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AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL – AIA 
 
Iara Verocai Dias Moreira 
Assessoria Técnica da Presidência 
FEEMA 
Rio de Janeiro, abril 1985 
 
INTRODUÇÃO 
 
Ao final da década de 60, nos países industrializados, e também em alguns países em desenvolvimento, o 
crescimento da conscientização do público quanto à rápida degradação ambiental e aos problemas sociais 
decorrentes 1evou as comunidades a demandar uma qualidade ambiental melhor e a exigir que os fatores 
ambientais fossem expressamente considerados pelos governos ao aprovarem programas de investimento e 
projetos de grande porte. 
 
Os métodos tradicionais de ava1iação de projeto, baseados tão somente em critérios econômicos, mostram-se 
inadequados para auxiliar as decisões. Quase sempre limitados a análises de custo e benefício, sem considerar 
fatores ambientais, os estudos de viabilidade 1evam a aprovar projetos cuja jmp1antação pode resu1tar em 
danos inesperados à saúde, ao bem estar social e aos recursos naturais, reduzindo assim os benefícios previstos. 
 
A busca de meios que promovessem a incorporação de fatores ambientais à tomada de decisão resultou na 
formulação de políticas específicas e fez surgir uma série de instrumentos para a execução dessas políticas. 
Fizeram-se reorganizações administrativas e reformas institucionais, criaram-se incentivos econômicos para o 
controle da poluição, implantaram-se sistemas de gestão ambiental, abriram-se canais para que os cidadãos 
pudessem participar das decisões. Dos instrumentos gerados, o processo de avaliação de impacto ambiental 
(AIA) foi aquele que maiores atenções atraiu, tendo sido amplamente discutido e adotado, por sua 
adaptabilidade a diferentes esquemas institucionais e por suas possibilidades de atender ao mesmo tempo a 
requisitos técnicos e po1íticos. 
 
No Brasil, tem sido feitas algumas tentativas de utilização da avaliação de impacto ambiental. Primeiro, por 
exigência de órgãos financeiros internacionais, sujeitarem seus empréstimos a uma análise dos efeitos 
ambientais dos programas do Governo. Em segundo lugar, como parte das informações fornecidas por uma 
atividade poluidora aos sistemas de licenciamento, ou como um procedimento de aprovação de projeto. 
Ultimamente, como instrumento de execução da Política Nacional do Meio Ambiente. Nos três casos, observa-
se que a AIA tem sido usada aleatoriamente e, embora ainda não existam apreciações sistemáticas dos 
resultados dos estudos realizados, acredita-se que sua aplicação tem sido feita de forma tecnicamente 
inconsistente e muito aquém de suas possibilidades políticas. 
 
Este pequeno ensaio, concebido inicialmente para fazer parte do trabalho "Conceitos Básicos sobre Meio 
Ambiente", em preparação pela Assessoria Técnica da Presidência da FEEMA, sob o verbete "Avaliação de 
Impacto Ambiental", ampliou-se no sentido de contribuir para o desenvolvimento do tema e para a aplicação 
do processo de AIA às estratégias de controle ambiental, ora em discussão por um grupo de trabalho da 
Comissão Permanente de Normalização Técnica - PRONOL. 
 
Também no âmbito do Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA, a AIA tem objeto de freqüentes 
debates e algumas propostas de resolução. Isto vem confirmar o seu mérito como instrumento da Política 
Nacional do Meio Ambiente e a premente necessidade de se divulgarem o conhecimento e a experiência 
adquiridos nas instituições brasileiras. Vem também provocar as discussões quanto à regulamentação dos 
critérios e normas para implementar a sua utilização ordenada. 
 
Ao capitulo sobre as origens e a evolução da AIA, segue-se a apresentação seus conceitos básicos 
compreendendo também o significado, os atributos e as características dos impactos ambientais. Um terceiro 
capítulo dedica-se a explicar como devem se desenvolver os estudos técnicos correspondentes. As questões 
relativas à instituição do processo de AIA e à organização dos procedimentos para o seu exercício são objeto 
de alguns comentários, no capítulo subsequente. O último traz apenas curta noticia sobre os métodos de AIA 
de uso corrente, uma vez que trabalhos completos sobre a matéria estão disponíveis em português. Ao final, 
listam-se os títulos dos artigos e livros técnicos, a serem consultados pelos profissionais interessados em 
ampliar o conhecimento sobre o assunto. 
 
1. ORIGENS 
 
Os movimentos ambientalistas atuantes nos Estados Unidos da América, na década de 60, conseguiram 
mobilizar a população e motivar o Congresso daquele país a baixar o "National Environmental Policy Act of 
1969", conhecido pela sigla NEPA, que passou a vigorar em janeiro de 1970. Essa lei determinou os objetivos 
e os princípios da política ambiental americana e ordenou que todas as propostas de legislação, ações e projetos 
de responsabilidade do governo federal que afetassem significativamente a qualidade do meio ambiente 
humano incluíssem uma declaração detalhada, contendo: o impacto ambiental da ação proposta; os efeitos 
ambientais adversos que não poderiam ser evitados; as alternativas da ação; a relação entre os usos do meio 
ambiente a curto prazo e a manutenção e a melhoria da sua produtividade a longo prazo; qualquer 
comprometimento irreversível ou irrecuperável dos recursos ambientais a ser efetivado, caso a proposta fosse 
ser implantada. 
 
As conseqüências dessa medida legal foram o desenvolvimento de procedimentos administrativos que a 
pudessem pôr em prática e a criação de uma série De conceitos técnicos e metodológicos que auxiliassem a 
elaboração dos estudos e a apresentação dos resultados. Surgiu também uma nova terminologia conjugada aos 
esforços de atender aos requisitos do NEPA. Um dos termos criados foi "environmental impact statement 
(EIS)", declaração de impacto ambiental, para denominar o documento escrito, elaborado conforme instruções 
do NEPA, do Conselho de Qualidade Ambiental ou de organismos governamentais especificas, e que 
representa o resumo dos estudos de previsão e avaliação dos impactos da proposta considerada; esse 
documento também pode ser denominado "environmenta1 impact report ", relatório de impacto ambiental. 
 
A expressão "environmenta1 impact assessment (ElA)", traduzida para o português como avaliação de impacto 
ambienta1 (AIA), e de origem européia e surgiu na década de 70, passando a ser usada universalmente para 
designar todo o processo (1 )*. 
 
• Os números assinalados entre parêntesis referem-se às notas apresentadas no final do relatório. 
 
O uso da AIA generalizou-se rapidamente, não só dentro dos Estados Unidos da América, por força da 
legislação federal e de providências dos governos estaduais como também nos países desenvolvidos e, pouco 
mais tarde, em alguns paises em desenvolvimento. As peculiaridades jurídicas e institucionais de cada país 
determinaram o momento, a forma e a abrangência de sua adoção. 
 
A partir de 1975, alguns organismos internacionais iniciaram gestões para introduzir a AIA em seus 
programas. A Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (Organization for Economic 
Cooperation and Development - OECD) e a Comissão da Comunidade Européia (European Community 
Comission - EEC), bem como os órgãos setoriais da Organização das Nações Unidas, passaram a considerar a 
AIA para a solução de problemas gerados por propostas cujos impactos ambientais venham a afetar outros 
países além dos responsáveis por sua promoção. Os grandes agentes financeiros internacionais adotaram o 
mesmo procedimento, como forma de responder a pressões da comunidade cientifica mundial e dos cidadãos 
dos paises desenvolvidos, que passaram a se sentir responsáveis pelos problemas ambientais de Terceiro 
Mundo, resultantes muitas vezes de projetos multinacionais ou financiados por aqueles países. 
 
 
 
2. CONCEITOS BÁSICOS 
 
2.1 Definição de Avaliação de Impacto Ambiental 
 
Existem inúmeras definições na literatura especializada.