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CAP.5 – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS

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repercute na fiança. Nulo o principal, nula a fiança (art. 824). Mas o que ocorre na fiança não atinge o contrato principal. A fiança abrange todos os acessórios da dívida principal.
Como contrato típico, pode assumir forma paritária ou de adesão.
2. Efeitos e regras da fiança no CC/2002
Não só as dívidas atuais ou presentes como também as dívidas futuras podem ser objeto de fiança (Art. 821). No caso de a fiança garantir uma obrigação futura, o fiador não será demandado senão depois que se fizer certa e liquida a dívida do devedor principal.
A fiança pode ser total ou parcial, inclusive de valor inferior ao da obrigação principal e contraída em condições menos onerosas do que as do contrato principal. Mas nunca poderá ser superior ao valor do débito principal, caso em que deverá ser reduzida ao limite da dívida que foi afiançada (art. 823).
Em regra, será total, ilimitada ou indefinida, garantindo a dívida com todos os seus acessórios (art. 822).
As obrigações eivadas de nulidade absoluta não são suscetíveis de fiança, exceto de a nulidade resultar apenas da incapacidade pessoal do devedor, hipótese que pode ser reputada válida e eficaz (art. 824). Essa exceção não atinge o mútuo feito a menor sem autorização do representante, sendo certo que o valor não pode ser reavido nem do mutuário, nem de seus fiadores (§ú).
O fiador deve ser pessoa idônea. Se assim não o for, o credor poderá rejeitá-lo. (art. 825). O credor também pode rejeitar o fiador se este não for domiciliado no Município onde a fiança será prestada ou se não possuir bens suficientes para cumprir a obrigação. 
Tornando-se insolvente ou incapaz o fiador, o credor poderá exigir a sua substituição (art. 826), de acordo com a tese de facilitação do crédito. Essa substituição do fiador pode gerar o vencimento antecipado da dívida (art. 333, III).
O fiador não é devedor solidário, mas subsidiário, tendo em seu favor o benefício de ordem ou de excussão, pelo qual será primeiro demandado o devedor principal (art. 827). O fiador que alega benefício de ordem deve nomear bens livres e desembargados do devedor principal que bastem para a satisfação da dívida, localizados no município onde corre a cobrança da dívida (§ú).
O art. 828 consagra hipóteses em que o fiador não poderá alegar o benefício de ordem: I) se ele o renunciou expressamente; II) se se obrigou como principal pagador, ou devedor solidário; III) se o devedor for insolvente, ou falido.
Atente-se que a renúncia ao benefício de ordem será nula quando inserida em contrato de adesão (enunciado 364).
Vê-se que não ha solidariedade legal entre o fiador e o devedor principal. No máximo, poderá existir solidariedade convencional por força de contrato paritário.
Porém, o art. 829 traz como regra a solidariedade entre fiadores quando a fiança é conjuntamente prestada a um só débito por mais de uma pessoa. A parte final do dispositivo traz uma exceção à regra, podendo as partes convencionar a divisão da dívida entre os fiadores (benefício de divisão), quando cada fiador responderá unicamente pela parte que, em proporção, lhe couber no pagamento (§ú).
Cada fiador poderá fixar no contrato a parte da dívida que toma sob sua responsabilidade, caso em que não será por mais obrigado (Art. 830). A regra é da divisão igualitária.
O fiador que pagar integralmente a dívida ficará sub-rogado nos direitos do credor mas só poderá demandar a cada um dos outros fiadores pela respectiva quota (art. 831). Eventual parte de fiador insolvente será distribuída entre os outros.
O devedor responderá perante o fiador por todas as perdas e danos que este pagar e pelos que sofrer em razão da fiança (art. 832). Vê-se que o fiador poderá responsabilizar-se por outros valores que não seja a dívida e os seus acessórios, como aqueles correspondentes às perdas e danos.
No caso de pagamento, o fiador tem direitos aos juros do desembolso pela taxa estipulada na obrigação principal e, não havendo taxa convencionada, os juros legais da mora (art. 833).
Quando o credor, sem justa causa, deixar de dar andamento à execução iniciada contra o devedor, poderá o fiador fazê-lo (art. 834).
Nos casos de fiança celebrada com prazo indeterminado, o fiador poderá exonerar-se a qualquer tempo, mediante notificação, judicial ou extrajudicial, dirigida ao credor com quem mantém o contrato (Art. 835). A garantia se estenderá até 60 dias após a notificação, estando o fiador totalmente exonerado depois desse prazo. O caso é de resilição unilateral.
Filia-se ao entendimento segundo o qual a renúncia convencional ao direito de exonerar-se, por expressa previsão no contrato de fiança, é nula.
Gera a extinção da fiança a morte do fiador (art. 836). Somente as obrigações vencidas enquanto era vivo o fiador transmitem-se aos herdeiros, até os limites da herança.
Nos termos do art. 837, o fiador poderá opor ao credor as defesas ou exceções que lhe forem pessoais e que geram a extinção do contrato. Poderá alegar também as defesas extintivas da obrigação que competem ao devedor principal.
O fiador, ainda que solidário, ficará desobrigado se, sem o seu consentimento, o credor conceder moratória ao devedor (art. 838, I).
A fiança será extinta se, por fato do credor, for impossível a sub-rogação nos seus direitos e preferências. A fiança será ainda extinta se o credor, em pagamento da dívida, aceitar amigavelmente do devedor objeto diverso do conteúdo da dívida obrigada, ainda que depois venha a perde-lo em decorrência de evicção.
Se for invocado o benefício de ordem e o devedor, retardando-se a execução, cair em insolvência, ficará exonerado o fiador que invocou este benefício. Para tanto, deverá o fiador comprovar que os bens por ele indicados eram, ao tempo da penhora, suficientes para a solução da dívida afiançada (art. 839).
Ademais, a extinção da fiança pode ocorrer também por ato amigável entre o fiador e o credor (distrato) ou por decisão judicial em ação de exoneração de fiança, que segue rito ordinário.

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