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ARQUIVOS PESSOAIS REVISÃO

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ARQUIVOS PESSOAIS - REVISÃO
1- Disserte sobre a evolução do pensamento arquivístico em relação aos Arquivos pessoais
Em seu primeiro momento, os arquivos pessoais são considerados responsabilidade das bibliotecas, já que na Arquivologia havia uma ênfase aos arquivos oficiais. Os critérios para sua preservação estão ligados ao seu valor histórico, cultural e estético. Um problema da custódia dos arquivos pessoais nas bibliotecas é o rompimento da sua relação orgânica. As bibliotecas são organizadas através de coleções, ou seja, uma reunião artificial que não mantém a organicidade.
Entre as décadas de 60 e 70, se iniciam as discussões acerca dos arquivos pessoais. No entanto, é levantada a questão da organicidade, não poderiam ser arquivos pois sua organização não segue o princípio,é estabelecida de acordo com o interesse dos pesquisadores.
Na década de 90, compreende-se que o princípio da proveniência pode ser mantido, desde que o arquivista investigue a vida do indivíduo, isto é, que compreenda o contexto em que o documento foi produzido.
Em 2001, há a adequação do princípio da proveniência. Entretanto, há a crítica ao valor probatório e transicional do documento. O documento é visto como fruto de uma ação arbitrária e intencional do indivíduo.
Contudo, em 2000, foi apoiada a ideia de que todo documento é fruto da ação humana, logo, deveria considerar seu potencial informacional.
Em 2002, é imposta a questão da organicidade, isto é, os documentos são produzidos alheios às formalidades e rigor científico, portanto, não podem ser regulados pela organicidade.
Na arquivologia contemporânea, há a necessidade de vislumbrar o arquivo e seu contexto de produção a partir do digital. Logo, há a desmaterialização do arquivo,potencialização da auto documentação e a individualização de produção, cada vez mais são produzidos documentos em diversas esferas da vida privada,assim como, é possível identificar no ambiente profissional quem gerou dados documentos. Os arquivos pessoais necessitam do esforço do arquivista para que seu contexto de produção seja compreendido. O arranjo e a descrição são visto também como intervenções.
2- Por que os arquivos pessoais são ou não arquivos? Quais os argumentos para tal?
Os argumentos que apontam para que os arquivos pessoais não sejam arquivos são: sua dimensão autobiográfica e por serem considerados marginais aos princípios arquivísticos (proveniência,organicidade e autenticidade). 
Os arquivos pessoais se enquadram nos princípios de proveniência e organicidade a partir de um esforço do arquivista. A proveniência prevê que a origem seja respeitada,ou seja, que documentos de mesma origem permaneçam agrupados. Enquanto, a organicidade prevê que a ordem dos documentos seja mantida,isto é, que a organização do produtor seja mantida. As esferas da vida pessoal são difusas e muitas vezes se interponham,por isso a aplicabilidade desses princípios é dificultada. Porém, a partir da investigação do contexto de produção dos documentos, atividades,funções e relações do produtor é possível aplicar a organicidade e a proveniência. 
O princípio da autenticidade esbarra na ideia de que os arquivos pessoais possuam uma dimensão autobiográfica. Visto que, há a ideia que eles tenham o objetivo de publicizar a imagem do indivíduo. No entanto, os documentos de arquivo, mesmo que pessoais, são criados por uma razão de ser,isto é, possuem uma finalidade para aquele indivíduo e mesmo que apresentem um testemunho involuntário. Dessa forma, até mesmo as intervenções feitas pela família e pelo indivíduo também representam intenções.
3- Disserte sobre a questão da subjetividade nos arquivos pessoais.
São características inerentes aos documentos a imparcialidade,naturalidade e interdependência. Os documentos, mesmo que pessoais, são gerados por uma finalidade pré-definida e compreendida por seu autor, por exemplo, uma carta,mesmo que possa vir a ter função probatória, foi enviada para amenidades e assuntos pessoais, assim como uma lista de presença, tem como única finalidade registrar a presença ou ausência de alunos, nada além disso. Arquivos pessoais são desenvolvidos por sua razão de ser e não possuem qualquer intencionalidade além dela, seu autor não sabe de seus possíveis usos futuros quando pretende criá-los. Dessa forma, tais arquivos são concebidos através da imparcialidade e naturalidade. A interdependência é muitas vezes difusa, já que as esferas da vida pessoal são muitas vezes interdependentes,mas pode ser assimilada a partir da investigação do contexto de produção do documento, interesses,atividades, funções e relações do indivíduo.
4- Disserte sobre a questão da organicidade nos arquivos pessoais.
O princípio da organicidade prevê que a ordem dos documentos seja mantida, isto é, arquivos de mesma procedência devem conservar a ordem estabelecida por seu produtor. A partir desse princípio surge a questão da natureza orgânica dos arquivos pessoais. Os arquivos pessoais devem preservar a ordenação de acordo com a finalidade de criação dos documentos. Diante disso, é fundamental compreender e conhecer a vida, funções e interesses de seu produtor. 
5- Disserte sobre a questão da procedência nos arquivos pessoais.
O princípio da procedência prevê que a origem dos documentos seja respeitada, isto é, que arquivos de mesma origem sejam mantidos agrupados. Para manter esses documentos agrupados é preciso conhecer os interesses, funções, atividades e relações de seu titular. As esferas da vida pessoal são amplas e por vezes se misturam, sendo assim é imprescindível conhecer o contexto que levou à produção desses documentos. 
6- Disserte sobre a questão da totalidade nos arquivos pessoais.
Há a ilusão de que para que o arquivo pessoal seja de fato representativo e coeso seja necessária sua totalidade. No entanto, os recortes feitos por seus doadores e seus responsáveis também tem seu significado, isto é, os fragmentos que compõem o arquivo pessoal implicam em uma seleção. Toda escolha feita representa uma renúncia. Logo, a ausência e a presença de documentos representam interesses da manutenção de uma imagem zelada pela família e possibilidade de reescrever a história do indivíduo, como no caso de Filinto Müller. Além disso, a busca do arquivista por um “sentido” refletidos através da hierarquização, interesse histórico e interferência do arquivista também representam intervenções e ressignificações.
7- Disserte sobre a questão dos arquivos pessoais e seu papel como construtor da memória, especialmente na sociedade contemporânea.
O arquivo é definido como uma instituição que possui a missão de reunir,conservar e disponibilizar documentos . A memória é formada por um conjunto de rupturas e fragmentos, isto é, há perspectivas que são privilegiadas em detrimento de outras. Além disso, sofre por constantes processos de ressignificação. A memória social é palco da luta contra o esquecimento que reflete lutas de poder do presente.
Os arquivos são criados para preservar o passado,as raízes e a história de uma sociedade. Diante disso, os arquivos pessoais contém testemunhos involuntários, isto é, são criados com uma dada função,mas possibilitam compreender hábitos e costumes,modo de escrever e falar e podem possuir valor probatório. Logo, os arquivos pessoais, combinados com os demais arquivos, são fundamentais para a construção da memória social e coletiva.