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alfabetizacao letramento 2

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a atenção? 
Em termos de alfabetização, existe o estágio mnemotécnico (função instrumental da escrita), que 
contribui para o entendimento progressivo das convencionalidades de nosso sistema alfabéti-
co, que precisam de posteriores avanços. Para que isso ocorra, o ensino da leitura e da escrita 
tornar-se necessário às crianças. O exercício da escrita não deve ser simplesmente um ato me-
cânico, mas uma atividade cultural complexa e com significado. 
Por meio dos experimentos de Luria, realizados ainda no início século XX, concluímos que saber 
decodificar e codificar não garante a compreensão simbólica da escrita. Esta conclusão leva-nos 
a pensar sobre o que lemos, anteriormente, a respeito da importância da leitura compreensiva e 
também sobre as práticas atuais: que elas ainda seguem métodos que privilegiam a mecaniza-
ção, a repetição e a memorização. 
E aí está o grande desafio dos professores: como ensinar que ler e escrever devem ir além do 
ensino de técnicas externas, mecanizadas e motoras? 
Uma das formas é alfabetizar letrando, assim como o ensino pode acontecer por meio de brin-
quedos e desenhos. A criança começará a perceber a necessidade da escrita e da leitura para 
expressar-se e para lembrar-se. Quando a criança conseguir desenhar, além de objetos, a fala, 
o processo atingirá seu objetivo e, para isso, é necessário o acompanhamento do professor em 
todas as fases.
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Alfabetização e Letramento
CASO
Nas aulas de psicologia do desenvolvimento e aprendizagem, geralmente, os alunos trazem suas 
frustrações, baseadas em inverdades. Explico: eles acreditam que algumas crianças, que ainda 
rabiscam e não sabem escrever letras convencionais, estão muito longe de adentrarem no mundo 
da escrita. O problema está mais por não conhecerem a existência da pré-história da escrita do 
que na ‘imaturidade’ das crianças, como costumam afirmar e acreditar. 
Acontece que, se eles parassem para prestar atenção aos rabiscos, que geralmente são des-
prezados e até mesmo reprimidos, elas teriam acesso às pistas riquíssimas sobre como anda o 
processo de desenvolvimento e simbolização da escrita em seus alunos e alunas. 
Existem crianças que ainda rabiscam aos 4, 5 ou 6 anos, sobretudo se convivem com poucas 
oportunidades de interagir com o mundo letrado ou com pessoas que não valorizam a leitura e 
a escrita. 
A pergunta que deve ser feita pela/o professora ou professor é: qual fase da escrita esses rabiscos 
representam: pré-instrumental ou instrumental? Se você quiser realmente descobrir, volte ao item 
2.3 e tente fazer com seus alunos como Luria fez e descubra a pré-história da escrita em seus/
suas alunos/as!
23
Síntese
Foi importante compreendermos que a leitura e a escrita não se resumem em atos mecanizados 
e externos de decodificação e codificação simples, certo? Esperamos que você tenha percebido 
a importância da linguagem falada e da escrita como um sistema de representação simbólica. 
Para entendermos isto tudo, estudamos que:
•	 a leitura é um produto da interação entre o leitor e o texto, e não uma decodificação de 
um significante;
•	 a escrita não é um ‘código’, isto é, a transcrição das unidades sonoras em grafia 
(codificação); 
•	 as concepções construtivistas (construtivismo e socioconstrutivismo) já haviam defendido 
que a escrita é um sistema de representação da linguagem com signos e significados; 
•	 a linguagem falada é importante como constituinte do pensamento e da formação da 
função simbólica.
•	 há diversas formas de linguagem que precedem à escrita e que devem ser exploradas: a 
própria fala, os gestos, a brincadeira, o desenho;
•	 o que representa a pré-história da escrita e as funções pré-instrumental e instrumental por 
meio dos experimentos do neuropsicólogo Alexander Luria;
•	 ainda que os estudos de Luria tenham ocorrido em meados do século XX, ele já afirmava 
que decodificar e codificar, não garantia a compreensão simbólica da escrita.
Síntese
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Referências
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Bibliográficas