A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
60 pág.
CAP.5 – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS

Pré-visualização | Página 9 de 21

de compromisso de compra e venda de imóveis loteados).
3. Extinção por fatos posteriores à celebração 
Toda vez em que há a extinção do contrato por fatos posteriores à celebração, tendo umas das partes sofrido prejuízo, fala-se em rescisão contratual, sendo a ação que pretende extinguir o contrato nessas hipóteses denominada ação de rescisão contratual, seguindo o rito ordinário.
A rescisão é gênero e possui as seguintes espécies: resolução (extinção do contrato por descumprimento) e resilição (dissolução por vontade bilateral ou unilateral, quando admissível por lei pelo reconhecimento de um direito potestativo).
a) Resolução (descumprimento ou inadimplemento contratual)
Pode estar presente em 4 hipóteses:
a.1) Inexecução voluntária
Trata-se da impossibilidade da prestação por culpa ou dolo do devedor. A inexecução culposa sujeitará a parte inadimplente ao ressarcimento pelas perdas e danos sofridos – danos emergentes, lucros cessantes, danos morais, estéticos e outros danos materiais.
A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato. Mas, se não preferir essa resolução, a parte poderá exigir da outra o cumprimento do contrato, de forma forcada, cabendo, em qualquer uma das hipóteses, indenização por perdas e danos (art. 475). A resolução em perdas e danos depende da prova de culpa do devedor, ou seja, a responsabilidade contratual é, em regra, subjetiva (enunciado 31 e art. 392).
Pela teoria do adimplemento substancial, em hipóteses em que o contrato tiver sido quase todo cumprido, não caberá a sua extinção, mas apenas outros efeitos jurídicos, visando sempre à manutenção da avença.
a.2) Inexecução involuntária
O descumprimento contratual poderá ocorrer por fato alheio à vontade dos contratantes, situação em que estará caracterizada a resolução por inexecução involuntária. São hipóteses em que ocorre a impossibilidade de cumprimento da obrigação em decorrência de caso fortuito ou força maior. A outra parte contratual não poderá pleitear perdas e danos, sendo tudo o que foi pago devolvido e retornando a obrigação à situação primitiva. 
Existem hipóteses em que a parte contratual responde por caso fortuito ou força maior:
- Se o devedor estiver em mora, a não ser que prove ausência de culpa ou que a perda da coisa objeto da obrigação ocorreria mesmo não havendo o atraso (art. 399).
- Havendo previsão no contrato para a responsabilização por esses eventos por meio da cláusula de assunção convencional (art. 393).
- Em casos especificados em norma jurídica. Ex: art. 583, para o contrato de comodato.
a.3 Resolução por onerosidade excessiva
Poderá ocorrer a resolução do negócio em decorrência de um evento extraordinário e imprevisível que dificulte extremamente o adimplemento do contrato, gerando a extinção do negócio de execução diferida ou continuada (art. 478). Os efeitos da sentença que determinar a resolução retroagirão à data da citação do processo em que se pleiteia a extinção (efeitos ex tunc).
A análise da imprevisibilidade deve levar em conta as conseqüências e resultados para o contratante e não somente o mercado (enunciados 175 e 17).
Alem disso, em atenção ao princípio da conservação dos negócios jurídicos, o art. 478 do CC/02 deverá conduzir, sempre que possível, à revisão judicial dos contratos e não à resolução contratual (enunciado 176).
Na ação de resolução contratual fundada no art. 478 é possível o caminho da revisão. O réu poderá oferecer-se a modificar de forma equitativa as condições do contrato (art. 479). A parte autora deve ser ouvida quanto à sua intenção de rever o contrato, devendo ser respeitada a sua vontade. O juiz não tem o poder de impor a revisão contratual de ofício, notadamente contra a vontade do autor que pleiteou a resolução do contrato (enunciado 367).
Se no contrato as obrigações couberem a apenas uma das partes, poderá esta pleitear que a sua prestação seja reduzida, ou alterado o modo de executá-la, a fim de evitar a onerosidade excessiva, o desequilíbrio contratual (art. 480).
Os contratos referenciados no art. 480 não são os que envolvem negócios unilaterais, que não podem ser revistos, em regra, por não apresentarem sinalagma. O comando refere-se àqueles negócios em que uma parte já cumpriu com a sua prestação, restando apenas à outra dever jurídico obrigacional.
Esclarece-se que a doutrina majoritária considera viável e plenamente possível a revisão dos contratos unilaterais puros, com base nesse art. 480.
a.4) Cláusula resolutiva tácita
É aquela que decorre da lei e que gera a resolução do contrato em decorrência de um evento futuro e incerto, geralmente relacionado ao inadimplemento (condição). Necessita de interpelação judicial para gerar efeitos jurídicos (art. 474). Justamente por não decorrer da autonomia privada, mas da lei, é que a cláusula resolutiva tácita gera a extinção por fato superveniente à celebração, ponto que a diferencia da cláusula resolutiva expressa.
Ex: exceção do contrato não cumprido, que pode gerar a extinção de um contrato bilateral ou sinalagmático, nos casos de mútuo descumprimento total do contrato.
A exceção do contrato não cumprido, em caso de descumprimento total, sempre foi tida como forma de defesa. Entretanto, sendo essa cláusula resolutiva tácita para os contratos bilaterais, é possível e recomendável alegá-la em sede de petição inicial, com o objetivo de interpelar judicialmente a outra parte visando à extinção contratual. 
Nos casos de risco de descumprimento parcial do contrato, o art. 477 enuncia que, depois de concluído o contrato, sobrevier a uma das partes diminuição em seu patrimônio capaz de comprometer ou tornar duvidosa a prestação pela qual se obrigou, poderá a outra parte recusar-se à prestação que lhe incumbe, até que o primeiro satisfaça a sua ou dê garantia bastante para satisfazê-la. Se a parte que beira à inadimplência não cumprir com o que consta do dispositivo, o contrato bilateral estará extinto, após a devida interpelação judicial por parte do interessado na extinção.
Trata-se da quebra antecipada do contrato ou inadimplemento antecipado, pois se uma parte perceber que há risco real e efetivo, demonstrado pela realidade fática, de que a outra não cumpra com a sua obrigação, poderá antecipar-se, pleiteando a extinção do contrato antes mesmo do prazo para o cumprimento. O dispositivo em comento ordena que a parte tente buscar garantias para o cumprimento, para então depois pleitear a resolução.
A doutrina clássica sempre apontou para a existência de uma cláusula pela qual a parte contratual renuncia ao beneficio da exceção do contrato não cumprido. Trata-se da cláusula solve et repete. Mas não há dúvida de que tal cláusula será tida como abusiva, e, portanto, nula nos contratos de consumo e de adesão.
b) Resilição (exercício de um direito potestativo)
b.1) Resilição bilateral ou distrato
É efetivada mediante a celebração de um novo negócio em que ambas as partes resolvem, de comum acordo, pôr fim ao anterior que firmaram. Submete-se à mesma forma exigida para o contrato (art. 472), sob pena de nulidade absoluta, por desrespeito à forma e à solenidade essencial.
b.2) Resilição unilateral
Dissolução pela simples declaração de vontade de uma das partes, desde que a lei, de forma explicita ou implícita, admita essa forma de extinção. Há o exercício de um direito potestativo, que se contrapõe a um estado de sujeição.
Só é prevista em hipóteses excepcionais, como, por exemplo, na locação, na prestação de serviços, no mandato, no comodato, no depósito, na doação, na fiança, operando-se mediante denúncia notificada à outra parte (art. 473). 
São casos de resilição unilateral:
- Denúncia vazia – cabível na locação de coisa móvel ou imóvel regida pelo CC e da coisa imóvel regida pela lei de locação. Findo o prazo, extingue-se de pleno direito o contrato celebrado entre as partes, sem qualquer motivo para tanto.
- Revogação – cabível quando há quebre de confiança naqueles pactos em que esta se faz presente como fator predominante.

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.