A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
60 pág.
CAP.5 – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS

Pré-visualização | Página 17 de 21

por impossibilidade do objeto. Na opinião deste autor a doação é possível no tocante aos bens excluídos da comunhão universal.
Essa doação não pode implicar em fraude à execução (será ineficaz); fraude contra credores (será anulável); simulação (será nula) ou fraude à lei (será nula). A respeito da fraude, surge duvida quanto à possibilidade de doação entre cônjuges se o regime entre eles for o da separação obrigatória.
Citando a jurisprudência do STJ, se a doação representar burla do regime de bens do casamento, será inválida. A questão, contudo, não é pacífica. O regime da separação total de origem legal ou obrigatória estará presente em 3 casos: havendo causa suspensiva do casamento; casamento maior de 60 anos; e havendo pessoas que necessitam de suprimento judicial para casar. Prevê o enunciado 262 que é possível a alteração do regime de bens, nos termos do art. 1639, §2º, podendo ser estendida aos casos dos incisos I e III do art. 1641 se cessarem as causas de imposição do regime. Já o enunciado 125 considera inconstitucional a norma do inciso II do art. 1641, por ser discriminatória, violando a dignidade humana e a autonomia privada do idoso, que pode se casar com quem bem entenda e por qualquer regime. Concorda-se com os dois enunciados.
Se é possível a alteração do regime, válida é a doação entre os cônjuges em casos tais. Não se pode presumir a fraude à lei nos casos em questão.
O art. 544 não se aplica à doação ao convivente, porque o companheiro não é herdeiro necessário e porque a norma é especial e restritiva, não admitindo aplicação da analogia ou interpretação extensiva. 
2.7 Doação com cláusula de reversão
É aquela em que o doador estipula que os bens doados voltem ao seu patrimônio se sobreviver ao donatário (art. 547). Trata-se esta cláusula de uma condição resolutiva expressa, demonstrando o intento do doador de beneficiar somente o donatário e não os seus sucessores.
Se o doador falecer antes do donatário, a condição não ocorre e os bens doados incorporam-se ao patrimônio do donatário definitivamente, podendo transmitir-se aos seus próprios herdeiros, com sua morte.
Essa cláusula é personalíssima, a favor do doador, não podendo ser estipulada a favor de terceiro, pois isso caracterizaria uma espécie de fideicomisso por ato inter vivos, o que é vedado pela legislação civil (art. 426).
Essa cláusula não institui a inalienabilidade do bem, que pode ser transferido a terceiro. No entanto, segundo uma visão tradicional, alienando o bem e falecendo o donatário, essa alienação é tornada sem efeito, havendo condição resolutiva, pois a propriedade daquele que adquiriu o bem com a referida cláusula é resolúvel. Eventual adquirente do bem sofrerá os efeitos da evicção.
A cláusula de reversão não poderia ter efeitos em face de terceiros que não têm conhecimento da cláusula e realizam negócios movidos pela probidade, pela boa-fé objetiva, razão pela qual acredita-se que o posicionamento anterior será alterado no futuro.
2.8 Doação conjuntiva
É aquela que conta com a presença de dois ou mais donatários, presente uma obrigação divisível. Em regra, incide uma presunção relativa de divisão igualitária da coisa em quotas iguais entre os donatários. Entretanto, o instrumento contratual poderá trazer previsão em contrário.
Por regra, não há direito de acrescer entre os donatários na doação conjuntiva. Dessa forma, falecendo um deles, sua quota será transmitida diretamente a seus sucessores e não ao outro donatário. Mas o direito de acrescer pode estar previsto no contrato ou na lei.
O art. 551, § único enuncia uma hipóteses de direito de acrescer legal, sendo aplicada quando os donatários forem marido e mulher. Como se trata de norma excepcional, prevista para o casamento, este autor não é favorável à sua aplicação para união estável.
2.9 Doação manual
A doação de bem móvel de pequeno valor pode ser celebrada verbalmente, desde que seguida da entrega imediata da coisa (tradição) (art. 541). Trata-se da exceção à regra que exige forma escrita para a doação. 
2.10 Doação inoficiosa
É nula a doação quanto à parte que exceder o limite de que o doador, no momento da liberalidade, poderia dispor em testamento (art. 549). Essa doação que prejudica a legítima, é denominada doação inoficiosa. O caso é de nulidade absoluta textual, mas de uma nulidade diferente das demais, eis que atinge tão somente a parte que excede a legítima. 
O art. 549 tem como conteúdo o princípio da conversação do contrato, já que procura preservar, dentro do possível juridicamente, a autonomia privada manifestada na doação. 
Como a questão envolve ordem pública, conclui-se que a ação declaratória de nulidade da parte inoficiosa, denominada ação de redução, não é sujeita à prescrição ou decadência, podendo ser proposta a qualquer tempo. Não há necessidade de aguardar o falecimento do doador para sua propositura.
Surge um outro entendimento no sentido de que, pelo fato de a questão envolver direitos patrimoniais, está sujeita ao prazo prescricional, que é próprio dos direitos subjetivos. Como não há prazo previsto, deverá ser aplicado o prazo geral de prescrição, que na vigência do CC/02 é de 10 anos, como já entendeu o STJ.
Este autor segue o entendimento, majoritário na doutrina, pelo qual a ação somente poderá ser proposta pelos interessados, ou seja, pelos herdeiros necessários do doador, apesar de envolver ordem pública.
2.11 Doação universal
Nula é a doção de todos os bens, sem reserva do mínimo para a sobrevivência do doador (art. 548). 
A tese do estatuto jurídico do patrimônio mínimo, do jurista Luiz Edson Fachin, preconiza que diante do princípio da proteção da dignidade da pessoa humana, deve ser assegurado à pessoa o mínimo para a sua sobrevivência, o mínimo para que possa viver com dignidade.
Como a nulidade é absoluta e envolve ordem pública, poderá a ação declaratória de nulidade ser proposta a qualquer tempo, sendo imprescritível. Caberá ainda intervenção do MP e declaração de ofício pelo juiz.
A leitura correta do art. 548 traz a conclusão de que é ate possível que a pessoa doe todo o seu patrimônio, desde que faça uma reserva de usufruto, de rendas ou alimentos a seu favor, visando a sua manutenção e sua sobrevivência de forma digna.
2.12 Doação do cônjuge adultero ao seu cúmplice
É anulável a doação do cônjuge ao seu cúmplice, desde que proposta ação anulatória pelo outro cônjuge ou pelos seus herdeiros necessários, até dois anos depois de dissolvida a sociedade conjugal (art. 550).
Tal proibição tem por alcance somente as pessoas casadas, não se aplicando às solteiras, separadas ou divorciadas. Diante da proteção constitucional das entidades familiares, deve-se entender que o dispositivo não se aplica se o doador viver com o donatário em união estável (doação à companheira ou companheiro). Esse entendimento deve ser aplicado aos casos de ser o doador casado, mas separado de fato, judicial ou extrajudicialmente, mesmo sendo o donatário o pivô da separação.
O art. 550 entra em conflito com o art. 1642, V, do CC, pois o primeiro dispositivo menciona a anulação nas hipóteses de doação ao cúmplice, enquanto o último prevê a possibilidade de uma ação reivindicatória a ser proposta pelo outro cônjuge.
A sua aplicação somente será possível se o doador não viver em união estável com o donatário, havendo uma doação a combino, de bem comum, na vigência do casamento.
2.13 Doação a entidade futura
A lei possibilita a doação a uma pessoa jurídica que ainda não exista, condicionando a sua eficácia à regular constituição da entidade (art. 554). Se a entidade não estiver constituída no prazo de dois anos contados da efetuação da doação, caducará essa doação. O prazo referido no dispositivo é decadencial. Há, na espécie, uma doação sob condição suspensiva.
3. Da promessa de doação 
Pela promessa de doação, uma das partes compromete-se a celebrar um contrato de doação futura, beneficiando o outro contratante.
Na opinião deste autor, não há óbice em se aceitar tal promessa,

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.