A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
100 pág.
Direito Penal

Pré-visualização | Página 5 de 23

de crime-meio e 
crime-fim: em regra, o crime-meio será absorvido pelo crime-fim.
Direito Penal20
Crime progressivo: a prática de um delito pressupõe, necessariamente, a prá-
tica de outro crime anterior. Exemplo: para chegar ao homicídio, é preciso passar 
pela lesão corporal. A lesão é absorvida pelo homicídio.
Progressão criminosa: há uma mutação no dolo do agente. Os crimes menos 
graves são absorvidos pelo mais grave. Sendo praticados num mesmo contexto, 
o mais grave prevalece.
A diferença está no dolo da origem.
Lembrar da Súmula nº 17 do STJ: o falso é absorvido pelo estelionato, quando 
se exaure neste, sem mais potencialidade lesiva.
O Princípio da Alternatividade serve para resolver conflitos nos chamados ti-
pos mistos alternativos, ou seja, aqueles que têm mais de um verbo, mas, se 
vários verbos nucleares forem praticados no mesmo contexto fático, o agente 
praticará um só crime. Diferentemente do que ocorre no tipo misto cumulativo: 
os verbos descrevem condutas autônomas e, se o agente praticar mais de um 
verbo, cometerá mais de um crime. Exemplo: o art. 14 da Lei de Armas (traz 13 
verbos nucleares): cada um dos verbos é um crime, mas, se o agente praticar mais 
de um verbo, no mesmo contexto fático, cometerá apenas um crime.
E é exatamente para isto que serve o conflito da alternatividade: elege-se um 
único verbo para fundamentar o crime do agente.
Em verdade, não é um princípio que resolve tecnicamente o conflito de nor-
mas, porque não temos, aqui, normas em confronto, mas apenas uma única 
norma, que está em conflito com ela mesma.
Exercício 
14. (Cespe – 2012 – Policial Federal) Conflitos aparentes de normas penais po-
dem ser solucionados com base no princípio da consunção, ou absorção. 
De acordo com este princípio quando um crime constitui meio necessário 
ou fase normal de preparação ou execução de outro crime, aplica-se a nor-
ma mais abrangente. Por exemplo, no caso do cometimento do crime de 
falsificação de documento para a prática do crime de estelionato, sem mais 
potencialidade lesiva, este absorve aquele.
Capítulo 2
Teoria Geral do Crime
1. Crime, Delito e Contravenção Penal – Teoria 
Dicotômica
Iniciaremos o estudo da teoria do crime com a diferença entre as espécies de in-
frações penais no Brasil. Adotamos a teoria dicotômica: o gênero é infração penal 
e as espécies são crime e contravenções, lembrando que crimes são sinônimos.
Não há diferença ontológica entre crime e contravenção penal. O que temos 
é apenas uma opção do legislador. As diferenças ocorrem em relação às conse-
quências e a alguns institutos penais, mas nunca em relação à conduta em si.
Abaixo, um quadro que resume as diferenças:
Crime Contravenção
Penas Reclusão ou detenção Prisão simples
Prazo máximo de cum-
primento da pena de-
pois de unificada
30 anos 5 anos
Tentativa Em regra, admitem Nunca admitem (no 
mundo dos fatos, a ten-
tativa é possível, mas, no 
direito, ela não é punível)
Ação Penal Pública ou Privada Pública, sempre incondi-
cionada*
Com relação à contravenção do art. 21 da LCP (vias de fato), existe uma 
controvérsia. Tendo em vista que, na lesão leve (mais grave que as via de fato), a 
ação penal é pública condicionada, não seria correto que, nas vias de fato (menos 
grave), a ação fosse incondicionada.
Não é o que consta da lei, todavia.
Direito Penal22
Exercício 
15. (Vunesp – 2009 – TJ/MT – Juiz) Assinale a alternativa que aponta contraven-
ção penal recentemente revogada:
a) Mendicância.
b) Vadiagem.
c) Jogo do bicho.
d) Importunação ofensiva ao pudor.
e) Perturbação da tranquilidade.
2. Sujeito Ativo
Sujeito ativo do crime é aquele que:
– realiza o verbo típico (autor executor);
– possui domínio finalista do fato (autor funcional);
– quem de qualquer outra forma concorre para o crime (partícipe).
No entanto, no que diz respeito à pessoa jurídica, a Constituição traz, no art. 
224, § 3º que: é possível a responsabilização de pessoas físicas e jurídicas pelas 
condutas lesivas ao meio ambiente. A Lei nº 9.605/1998 traz a regulamentação 
completa da punição da pessoa jurídica por crimes ambientais, conciliando o bro-
cardo nullum crimen sine actio humana, pela teoria da dupla imputação que será 
analisada oportunamente.
Os crimes ambientais são os únicos que podem ser praticados por pessoa 
jurídica, e para elas adota-se a teoria da dupla imputação.
Por esta teoria, na denúncia, devem estar tanto a pessoa jurídica como a 
pessoa física, porque a responsabilização penal da pessoa jurídica nunca pode ser 
desassociada da conduta da pessoa física, até porque é esta quem efetivamente 
pratica o crime.
O STJ já consagrou o entendimento de que se houver acusação apenas da 
pessoa jurídica na denúncia, esta será inepta.
As críticas a esta teoria são:
– que não há fundamentação jurídica para esta teoria;
– que acaba consagrando a impunidade, porque não se consegue identificar 
a pessoa física que realizou a conduta (porque não se pode denunciar sim-
plesmente os responsáveis pela empresa, tendo em vista que configuraria 
direito penal do autor).
Direito Penal 23
Em 2013, contudo, a Ministra, Rosa Weber foi instada a se manifestar sobre 
esta matéria: uma ação penal qm que constava apenas a pessoa jurídica foi extin-
ta. O MPF recorreu para o STF e a relatora (acompanhada pelos demais ministros) 
afirmou não existir a necessidade da dupla imputação na Constituição, e deter-
minou o prosseguimento da ação.
A matéria deverá ser levada para julgamento pelo Pleno. Importante, por con-
seguinte, verificar o andamento deste RE (nº 548.181/2013).
Exercício 
16. (UEG – 2008 – PC/GO – Delegado de Polícia) Segundo a orientação do STJ 
pode haver a responsabilização isolada do ente coletivo, sendo desnecessá-
ria a demonstração da atuação dos administradores em proveito da pessoa 
jurídica.
3. Sujeito Passivo
Falaremos agora sobre o sujeito passivo.
Pode-se dizer que há dois tipos de sujeito passivo nos crimes:
– sujeito passivo material ou eventual, que é o titular do bem jurídico violado 
ou ameaçado;
– sujeito passivo formal ou constante, que é o Estado. Sempre o Estado é le-
sado com o descumprimento de uma lei, por ser o titular do mandamento 
proibitivo.
Com relação às pessoas jurídicas, elas podem ser sujeito passivo de crimes. 
Mas, neste ponto, importante verificar a possibilidade de ser a pessoa jurídica 
vítima de crime contra a honra.
Inicialmente, é imprescindível lembrar que há duas espécies de honra: objetiva 
(conceito que os outros têm de mim) e subjetiva (conceito que eu tenho de mim 
próprio, a autoestima).
Desde já, pode-se afirmar que a pessoa jurídica não tem honra subjetiva, por-
tanto, não poderá nunca ser vítima da injúria, que é o crime que ataca a honra 
subjetiva. Por outro lado, não se pode afirmar que a honra da pessoa jurídica não 
será protegida. E, por isso, o STJ sumulou que a pessoa jurídica pode ser vítima de 
dano moral. E, assim sendo, poderá a pessoa jurídica ser vítima de crime contra 
a honra objetiva. Pode, assim, ser vítima de difamação e de calúnia, mas, neste 
último caso, desde que a conduta diga respeito a crime ambiental.
Direito Penal24
Devemos analisar a questão do morto: pode o morto ser vítima de crime? 
Não pode o morto ser sujeito passivo de crime, porque morto não é titular de 
direitos.
Temos, no art. 138, § 2º, o crime de calúnia contra os mortos. Neste crime, 
tutela-se a memória do morto, e as vítimas são, portanto, seus familiares.
Em casos de maus-tratos contra animais, a vítima é a coletividade. Isto porque 
animais não são titulares de direitos, e, portanto, não podem ser vítima. É, sim, o 
objeto material sobre a qual incide a conduta, porém, a vítima é a coletividade.
Finalmente, lembra-se que, nos crimes vagos (aqueles em que o sujeito