos A administração de imunoglobulinas e soros caracteriza a imunização passiva, por meio da qual o organismo humano recebe anticorpos pré-formados. A administração de anticorpos pré-formados em um indivíduo é feita de modo a prevenir ou atenuar as manifestações clínicas de uma doença. 22.1 Imunoglobulinas 22.1.1 Introdução As imunoglobulinas são assim denominadas porque os anticorpos são obtidos a partir de plasma de doadores selecionados de uma mesma espécie de receptores, a exemplo de pessoas submetidas à imunização ativa recente, ou convalescentes de doença infecciosa. São também obtidas de “doadores especiais” tais como os doadores de sangue adultos e sadios. No plasma desses doadores há grandes concentrações de anticorpos da doença contra a qual se quer efetivar a proteção. As imunoglobulinas estão disponíveis em dois tipos, a saber: a imunoglobulina humana normal e imunoglobulina específica. A imunoglobulina humana normal, também denominada gamaglobulina normal, standard ou simplesmente gamaglobulina, é uma preparação estéril, líquida ou liofilizada, contendo principalmente IgG (95%). É obtida de plasma humano de doadores adultos e sadios (pool de plasma de, no mínimo, mil doadores, por um método conhecido que proporciona um produto final de estéril e com concentração de proteínas de 160 g/L), contendo os anticorpos específicos na proporção adequada para algumas infecções. É usada por via intramuscular ou intravenosa de acordo com a Preparação de Referência ou Padrão Internacional, em situações de pós-exposição, por exemplo, nos casos de hepatite A e sarampo. Assim, funciona como um auxílio para o organismo de indivíduos suscetíveis, expostos a um agente infeccioso, objetivando reduzir o risco da infecção e/ou neutralizar a ação de toxinas produzidas. A imunoglobulina específica, denominada gamaglobulina hiperimune, é obtida de doadores que receberam imunização ativa recente, de convalescente de doença infecciosa ou de doadores especiais nos quais foram constatadas grandes concentrações de anticorpos específicos da doença contra a qual se pretende proteger. São exemplos de imunoglobulina humana específica: a imunoglobulina antihepatite B, a antitetânica, a antirrábica e a antivaricela zoster. A imunoglobulina humana intravenosa (IGIV) pode ser utilizada como alternativa na falta da imunoglobulina específica para varicela e hepatite B ou em determinadas condições de profilaxia pré ou pós-exposição. Todas as imunoglobulinas disponíveis no CRIE têm a mesma proporção de seus diversos componentes: uma solução de imunoglobulinas a 16,5%, destes 95% de imunoglobulina G e 5% de traços de outras imunoglobulinas e demais proteínas séricas. Essas proteínas são obtidas do plasma de doadores. A diferença entre as várias preparações consiste na concentração específica de anticorpos para doenças determinadas, para os quais os doadores têm imunidade prévia. Podem ser usadas a partir do nascimento, por via IM, sem limite superior de idade para sua aplicação. 21.1.2 Descrição dos produtos 1. Imunoglobulina anti-hepatite B (IGAHB): produzida a partir do plasma de doadores hiperimunizados e com altos títulos de anticorpos anti-HBs Imunoglobulina antitetânica (IGAT): extraída do plasma de indivíduos hiperimunizados. Atualmente, a IGAT é o produto de eleição a ser utilizado, devido ao menor risco de eventos adversos quando comparada ao soro antitetânico. 3. Imunoglobulina antirrábica (IGAR): estraída de plasma de doadores hiperimunizados. 4. Imunoglobulina antivaricela zoster (IGAVZ): produzida a partir do plasma de doadores com elevados títulos de anticorpos. 22.1.3 Indicações Indica-se a imunização passiva nas seguintes circunstâncias gerais: • Quando o indivíduo é incapaz de produzir anticorpos em virtude de uma imunodeficiência. • De modo profilático, quando um indivíduo suscetível a uma doença é exposto ao agente infeccioso ou tem grande probabilidade de se expor a ele e não há tempo para que monte sua própria resposta imune. • De modo terapêutico, nas situações em que a administração de anticorpos pode melhorar ou suprimir os efeitos de uma toxina ou suprimir a resposta inflamatória. • CRIE: a utilização nos Centros de Referência está principalmente relacionada às reações de hipersensibilidade a doses anteriores de soro heterólogo, no caso das imunoglobulinas antitetânica e antirrábica; a algumas formas de exposição de indivíduos suscetíveis à hepatite B, no caso da imunoglobulina anti-hepatite B; e à exposição de imunodeprimidos à varicela no caso da imunoglobulina antivaricela zoster. 22.1.4 Imunoglobulina anti-hepatite B (IGAHB) A imunização passiva deve ser feita com imunoglobulina específica contra hepatite B (IGAHB), produzida a partir de plasma de doadores hiperimunizados e com altos títulos de anticorpos anti-HBs. Ela está indicada em pessoas não previamente imunizadas contra hepatite B e para a profilaxia após a exposição a sangue HBsAg positivo (ver condutas no Capítulo 24). 22.1.5 Imunoglobulina antirrábica (IGAR) A profilaxia da raiva que utiliza o soro antirrábico (SAR) ou IGAR, além da vacina, está indicada nos casos de acidentes considerados graves. São eles: • Ferimento em mucosas, no segmento cefálico, nas mãos ou nos pés. • Ferimento profundo, mesmo que puntiforme. • Ferimentos múltiplos ou extensos, em qualquer região do corpo. • Lambedura de lesões profundas ou de mucosas, mesmo que intactas. • Ferimento por morcego, independente do local, da extensão ou da profundidade. 22.1.6 Imunoglobulina Antitetânica (IGAT) A imunização passiva contra o tétano é utilizada tanto como parte da profilaxia de ferimento extenso, sujo ou profundo, em casos de vacinação imcompleta ou desconhecida, tanto como parte do tratamento de pacientes com tétano. Atualmente, a IGHAT é o produto de eleição a ser utilizado, devido ao menor risco de ventos adversos quando comparada ao SAT, ver condutas no Capítulo 24
7 Imunoglobulina antivaricela zoster (IGVZ) A decisão de administrar a imunoglobulina hiperimune contra o vírus da varicela zoster depende de três fatores: • da probabilidade de que a pessoa exposta seja suscetível à varicela; • da probabilidade de que uma dada exposição à varicela ou ao zoster resulte em infecção; e • da probabilidade de desenvolvimento de complicações da varicela no indivíduo que vier a se infectar. A IGVZ está indicada nas situações descritas: 1. Contatos domiciliares: a. Contato face a face com indivíduo com varicela (alguns referem por pelo menos cinco minutos, outros, por pelo menos uma hora). 2. Contato em ambiente hospitalar: a. Varicela: contato prolongado (alguns referem por pelo menos cinco minutos, outros, por pelo menos uma hora); b. Zoster: contato íntimo (por exemplo, tocar ou abraçar) pessoa com varicela; c. Recém-nascido cuja mãe desenvolve varicela (mas não zoster) de 5 dias antes até 48 horas após o parto. Os candidatos a receberem IGVZ quando se evidenciada exposição ao VVZ, são: 1. crianças imunocomprometidas (inclusive as infectadas pelo HIV),