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Apostila Direito das Obrigações

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PROF. ANTÔNIO JOSÉ RESENDE
DIREITO CIVIL
DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
2014/1
DIREITO CIVIL: DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
I – INTRODUÇÃO AO DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
1. Considerações iniciais
	Importância do direito das obrigações; contextualização no âmbito do ordenamento jurídico atual; obrigações, contrato e responsabilidade civil.
2. Conceito de obrigação
	O direito das obrigações é o conjunto de normas que disciplinam as relações jurídicas, de natureza patrimonial, estabelecidas entre pessoas para a satisfação de interesses.
	Obrigação é o vínculo jurídico que confere ao credor (sujeito ou sujeitos ativos) o direito de exigir do devedor (sujeito ou sujeitos passivos) o cumprimento de determinada prestação. É o patrimônio do devedor que responde por suas obrigações.
	Para Washington de Barros Monteiro, “obrigação é a relação jurídica de caráter transitório, estabelecida entre devedor e credor, e cujo objeto consiste numa prestação pessoal econômica positiva ou negativa, devida pelo primeiro ao segundo, garantindo-lhe o adimplemento através de seu patrimônio”.
	Nelson Rosenvald (2010: 10) observa que o conceito moderno de obrigação não sofreu significativas alterações.
	Pablo Estolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho prelecionam que o direito das obrigações consiste no “conjunto de normas e princípios jurídicos reguladores das relações patrimoniais entre um credor (sujeito ativo) e um devedor (sujeito passivo) a quem incumbe o dever de cumprir, espontânea ou coativamente, uma prestação de dar, fazer ou não fazer” (2012: 41-42).
	
	
3. Importância do direito das obrigações
	Rege todas as relações jurídicas de natureza econômica, vinculando os bens das pessoas (garantia), como devedores, como garantia comum dos seus credores.
	Quanto aos bens: pessoa física = insolvente; pessoa jurídica = falência, quando não há capacidade para pagar, isto é, o passivo (dívida) se torna maior que o ativo (patrimônio).
4. Diferenças entre Direitos Reais e Direitos Obrigacionais
	
	DIREITOS REAIS
	DIREITOS OBRIGACIONAIS
	Quanto ao sujeito
	Há somente sujeito ativo (proprietário). Sujeito passivo é toda a comunidade. Oponibilidade erga omnes.
	Sujeito determinado ou determinável.
Sujeito ativo = credor.
Sujeito passivo = devedor (solvens).
	Quanto ao objeto
	Incidem sobre uma coisa (res). Objeto de propriedade. Objeto: material e intelectual, por ex., autoria, marca etc. 
Há direito de sequela, ex. art. 1.228, CC.
	Exigem o cumprimento de determinada prestação.
Uma obrigação de dar, fazer ou não fazer.
	Quanto à duração
	São perpétuos, não se extinguem pelo não uso, exceto os casos previstos em lei. Ex.: desapropriação, usucapião etc.
Propriedade: plena e exclusiva (art. 1.231, CC/2002).
	São transitórios e se extinguem pelo cumprimento ou por outros meios, ex. morte.
	Quanto à formação
	Só podem ser criados pela lei, sendo seu número limitado e regulado por esta (numerus clausus), vide art. 1. 225, CC/2002.
	Resultam da vontade das partes, sendo ilimitado o número de contratos inonimados (numerus apertus). Pode resultar também da lei.
	Quanto ao exercício
	São exercidos diretamente sobre a coisa, sem necessidade de existência de um sujeito passivo.
	Exige uma figura intermediária, que é o devedor.
	Quanto à ação
	Pode ser exercida contra quem quer que detenha a coisa.
	A ação pessoal é dirigida somente contra quem figura na relação jurídica como sujeito passivo.
Oponibilidade intra partes.
5. Figuras híbridas entre Direitos Pessoais e Reais (também denominadas obrigações ambulatórias ou de cunho real)
Obrigação propter rem: é a que recai sobre uma pessoa, por força de determinado direito real. Só existe em razão da situação jurídica do obrigado, de titular do domínio ou de detentor de determinada coisa (Vide art. 1.277, CC/2002). 
Exemplos: 1) obrigação imposta aos proprietários e inquilinos de um prédio de não prejudicarem a segurança, o sossego e a saúde dos vizinhos (CC, art. 1.277); 2) pagamento de condomínio (cota condominial); 3) a obrigação de o proprietário de um imóvel de indenizar o terceiro que, de boa-fé, realizou benfeitorias sobre o mesmo; 4) IPTU, IPVA etc.
Título de crédito ao portador: o crédito adere ao título passando a ser exigível por quem o porte. Então o portador tem a determinação inicial do credor. O credor será aquele que, portando o título no momento oportuno, exige aquele crédito. Por isso, diz-se que há ambulatoriedade excepcional.
6. Elementos constitutivos das obrigações
	
A obrigação compõe-se de três elementos essenciais. Quais sejam: o subjetivo, o vínculo jurídico e o objetivo. Eis, a seguir, uma breve explanação sobre estes elementos.
6.1. Subjetivo ou Elemento pessoal:
	É o elemento subjetivo, ou seja, são os sujeitos da obrigação. Será sempre determinado ou determinável. Pode ser:
Sujeito ativo (credor) (accipiens): é ele que detém o direito de ação;
Sujeito passivo (devedor) (solvens). Este só é sujeito na ação de consignação em pagamento (Vide arts. 334 a 345, CC/2002; arts. 890 a 900, CPC).
Os sujeitos da obrigação, tanto o ativo como o passivo, podem ser pessoa natural como jurídica, de qualquer natureza, bem como as sociedades de fato.
Devem ser determinados ou, ao menos, determináveis.
No contrato de doação, por exemplo, o donatário, às vezes, é indeterminado, mas determinável no momento do seu cumprimento, pelos dados nele constantes. Ex. o vencedor de um concurso, o melhor aluno de uma classe etc.
Se não forem capazes serão representados ou assistidos por seus representantes legais (art. 1.634, do Código Civil de 2002), dependendo ainda, em alguns casos, de autorização judicial. 
6.2. Vínculo Jurídico ou Elemento imaterial:
	É o vínculo jurídico (obrigatio) (coercibilidade e juridicidade) existente entre eles. É o emprego da força exercido pelo Estado, através da lei ou de ação (judiciário).
O vínculo jurídico resulta de diversas fontes e sujeita o devedor a uma determinada prestação em favor do credor.
Divide-se em débito e responsabilidade.
O primeiro, também denominado vínculo espiritual ou pessoal, une o devedor ao credor e exige que aquele cumpra pontualmente a obrigação.
O segundo, o vínculo material, confere ao credor não satisfeito o direito de exigir judicialmente o cumprimento da obrigação, submetendo àquele os bens do devedor.
Há desta forma, de um lado o dever da pessoa obrigada (debitum), e de outro a responsabilidade, em caso de inadimplemento.
A responsabilidade é, portanto, o dever de indenizar ou ressarcir danos causados pelo descumprimento da obrigação. É a exigibilidade jurídica, isto é, o momento em que o credor pode exigir em juízo o pagamento da dívida. Efetuar a execução para obter o pagamento da dívida, contra o devedor inadimplente.
O sujeito passivo deve e também responde, de forma coativa, pelo cumprimento da obrigação.
Pode existir, também, o desmembramento desses elementos, como no caso da fiança, ou ainda débito sem responsabilidade, como ocorre na obrigação natural.
Ex. de obrigação sem responsabilidade: é o caso das dívidas prescritas, as do jogo etc. 
Obs. O devedor, nestes casos, não pode ser condenado a cumprir a prestação, isto é, ser responsabilizado, embora continue devedor.
Ex. de responsabilidade sem obrigação: o caso do fiador, que é responsável pelo pagamento do débito somente na hipótese de inadimplemento da obrigação por parte do afiançado, este sim originariamente obrigado ao pagamento, por ex., dos aluguéis.
6.3. Elemento Objetivo:
	É o objeto, sempre de valor econômico. Pode ser determinado ou determinável (art. 104, II, CC/2002).
Objeto imediato. É sempre uma conduta humana, por ex., dar, fazer ou não fazer. Denomina-se prestação ou objeto imediato.
Objeto mediato. O objeto da prestação, ou seja, o objeto mediato da obrigação. Descobre-se este através da pregunta: dar, fazer ou não fazer o quê?
Tal objeto tem que ser lícito, possível, determinado