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CAP.5 – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS

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366: o fato extraordinário e imprevisível causador da onerosidade excessiva é aquele que não está coberto objetivamente pelos riscos próprios da contratação.
Este autor posiciona-se se forma contrária ao seu conteúdo, pois uma pequena oscilação de preço pode trazer extrema onerosidade a uma parte que seja vulnerável.
Debate-se ainda sobre a ausência de mora como requisito da revisão contratual. Tal elemento não consta da lei para a ação de revisão. Mas há julgados recentes exigindo tal requisito. O STJ editou a súmula 380, prevendo que “a simples propositura da ação de revisão de contrato não inibe a caracterização da mora do autor”.
Todavia, o próprio STJ tem feito um contraponto a respeito da mora, concluindo que a cobrança de valores abusivos por entidades bancárias descaracteriza esse inadimplemento relativo ao devedor.
Para este autor, a ausência de mora não é requisito para a revisão do contrato.
2. A revisão contratual por fato superveniente no Código de Defesa do Consumidor
O CDC inseriu no sistema a regra de que mesmo uma simples onerosidade excessiva ao consumidor poderá ensejar a chamada revisão contratual por fato superveniente. Eis a redação do art. 6º, V:
Art. 6º. São direitos básicos do consumidor: (...) V- a modificação das cláusulas contratuais que estabelecem prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas.
Não há qualquer menção a eventos imprevisíveis ou extraordinários, sendo certo que o CDC não adotou a teoria da imprevisão. Há, no sistema consumerista, uma revisão por simples onerosidade excessiva. Basta um fato novo, superveniente, que gerou o desequilíbrio. Afirma-se que o CDC adotou a teoria da base objetiva do negócio jurídico. 
Com a possibilidade de se rever um contrato por simples onerosidade excessiva, vislumbra-se um contrato amparado na teoria da equidade contratual ou na teoria da base objetiva do negócio jurídico.
OS VÍCIOS REDIBITÓRIOS NO CÓDIGO CIVIL
São os defeitos que desvalorizam a coisa ou a tornam imprópria para uso. O conceito ainda adotado pela doutrina majoritária indica que tais vícios são sempre os ocultos.
O art. 445 do atual CC diferencia os prazos nos casos em que os vícios podem ser conhecidos de imediato ou mais tarde, razão pela qual entendemos que a atual codificação também trata dos vícios aparentes.
Não há que se confundir o vício redibitório com o erro. No caso do vício redibitório o problema atinge o objeto do contrato, ou seja, a coisa. No erro o vício é do consentimento, atingindo a vontade, pois a pessoa se engana sozinha.
Na hipótese de erro quanto ao objeto ou sobre a qualidade a ele essencial, a coisa é outra, diferente daquela que o declarante tinha em mente ao emitir a declaração, ou, ainda, falta-lhe uma qualidade importante. Não há defeito ou vício intrínseco à coisa. O defeito, como vício de consentimento, é subjetivo, há uma falsa ideia da realidade. No caso de vício redibitório, o negócio é ultimado tendo em vista um objeto com aquelas qualidades que todos esperam que possua, comum a todos os objetos da mesma espécie. Porém, àquele objeto especifico falta uma dessas qualidades, apresenta um defeito oculto, não comum aos demais objetos da espécie. O comprador realmente queria comprar aquela coisa, mas há defeito no objeto, o defeito como vício oculto é objetivo.
As categorias se situam em planos distintos do contrato:
• Vício redibitório – plano da eficácia do contrato.
• Erro – plano da validade.
Há uma garantia legal contra os vícios redibitórios nos contratos bilaterais (sinalagmáticos), onerosos e comutativos. O adquirente prejudicado pelo vício redibitório pode fazer uso das ações edilícias, podendo, por meio dessas ações:
1) Pleitear abatimento proporcional no preço, por meio de ação quanti minoris ou ação estimatória.
2) Requerer a resolução do contrato (devolvendo a coisa e recebendo de volta a quantia em dinheiro que desembolsou), sem prejuízo de perdas e danos, por meio da ação redibitória. Para pleitear perdas e danos, deverá comprovar a má-fé do alienante, ou seja, que o mesmo tinha conhecimento dos vícios redibitórios.
Quando possível, merece aplicação o princípio da conservação do contrato, anexo à função social. Ou seja, a resolução do contrato é o último caminho a ser percorrido. Nos casos em que os vícios não geram grandes repercussões em relação à utilidade da coisa, não cabe ação redibitória, mas apenas a quanti minoris, com o abatimento proporcional do preço. Se o vício for insignificante, não cabe sequer esse pedido de abatimento.
A responsabilidade do alienante permanece ainda que a coisa pereça em poder do adquirente em virtude do vício oculto já existente no momento da entrega (art. 444).
Como as ações edilícias são constitutivas negativas, os prazos previstos no art. 445 para tais demandas são decadenciais. Nesse sentido, enunciado 28. Vejamos:
- Nos casos de vício que pode ser percebido imediatamente – o adquirente decai do direito de obter a redibição ou abatimento no preço no prazo de 30 dias se a coisa for móvel, e de um ano se for imóvel, contado da entrega efetiva. Se já estava na posse do bem, o prazo conta-se da alienação da coisa, reduzido à metade (15 dias/6 meses).
- Quando o vício, por sua natureza, só puder ser conhecido mais tarde – o prazo contar-se-á do momento em que dele tiver ciência, até o prazo máximo de 180 dias, em se tratando de bens moveis; e de um ano, para os imóveis.
Colaciona-se a existência de um entendimento diverso, respaldado no enunciado 174, que determina que, nos casos de vícios ocultos, o adquirente terá contra si os prazos de 30 dias para moveis e um ano para imóveis (art. 445, caput), desde que os vícios surjam nos prazos de 180 dias para moveis e um ano para imóveis (445, §1º), a contar da aquisição desses bens. 
Mesmo respeitando o teor do enunciado, a ela não se filia este autor.
O art. 445, §2º determina que no caso de vendas de animais, os prazos de garantia quanto aos vícios redibitórios serão aqueles previstos na legislação ordinária especial, que pode ser o CDC. Na falta de previsão legal, devem ser aplicados os usos e costumes locais. Na falta de usos é que incidem os prazos constantes do §1º do art. 445, CC. Como os animais são bens moveis semoventes, em regra, aplica-se o prazo de 180 dias. 
Por fim, enuncia o art. 446 que não correrão os prazos do artigo antecedente na constância de cláusula de garantia; mas o adquirente deve denunciar o defeito ao alienante nos 30 dias seguintes ao seu descobrimento, sob pena de decadência. Trata o comando legal de prazo de garantia convencional que independe do legal e vice-versa.
Com efeito, na vigência do prazo de garantia não correrão os prazos legais, mas, diante do dever anexo de informação, inerente à boa-fé objetiva, o alienante deverá denunciar o vício no prazo de 30 dias contados do seu descobrimento, sob pena de decadência.
Na opinião deste autor, a decadência referenciada no final do art. 446, CC está ligada à perda do direito de garantia e não ao direito de ingressar com as ações edilícias. Assim, com o término do prazo de garantia ou não denunciado o adquirente o vício dentro do prazo de 30 dias, os prazos legais do art. 445 iniciar-se-ão.
A EVICÇÃO
Trata-se da perda da coisa diante de uma decisão judicial ou de um ato administrativo que a atribuiu a um terceiro.
O conceito clássico de evicção é que ela decorre de uma sentença judicial. Entretanto, o STJ tem entendido que a evicção pode estar presente em casos de apreensão administrativa.
Enuncia o art. 447 que há uma garantia legal em relação a essa perda da coisa, objeto do negócio jurídico celebrado, que atinge os contratos bilaterais, onerosos e comutativos, mesmo que tenha sido adquirida em hasta pública.
No que concerne à pessoa que responde em casos envolvendo a evicção do bem arrematado, há responsabilidade imediata do devedor ou do réu da ação, que é o primeiro beneficiado com a arrematação. Assim, o credor ou autor tem responsabilidade

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