Direito ambiental
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RETA FINAL - CESPE 
Disciplina: Direito Ambiental 
Aula nº 01 
 
 
 
 
RETA FINAL OAB - CESPE \u2013 Direito Ambiental - Aula n. 01 
DIREITO AMBIENTAL 
Professor Fabiano Melo Gonçalves de Oliveira \u2013 LFG 
 
I) PRINCÍPIOS DO DIREITO AMBIENTAL 
1.1 Princípio do Desenvolvimento Sustentável: é aquele que atende às necessidades do presente sem 
comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades. É através do 
desenvolvimento sustentável que se compatibiliza o desenvolvimento das atividades econômicas com a 
proteção ao meio ambiente. 
1.2 Princípio da Função-Sócio Ambiental da Propriedade: o uso da propriedade, urbana ou rural, somente 
se legitima com o cumprimento da função sócio ambiental. Os critérios para o cumprimento da função social 
da propriedade urbana encontram-se nos planos diretores (art. 182, § 2.°) e da função social da propri edade 
rural no art. 186 da Constituição Federal. 
1.3 Princípio da Prevenção: o princípio aplica-se ao risco conhecido, interpretado como aquele identificado 
através de pesquisas e informações ambientais ou conhecido porque já ocorreu anteriormente. O direito 
ambiental é eminentemente preventivo. 
1.4 Princípio da Precaução: esse princípio aplica-se ao risco ou perigo em abstrato, desconhecido, 
decorrente da ausência de informações ou pesquisas científicas conclusivas sobre a potencialidade e os 
efeitos de uma intervenção no meio ambiente. Tem-se aqui a incerteza científica, a incerteza sobre os efeitos 
do dano potencial. Adota a premissa in dubio pro ambiente. 
1.5 Princípio do Poluidor Pagador: é um princípio de natureza econômica, que compreende a internalização 
dos custos ambientais, que devem ser suportados pelo empresário/empreendedor, afastando-os da 
coletividade. Impõe-se ao empreendedor adotar todas as medidas para evitar as externalidades negativas 
(gases, efluentes, resíduos sólidos). Ainda que adote todas as medidas de prevenção e o dano ocorra, será o 
empreendedor obrigado a repará-lo. 
1.6 Princípio do Usuário Pagador: o princípio reconhece a necessidade de valoração econômica dos 
recursos naturais, com a cobrança pela sua utilização. Exemplo é o uso da água, que possui valor econômico 
e sua cobrança visa evitar o seu uso exagerado, vez que é bem ambiental finito, limitado. 
1.7 Princípio da Informação Ambiental: é direito da população receber e ter acesso às informações sobre 
todos os procedimentos, públicos ou privados, que intervenham no meio ambiente. Assim, a população tem o 
direito de ser informada sobre a qualidade dos bens ambientais, sobre a realização de obras e atividades 
efetiva e potencialmente poluidoras etc. 
1.8 Princípio da Participação Comunitária: é através desse princípio que a população participa (a) das 
políticas públicas ambientais na esfera administrativa (audiências, consultas públicas e recursos 
administrativos); (b) propõe ações judiciais no Poder Judiciário ou (c) votando através dos mecanismos 
legislativos (plebiscito, referendo e iniciativa popular de lei). 
1.9 Princípio da Cooperação: cooperar significa agir em conjunto e, para o direito ambiental, a cooperação 
ocorre no âmbito internacional e nacional. Na esfera internacional a proteção ao meio ambiente é uma 
obrigação conjunta dos Estados, que atuam para a redução da pobreza e para o desenvolvimento 
sustentável. No âmbito interno, o Brasil adotou o federalismo cooperativo, de partilha de responsabilidades 
entre os entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) na proteção ao meio ambiente. 
 
II) CONCEITO DE MEIO AMBIENTE 
 
Para a Lei da Política Nacional de Meio Ambiente (Lei 6.938/81), compreende-se como meio ambiente 
\u201co conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, 
abriga e rege a vida em todas as suas formas\u201d (art. 3°, I). 
 
III) CLASSIFICAÇÃO DE MEIO AMBIENTE 
RETA FINAL - CESPE 
Disciplina: Direito Ambiental 
Aula nº 01 
 
 
 
 
RETA FINAL OAB - CESPE \u2013 Direito Ambiental - Aula n. 01 
A classificação de meio ambiente, em sentido amplo, congrega quatro componentes: (a) Meio 
ambiente físico ou natural; (b) Meio ambiente cultural; (c) Meio ambiente artificial; (d) Meio ambiente do 
trabalho. 
O meio ambiente físico ou natural aquele integrado pela flora, fauna, os recursos hídricos, a 
atmosfera, os estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, os elementos da biosfera. 
O meio ambiente cultura constitui-se pelo patrimônio cultural, artístico, arqueológico, paisagístico, 
etnográfico, manifestações culturais, folclóricas e populares brasileiras. O meio ambiente cultural é composto 
tanto pelo patrimônio material quanto pelo patrimônio imaterial. 
O meio ambiente artificial é o espaço urbano, as cidades com os seus espaços abertos, tais como as 
ruas, praças e parque; e os espaços fechados, como as escolas, museus e teatros. 
O meio ambiente do trabalho, por fim, possui vinculação com a saúde do trabalhador. O art. 200 da 
Constituição Federal cuida das competências do Sistema Único de Saúde, dentre as quais: \u201ccolaborar na 
proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho\u201d (inciso VIII). 
 
IV) A CONSTITUICÃO E O MEIO AMBIENTE 
A Constituição previu um capítulo para a proteção ambiental, que se materializa no art. 225, cujo caput 
apresenta a seguinte redação: \u201cTodos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso 
comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever 
de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações\u201d 
Para a efetividade do meio ambiente ecologicamente equilibrado, cabe ao Poder Público: 
(a) preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e 
ecossistemas; 
(b) preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas 
à pesquisa e manipulação de material genético; 
(c) definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem 
especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada 
qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção; 
(d) exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa 
degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; 
(e) controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem 
risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente; 
(f) promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a 
preservação do meio ambiente; 
(g) proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função 
ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade. 
Por fim, o art. 225 apresenta determinações específicas, a saber: 
(a) aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo 
com solução técnica exigida pelo órgão público competente; 
(b) as condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas 
ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos 
causados; 
(c) a Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona 
Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á dentro de condições que assegurem a preservação 
do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais 
(d) são indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias, 
necessárias à proteção dos ecossistemas naturais; 
(e) as usinas que operem com reator nuclear