A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
55 pág.
imunobiologicos

Pré-visualização | Página 13 de 13

adolescentes e adultos sem história de varicela ou de imunização anterior contra VVZ; 2. gestantes suscetíveis; 3. recém-nascidos cuja mãe tenha apresentado início de varicela de cinco dias antes do parto até 48 horas após; 4. prematuros hospitalizados (≥28 semanas de idade gestacional) cuja mãe não tenha evidência de história de varicela ou comprovação sorológica da infecção; e 5. prematuros hospitalizados (
22.2 Soros heterólogos 22.2.1 Introdução Os soros heterólogos são assim denominados porque os anticorpos são obtidos a partir do plasma de um doador (principalmente equinos) de espécie diferente do receptor (ser humano). Os doadores animais são previamente estimulados com antígenos constituídos por pequenas quantidades de toxinas, toxoides ou venenos de onde são retirados os anticorpos. Os soros heterólogos em geral são utilizados contra toxinas, agentes infecciosos ou venenos de animais peçonhentos. São exemplos de soros heterólogos: soro antitetânico, soro antirrábico, soro antidiftérico e soro antipeçonhento.
2 Eventos adversos Os soros heterólogos são produtos cada vez mais purificados em razão de se considerar rara a possibilidade de causarem complicações graves, tais como o choque anafilático e a doença do soro. Mesmo assim, a administração de soros heterólogos só deve ser feita em Unidade de Saúde preparada para o tratamento de complicações, o que implica na disponibilidade de equipamentos e medicamentos de emergência e na presença de um médico. Quando o serviço não dispõe das condições mínimas de atendimento de emergência a pessoa deve ser encaminhada de imediato a outra Unidade, capaz de garantir a administração do soro com segurança. Por isso, antes da indicação de qualquer soro heterólogo deve ser procedida a anamnese, com interrogatório rigoroso dos antecedentes pessoais, em que algumas informações são fundamentais para orientar a decisão sobre administrar o soro ou encaminhar para outros serviços: • se a pessoa, anteriormente, apresentou quadros de hipersensibilidade; • se a pessoa, em outra oportunidade, já fez uso de soros de origem equina; • se a pessoa mantém contato frequente com animais, principalmente com equinos, seja por necessidade profissional (veterinário, por exemplo) ou por lazer. Confirmando-se qualquer uma dessas informações, e no caso de paciente imunodeprimido, o profissional deve considerar a possibilidade de substituir o soro heterólogo indicado pela imunoglobulina hiperimune, quando disponível. Caso esta não esteja disponível, adotar os procedimentos indicados para a prevenção da ocorrência de reações anafiláticas, conforme orientado neste Manual. Atenção É importante destacar que a inexistência da imunoglobulina hiperimune não deve ser motivo para contraindicar o uso dos soros heterólogos, principalmente pelo fato da indicação desses produtos ocorrerem, quase sempre, em situações de urgência. A equipe deve garantir que os procedimentos prévios à administração do soro sigam rigorosamente a orientação técnica preconizada e deve ficar alerta quanto à presença de reações graves de hipersensibilidade. As reações que podem ocorrer após a administração dos soros heterólogos são basicamente, de três tipos:
1. reações imediatas, que se manifestam logo após a administração do soro até duas horas depois (geralmente nos primeiros 30 minutos), sendo necessário manter o indivíduo na Unidade de Saúde, em observação, por, no mínimo, 6 horas e idealmente 24 horas; 2. reações precoces, que se manifestam nas primeiras 24 horas depois da administração do soro; e 3. reações tardias, que se manifestam de 6 a 12 dias depois da administração do soro (doença do soro). A maior preocupação do profissional de saúde deve recair sobre as reações imediatas de hipersensibilidade (até duas horas), em razão da potencial gravidade. São reações de hipersensibilidade: • Anafilaxia que ocorre, geralmente, nas primeiras duas horas depois da administração do produto, apresentando como principais sintomas: palidez, cianose, urticária, laringoespasmo, edema de face, hipotensão, choque, entre outros. Ver definição de caso no Capítulo 23. • A doença do soro cujos sintomas, em geral, aparecem entre o 6º e o 12º dia após a administração do soro e apresentam-se como uma reação de hipersensibilidade tipo III, manifestando, com frequência: cefaleia, febre, astenia, mialgia, dores articulares, exantemas com máculas e pápulas pruriginosas, enfartamento e inflamações ganglionar, vasculite e nefrite, entre outros. • Reação de Arthus (hipersensibilidade do tipo III): caracteriza-se por apresentar processo inflamatório próximo ao local da administração, geralmente em decorrência de múltiplas doses da vacina ou do soro aplicadas no músculo deltoide. Esta reação distingue-se pelo surgimento de eritema, edema, enduração e petéquias que podem aparecer cerca de duas horas ou mais (até 12 dias) depois da injeção, provocando dores intensas com repercussões nervosas e motoras ao longo do membro acometido, à medida que a infiltração atinge tecidos profundos, podendo causar necrose. Nestes casos, o tratamento é sintomático. Notificação e investigação Notificar e investigar todos os casos