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imunobiologicos

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que 1 cm; b. abscesso subcutâneo frio; c. abscesso subcutâneo quente; d. granuloma
linfadenopatia regional não supurada maior que 3 cm; f. linfadenopatia regional supurada; g. cicatriz queloide; h. reação lupoide. Os eventos adversos locais e regionais (úlcera com diâmetro maior que 1 cm, abscesso, linfadenopatia regional não supurada maior que 3 cm, linfadenopatia regional supurada e granuloma), em geral, não estão relacionados à imunodeficiência e podem, em alguns casos, estar ligados à técnica incorreta de administração da vacina. Resolvem-se, na grande maioria das vezes, com a instituição da conduta e do tratamento propostos descritos no Anexo D. Há, entretanto, algumas situações que merecem atenção e uma conduta individualizada. São elas: a. ausência de resposta à medicação com isoniazida após um período de 3 a 4 meses; b. recidiva da lesão do evento adverso após a suspensão da isoniazida; c. sinais de disseminação do evento adverso: presença de febre persistente, hepatoesplenomegalia, acometimento pulmonar, falta de ganho de peso, presença de infecções prévias ou concomitantes ao quadro de evento adverso ao BCG; d. localização pouco usual de lesão do tipo nodular que pode sugerir diagnóstico diferente de linfadenopatia (lipoma, por exemplo); e. aparecimento de linfadenopatia em outras cadeias ganglionares. Atenção • Nessas situações, pode ser necessária investigação laboratorial para excluir imunodeficiência primária ou secundária e, eventualmente, indicar procedimento cirúrgico para realização de biópsia e investigação de diagnóstico diferencial de linfadenopatia (hamartoma, lipoma etc.). • Em caso de aparecimento de gânglios em outras regiões, proceder à investigação criteriosa visando afastar tuberculose ganglionar.
Vacina cólera 8.1 Introdução A cólera, ocasionada pela bactéria Vibrio cholerae, é a mais grave das enteropatias enterotóxicas. A vacinação é indicada para crianças a partir de 2 anos e adultos que visitarão ou permanecerão em áreas com epidemia instalada ou prevista de cólera. Indicada ainda para militares em situações excepcionais como em campos de refugiados. Estudos clínicos evidenciaram eficácia protetora contra a cólera de 80% a 85% para os primeiros seis meses após imunização em todas as faixas etárias. Em crianças acima de 6 anos e adultos, a eficácia protetora média durante três anos foi de 63%. Produz ainda proteção cruzada contra Escherichia coli enteropatogênica (Etep), nos três primeiros meses após a vacinação. A vacinação contra a cólera não é mais obrigatória em nenhum país.
Precauções • Não foram realizados estudos bem controlados em idosos, portanto a vacina deve ser usada com cuidado nesta faixa etária. 8.3.2 Contraindicações • Pessoas alérgicas a algum dos componentes da vacina. 8.4 Eventos adversos Podem surgir sintomas gastrintestinais como dor abdominal, diarreia, vômitos e náuseas. Febre e hipersensibilidade também podem ocorrer. Todos relacionados principalmente ao bicarbonato de sódio. São, em geral, leves e tendem a desaparecer após 48 horas.
Vacina febre amarela (atenuada) – VFA 9.1 Introdução Na última década, a febre amarela silvestre (FAS) tem se apresentado com um padrão epizoótico-epidêmico, manifestando-se como uma doença reemergente em novas áreas do território brasileiro, fora da área considerada endêmica (região Amazônica e Centro-Oeste e Estado do Maranhão). Neste período foi observada uma expansão da circulação viral no País, demonstrando a presença do vírus amarílico nas regiões oeste de Minas Gerais, sul da Bahia, bem como no Estado de São Paulo e no Rio Grande do Sul. A VFA é altamente imunogênica (confere imunidade em 95% a 99% dos vacinados) e tem sido utilizada para a prevenção da doença desde 1937. Em humanos, a melhor evidência da eficácia vacinal está baseada no acompanhamento da situação epidemiológica, que demonstra a redução na incidência de casos após a introdução da vacina. É reconhecidamente uma das vacinas mais eficazes e seguras, entretanto, eventos adversos graves e até fatais têm sido notificados e estão relacionados à disseminação do vírus vacinal. A frequência de notificações de eventos adversos relacionados à VFA em campanhas de imunização tem sido maior que na rotina, particularmente em áreas onde a vacina não era realizada anteriormente. É reconhecido que essas estratégias de vacinação em massa constituem situação potencialmente favorável ao aumento da percepção de risco em relação às vacinas, podendo, também, existir aumento de erros programáticos.
Precauções gerais • Nos casos de doenças agudas febris moderadas ou graves recomenda-se adiar a vacinação até a resolução do quadro com o intuito de não se atribuir à vacina as manifestações da doença. • Indivíduos infectados pelo HIV, assintomáticos e com imunossupressão moderada, de acordo com a contagem de células CD4. • Nutrizes ou lactantes amamentando crianças abaixo dos 6 meses de idade, a vacinação deve ser evitada, ou postergada até a criança completar 6 meses de idade. Na impossibilidade de adiar a vacinação, deve-se apresentar a mãe opções para evitar o risco de transmissão do vírus vacinal pelo aleitamento materno, tais como: previamente à vacinação praticar a ordenha do leite e manter congelado por 28 dias, em freezer ou congelador, para planejamento de uso durante o período da viremia, ou seja, por 28 dias ou, pelo menos por 15 dias após a vacinação. Caso a ordenha não seja possível, encaminhar a mãe à rede de banco de leite humano. • Primovacinação de indivíduos com 60 anos e mais.
• A administração da VFA em indivíduos com lúpus eritematoso sistêmico ou com outras doenças de etiologia potencialmente autoimunes deve ser avaliada caso a caso, tendo em vista a possibilidade de imunossupressão. • Pacientes que tenham desencadeado doença neurológica de natureza desmielinizante (SGB, Adem e esclerose múltipla) no período de seis semanas após a aplicação de dose anterior da VFA. Tal recomendação baseia-se em dados de literatura para a vacina influenza. • Pacientes transplantados de células tronco hematopoiéticas (medula óssea) devem ser avaliados caso a caso, considerando o risco epidemiológico. Caso se decida pela vacinação, deve ser respeitado o prazo mínimo de 24 meses após o transplante. 9.3.2 Contraindicações • Crianças menores de 6 meses de idade. • Pacientes com imunodepressão de qualquer natureza. • Pacientes infectados pelo HIV com imunossupressão grave, com a contagem de células CD4
Reações locais A VFA é administrada pela via subcutânea e a manifestação mais frequentemente referida é a dor no local de aplicação (4% em adultos, e um pouco menos em crianças pequenas), de curta duração (primeiro e segundo dias depois da aplicação), autolimitada e de intensidade leve ou moderada
Manifestações sistêmicas Manifestações gerais Febre, cefaleia e mialgia têm sido os eventos mais frequentemente relatados após a VFA. A combinação dos três sintomas foi atribuível à VFA em aproximadamente 4% dos primovacinados e em menos de 2% dos indivíduos revacinados, nos três primeiros dias após a vacinação. A elevação limitada e reversível de enzimas hepáticas, sem manifestações clínicas, nas duas primeiras semanas após a vacinação foi relatada por alguns autores, porém a hipótese de que a VFA induz a formas leves de dano hepático não foi confirmada em estudos posteriores. Notificação e investigação Estes eventos sistêmicos não graves devem ser notificados e investigados se detectados acima do esperado (“surto”). Conduta • Medicamentos sintomáticos e observação. • Não há contraindicação para doses subsequentes. Eventos adversos graves e VFA (EAG-VFA) Os eventos adversos graves incluem as reações de hipersensibilidade, doença neurológica aguda (encefalite, meningite, doenças autoimunes com envolvimento do sistema nervoso central e periférico) e doença viscerotrópica aguda (infecção multissistêmica generalizada, semelhante às formas graves da doença). No Brasil, no período de 2007 a 2012, a incidência de EAGs relacionados à vacina febre amarela foi de 0,42 casos