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CAP.5 – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS

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subsidiária, por ser beneficiado indiretamente. Mas a questão não é pacifica, pois há quem entenda pela responsabilidade imediata do credor e subsidiária do credor.
São partes da evicção:
• Alienante – aquele que transfere a coisa viciada, de forma onerosa.
• Evicto ou adquirente – aquele que perda a coisa adquirida.
• Evictor ou terceiro – tem a decisão judicial ou a apreensão administrativa a seu favor.
O art. 199, II preconiza que não corre a prescrição, pendendo a ação de evicção. Somente após o transito em julgado da sentença a ser proferida na ação em que se discute a evicção, com decisão sobre a destinação do bem evicto, é que o prazo prescricional voltará a correr.
A responsabilidade pela evicção decorre da lei, assim não precisa estar prevista no contrato. Todavia, podem as partes reforçar a responsabilidade, atenuando ou agravando seus efeitos (art. 448). Tem-se entendido que o limite do reforço é o dobro do valor da coisa.
No que concerne à exclusão da responsabilidade, esta pode ocorrer desde que feita de forma expressa, não se presumindo em hipótese alguma. Todavia, mesmo excluída a responsabilidade pela evicção, se esta ocorrer, o alienante responde pelo preço da coisa. Isso, se o evicto não sabia do risco da evicção ou, informado do risco, não o assumiu (art. 449).
O entendimento dominante, seguido pelo autor, esclarece que o alienante somente ficará totalmente isento de responsabilidade se pactuada a cláusula de exclusão E o adquirente for informado sobre o risco da evicção (sabia do risco e o aceitou). Assim:
- Cláusula expressa de exclusão da garantia + conhecimento do risco da evicção pelo evicto = isenção de toda e qualquer responsabilidade por parte do alienante.
- Cláusula expressa de exclusão da garantia – ciência desse risco por parte do adquirente = responsabilidade do alienante apenas pelo preço pago pelo adquirente.
- Cláusula expressa da exclusão da garantia, sem que o adquirente haja assumido o risco da evicção de que foi informado = direito desde de reaver o preço que desembolsou.
Não havendo a referida cláusula de exclusão da garantia pela evicção a responsabilidade do alienante será plena. Assim, nos casos de evicção total, poderá o evicto prejudicado pleitear do alienante (art. 450): 
 1º) A restituição integral do preço pago, levando-se em conta o valor da coisa à época em que se perdeu. (art. 450).
2º) A indenização dos frutos que tiver sido obrigado a restituir ao evictor ou terceiro.
3º) A indenização pelas despesas dos contratos e pelos prejuízos que diretamente resultarem da evicção (danos emergentes, despesas de escritura e registro e lucros cessantes), além de danos imateriais ou morais. (art. 402 a 404)
4º) As custas judiciais e os honorários advocatícios. 
5º) Indenização pelas benfeitorias necessárias e úteis não abonadas ao evicto pelo evictor. Se as benfeitorias abonada ao que sofreu a evicção tiverem sido feitas pelo alienante, o valor destas deverá ser levado em conta na restituição devida. (art. 454)
A responsabilidade do alienante pela evicção total ou parcial permanece ainda que a coisa alienada esteja deteriorada, exceto havendo dolo do adquirente. (art. 451). Mas se o evicto tiver auferido vantagens das deteriorações e não tiver sido condenado a pagar tais valores ao evictor, o valor dessas vantagens deverá ser reduzido da quantia pleiteada do alienante. (art. 452)
Havendo evicção parcial, estabelece o art. 455 que:
- Se a evicção for parcial mas considerável, poderá o adquirente optar entre a rescisão do contrato ou a restituição da parte do preço correspondente ao desfalque.
- Sendo parcial a evicção, mas não considerável, poderá o evicto somente pleitear a indenização correspondente à parte perdida (perdas e danos).
Evicção parcial considerável é aquela que supera a metade do valor do bem. Também se pode levar em conta a essencialidade da parte perdida em relação às finalidades sociais e econômicas do contrato.
Questões processuais relativas à evicção:
1ª) Para poder exercitar o direito que da evicção lhe resulta, o adquirente notificará do litígio o alienante imediato, ou qualquer dos anteriores (art. 456). Utiliza-se a denunciação da lide, sendo a mesma supostamente obrigatória. Porém, o STJ tem entendimento de que essa denunciação não é obrigatória, sendo possível reaver o preço da coisa por meio de ação própria, mesmo na falta de intervenção de terceiro.
2ª) Prevê o enunciado 29 que a interpretação do art. 456 permite ao evicto a denunciação direta de qualquer dos responsáveis pelo vício. Trata-se da denunciação da lide por salto, que representa mais opções de demanda ao evicto prejudicado, tutelando mais efetivamente o direito material. Os efeitos contratuais são ampliados, além da primeira relação jurídica estabelecida.
3ª) Consta do art. 456, § único, que não atendendo o alienante à denunciação da lide, e sendo manifesta a procedência da evicção, pode o adquirente deixar de oferecer contestação ou usar de recursos, o que afasta a aplicação, em casos tais, do art. 75, II do CPC, que diz: se o denunciado for revel, ou comparecer apenas para negar a qualidade que lhe for atribuída, cumprirá ao denunciante prosseguir na defesa até final.
Deverá prevalecer a primeira regra, pois se trata de norma especial e também de cunho processual, aplicável aos casos de evicção. Para os demais casos de denunciação da lide, continua tendo aplicação o art. 75, II, CPC.
5. EXTINÇÃO DOS CONTRATOS
Pelo que consta do atual CC e das lições da doutrina, quatro são as formas básicas de extinção dos contratos, das quais decorrem as demais: I) extinção normal; II) extinção por fatos anteriores à celebração; III) extinção por fatos posteriores à celebração; IV) extinção por morte.
1. Extinção normal dos contratos: Como primeira forma básica, o contrato poderá ser extinto de forma normal, pelo cumprimento da obrigação. Também haverá a extinção normal findo o prazo previsto para o negócio, no seu termo final, desde que todas as obrigações pactuadas sejam cumpridas. 
Extinto o contrato, não há que se falar em obrigações dele decorrentes, em regra. Entretanto, não se pode esquecer que a boa-fé objetiva deve estar presente mesmo após a celebração do contrato, sob pena da caracterização da violação de um dever anexo ou abuso de direito.
2. Extinção por fatos anteriores à celebração
São fatores relacionados a problemas de formação do contrato (plano de validade) ou à autonomia privada.
a) Invalidade contratual
Haverá invalidade nos casos envolvendo o contrato nulo (nulidade absoluta) e contrato anulável (nulidade relativa).
b) Cláusula de arrependimento
Constitui forma de extinção por fato anterior à celebração a previsão no negócio de direito de arrependimento, inserido no próprio contrato, hipótese em que os contraentes estipulam que o negócio será extinto, mediante declaração unilateral.
Já existe uma intenção presumida e eventual de aniquilar o negócio, sendo assegurado um direito potestativo à extinção para a parte contratual. Esse direito de arrependimento, de origem contratual, não se confunde com o direito de arrependimento de origem legal previsto no art. 49 do CDC
c) Cláusula resolutiva expressa
Pode existir previsão no negócio de uma cláusula resolutiva expressa, podendo um evento futuro e incerto (condição) acarretar a extinção do contrato. Justamente porque essa previsão consta da origem do pacto é que há a extinção por fato anterior ou contemporâneo à celebração.
Enuncia o art. 474 que: “a cláusula resolutiva expressa opera de pleno direito; a tácita depende de uma interpelação judicial”. A condição resolutiva expressa depende da propositura de ação declaratória, produzindo a decisão efeitos ex tunc, ou seja, retroage à data da celebração do negócio. Já a condição resolutiva tácita depende de ação constitutiva negativa, cujos efeitos da decisão serão ex nunc.
Em algumas situações, mesmo havendo uma cláusula resolutiva expressa, haverá necessidade de notificação da parte para constituí-la em mora (casos

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