CONTABILIDADE SOCIETÁRIA II Aula 01 ao 10
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CONTABILIDADE SOCIETÁRIA II Aula 01 ao 10


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CONTABILIDADE SOCIETÁRIA II \u2013 AULA 01 \u2013 INVESTIMENTOS
Introdução
Os ativos de uma companhia são sempre alvo de atenção, pois revelam muito sobre a saúde financeira da empresa, sua gestão de caixa e riscos de investimentos. Riscos? Sim, há muito riscos envolvidos na gestão das modalidades de aplicações financeiras, visto a gama de pronunciamentos técnicos emitidos pelo CPC para disciplinar os investimentos em instrumentos financeiros e também investimentos em outras sociedades. Nesta aula, exploraremos um pouco deste tema que dada sua complexidade requer dedicação na leitura dos textos indicados no aprenda mais! Vamos lá!
No Grupo Investimentos \u2013 LP (Não Circulante) estão registradas as participações permanentes (ações e títulos de participação societária), com interesse seja de controle acionário ou de obtenção de dividendos.
Já no CP (Circulante) temos os investimentos de natureza não permanente, que devem se realizar dentro do exercício social.
Há diversas formas de investimentos, porém todas elas devem ser registradas no Ativo, por se tratarem de recursos dos quais se esperam benefícios econômicos futuros. Conforme o FIPECAFI, p. 3, temos:
Investimentos
Quanto à classificação, conforme FIPECAFI, p. 104, são considerados investimentos temporários a longo prazo:
a) As aplicações de caixa em títulos com vencimento superior ao exercício seguinte, na conta Títulos e Valores Mobiliários. 
b) Os investimentos em outras sociedades que não tenham caráter permanente, inclusive os feitos com incentivos fiscais.
Para o mega investidor Warren Buffet, analisar os investimentos de longo prazo das companhias é um de seus segredos de sucesso, conforme descrito por Buffet & Clark, 2010, p. 85:
\u201cEssa é uma conta de ativos, no balanço patrimonial de uma empresa, no qual é registrado o valor dos investimentos de longo prazo (superiores a um ano), tais como ações, títulos e imóveis. Essa conta inclui investimentos nas afiliadas e subsidiárias da companhia. (...) Os investimentos de longo prazo podem nos informar muito acerca da tendência de investimentos da direção da empresa. Ela investe em outras companhias que possuem vantagens competitivas ou que estão em mercados altamente competitivos?\u201d
Investimentos em coligadas e em controladas
Pronunciamentos técnicos do CPC foram emitidos sobre os investimentos e o conceito para correta contabilização passou a ser a essência do relacionamento entre investidor e investida.
Sendo que o CPC 18 dispõe sobre \u2013 Investimentos em Coligadas, cuja avaliação será aplicação do método de equivalência patrimonial e o CPC 38 \u2013 Instrumentos Financeiros: Reconhecimento e Mensuração.
Primeiramente, vamos contar com a definição dada pelo próprio CPC 18 do que significa coligada e de Equivalência Patrimonial:
\u201cColigada é uma entidade, incluindo aquela não constituída sob a forma de sociedade tal como uma parceria, sobre a qual o investidor tem influencia significativa e que não se configura como controlada ou participação em empreendimento sob controle conjunto (joint venture).
(...) Método de equivalência patrimonial é o método de contabilização por meio do qual o investimento é inicialmente reconhecido pelo custo e posteriormente ajustado pelo reconhecimento da participação atribuída ao investidor nas alterações dos ativos líquidos da investida. O resultado do período do investidor deve incluir a parte que lhe cabe nos resultados gerados pela investida.\u201d
De acordo com o disposto nos parágrafos 1º e 2º, do artigo 243, da Lei 6.404/1976 (Lei das S/A), consideram-se: Coligadas as sociedades nas quais a investidora tenha influência significativa;
Controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores.
REFLEXÃO - Para efeito de determinar a relevância do investimento, serão computados como parte do custo de aquisição os saldos de créditos da companhia contra as coligadas e controladas.
Influência Significativa
Mas o que é Influência Significativa?
Influência significativa é o poder de participar nas decisões financeiras e operacionais da investida, sem controlar de forma individual ou conjunta essas políticas.
E como é caracterizada a Influência Significativa?
Conforme redação do próprio CPC 18, p. 3 e 4:
Se o investidor mantém direta ou indiretamente (por exemplo, por meio de controladas), 20% ou mais do poder de voto da investida, presume-se que ele tenha influência significativa, a menos que possa ser claramente demonstrado o contrário. Por outro lado, se o investidor detém, direta ou indiretamente (por meio de controladas, por exemplo), menos de 20% do poder de voto da investida, presume-se que ele não tenha influência significativa, a menos que essa influência possa ser claramente demonstrada. A propriedade substancial ou majoritária da investida por outro investidor não necessariamente impede que o investidor minoritário tenha influência significativa.
E como é caracterizada a Influência Significativa?
A existência de influência significativa por investidor geralmente é evidenciada por um ou mais das seguintes formas:
(a) representação no conselho de administração ou na diretoria da investida;
(b) participação nos processos de elaboração de políticas, inclusive em decisões sobre dividendos e outras distribuições;
(c) operações materiais entre o investidor e a investida;
(d) intercâmbio de diretores ou gerentes; ou
(e) fornecimento de informação técnica essencial.
Método de custo
Conforme esclarecimento dado pelo FIPECAFI, p. 170:
\u201cEm resumo, esse método baseia-se no fato de que a investidora registra somente as operações ou transações baseadas em atos formais, pois de fato, os dividendos são registrados como receita no momento em que são declarados e distribuídos, ou reconhecidos pela empresa investida. Dessa forma, no método de custo não importa quando ou quanto foi gerado de lucro ou reserva, mas deixa-se de reconhecer, na empresa investidora, os lucros e reservas gerados e não distribuídos pela coligada.\u201d
Método da Equivalência Patrimonial
Como se dá a apuração do valor do investimento?
O valor do investimento será apurado mediante a aplicação da porcentagem de participação da sociedade investidora no capital social da sociedade investida, sobre o valor do patrimônio líquido desta, diminuído dos resultados não realizados, observando-se o seguinte (art. 387 do RIR/99):
o patrimônio líquido da sociedade investida será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação levantado na mesma data do balanço do contribuinte ou até 2 meses, no máximo, antes dessa data com observância da lei comercial, inclusive quanto à dedução das participações nos resultados e da provisão para o Imposto de Renda;
se os critérios contábeis adotados pela investida (coligada e controlada) e pela investidora não forem uniformes, o contribuinte deverá fazer no balanço ou balancete da coligada ou controlada os ajustes necessários para eliminar as diferenças relevantes decorrentes da diversidade de critérios;
o balanço ou balancete da investida (coligada ou controlada) levantado em data anterior à do balanço da investida deverá ser ajustado para registrar os efeitos relevantes de fatos extraordinários ocorridos no período.
o prazo de 2 meses, mencionado no item anterior aplica-se aos balanços ou balancetes de verificação das sociedades de que a coligada ou controlada participe, direta ou indiretamente, com investimentos relevantes que devam ser avaliados pelo valor de patrimônio líquido para registrar os efeitos relevantes de fatos extraordinários ocorridos no período;
o valor do investimento do contribuinte será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido ajustado de acordo com os procedimentos anteriores, da percentagem da participação do contribuinte no capital da coligada ou controlada.
Particularidades para as instituições