Fisiologia Respiratória em Pediatria e Neonatologia.
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Fisiologia Respiratória em Pediatria e Neonatologia.


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 Fisiologia Respiratória em Pediatria e Neonatologia. 
 
Carlos Augusto Cardim de Oliveira 
Maria Cláudia Brandão de Oliveira 
Naiana Valério 
 
 Os profissionais da saúde têm geralmente uma concepção errônea de que as doenças pulmonares são 
problemas principalmente de adultos. As estatísticas mostram que as doenças respiratórias são um dos principais 
problemas na infância, contribuindo em grande parte nos índices de internação, bem como das causas de mortalidade 
e morbidade em crianças e neonatos. Cinqüenta por cento (50%) das internações em unidades de terapia intensiva 
pediátrica referem-se a crianças que apresentam Insuficiência Respiratória Aguda (IRA), sendo dois terços em 
crianças menores de 1 ano, e destas, 50% no período neonatal (Vicent, 2003). As estatísticas de mortalidade mostram 
que aproximadamente 30% de todas as mortes de bebês nascidos a termo e 50 a 75% das mortes de bebês 
prematuros nos Estados Unidos são causadas por ou estão estreitamente relacionadas a doenças respiratórias e, 
principalmente, por quadros de IRA (Lemen, 1992). 
 A IRA pode ser causada por diversas condições como a Pneumonia, a Bronquiolite, a Síndrome da Aspiração 
de Mecônio entre outras. Entretanto, na população pediátrica e neonatal, a IRA torna-se mais freqüente devido às 
diferenças anátomo-fisiológicas que colocam o sistema respiratório infantil em desvantagem com o sistema respiratório 
adulto, deixando-o mais suscetível a falhas respiratórias. 
 Neste capítulo, serão fornecidas informações básicas que capacitarão os leitores a entenderem mais sobre a 
fragilidade do sistema respiratório neonatal e pediátrico. 
 
1. Desenvolvimento e crescimento pulmonar 
 
 O sistema respiratório passa por importantes alterações estruturais no decorrer de seu desenvolvimento intra-
uterino. Antes do nascimento, os pulmões não são funcionais e o feto não realiza nenhuma troca gasosa direta com o 
meio ambiente. A placenta é que exerce esse papel. 
No feto, o sangue caminha pela artéria umbilical e, após troca gasosa com a placenta, retorna através da veia 
umbilical. Mesmo a troca gasosa sendo realizado na placenta materna, a circulação fetal e a circulação materna não 
se misturam. Útero e placenta mantêm, ambos, uma circulação em separado (Helfaer, 1996). 
O primeiro sinal de desenvolvimento pulmonar ocorre durante o período embrionário, 4 a 7 semanas após a 
concepção. As células que formam o trato respiratório desenvolvem-se a partir do epitélio que deriva do endoderma. 
Essas células formarão os tecidos das vias aéreas condutoras e os alvéolos, que se tornarão intimamente associados 
à circulação pulmonar para a função da troca gasosa (Miyoshi, 1998). O desenvolvimento e o crescimento pulmonar 
prosseguirão durante toda a gestação, estando apto para a vida extra-uterina a partir da 36° semana gestacional, 
como mostram a tabela e a figura abaixo: 
 
 
 
 
 
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Tabela 1. Fases do desenvolvimento e crescimento pulmonar e suas principais características são: 
Embrionário 
4-7 semanas 
- Desenvolvimento das células das vias aéreas condutoras e alvéolos a partir do endoderma, 
- Separação da traquéia e esôfago, 
- Início da formação da artéria e das veias pulmonares. 
Pseudoglandular 
7-16 semanas 
- Formação da via aérea condutora (23 a 27 gerações), 
- Vasos sanguíneos pequenos com pouco fluxo. Artérias pulmonares desenvolvem-se 
paralelamente à ramificação pulmonar, 
- Aparecimento dos linfáticos pulmonares, 
- Fechamento da cavidade pleuro-peritoneal. 
Canalicular 
17-26 semanas 
- Proliferação dos vasos sanguíneos, 
-Crescimento dos bronquíolos respiratórios, ductos alveolares, sacos alveolares e alvéolos, 
- Diferenciação dos pneumócitos tipo I e II, 
- Formação dos corpos lamelares nas células do tipo II, 
- Formação do liquido pulmonar, para canalização das vias aéreas, 
- Aproximação dos capilares com o epitélio \u2013 barreira hematogasosa. 
Sacular 
27-35 semanas 
- Aumento da superfície de troca gasosa, 
- Formação dos sáculos, 
- Crescimento da rede capilar, 
- Maturação do sistema surfactante. 
Alveolar 
36-gestação a 
termo 
- Aumento da superfície e volume pulmonar, 
- Redução do insterstício pulmonar, 
- Aparecimento dos poros de Konh, 
- Formação de 50 milhoes de alvéolos \u2013 3 a 4 m2 de ares de superfície gasosa. 
 
 
Figura 1. Estágios do desenvolvimento e crescimento pulmonar em humanos. 
 
 
 
 
 
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Na vida extra-uterina, o crescimento e desenvolvimento pulmonar caracterizam-se pela grande expansão da 
superfície de trocas gasosas. Estas mudanças estendem-se até os 8 anos de idade. (Miyoshi, 1998). 
 
2. Características anatômicas e funcionais do sistema respiratório infantil. 
As crianças apresentam uma anatomia bem diferente da dos adultos, não apenas pelo tamanho das 
estruturas, mas também por sua distribuição anatômica e maturidade fisiológica. Essas diferenças fazem com que as 
crianças sejam mais susceptíveis a desenvolver insuficiência respiratória aguda, por obstrução ao fluxo aéreo, fadiga 
muscular ou alterações na complacência e resistência pulmonar. 
Segue abaixo as principais características do sistema respiratório da criança. 
 
2.1 Estrutura anatômica das vias aéreas. 
Apesar do tamanho reduzido, a via aérea da criança é relativamente maior se comparada à via aérea de um 
adulto. A via aérea distal é relativamente mais estreita e não está totalmente formada na criança até 5 anos de idade, 
levando a um grande aumento na resistência da via aérea periférica nesta faixa etária. Doenças que no adulto 
apresentam pouca importância, como laringite, laringotraqueobronquite e bronquiolite, na criança podem levar a 
insuficiência respiratória aguda, por aumento do trabalho respiratório. 
Além do tamanho da via aérea, o suporte cartilaginoso da traquéia, essencial para a estabilidade da via aérea de 
condução, não se encontra totalmente desenvolvido na criança. Após o nascimento, esta cartilagem aumenta em 
número até os dois meses de idade e em área total durante toda infância. Esta relativa fraqueza do suporte 
cartilaginoso nos lactentes pode levar a uma compressão dinâmica da traquéia em situações associadas a um alto 
fluxo expiratório e aumento da resistência da via aérea, tais como: bronquiolite, asma, ou mesmo durante o choro 
(Kercsman, 1999). 
Outro fator importante é a respiração predominantemente nasal até o 6 mês de vida, devido à língua ser 
relativamente grande e a mandíbula relativamente pequena e arredondada, obstruindo a orofaringe e impossibilitando 
a respiração bucal. Assim, os recém-nascidos e lactentes estão susceptíveis a dificuldades respiratórias na presença 
de obstrução nasal ou nasofaríngea. Além disso, as narinas opõem uma resistência ao fluxo aéreo que corresponde de 
11 a 41% do total, não diminuindo com o crescimento. A criança maior e o adulto utilizam a boca como auxilio para 
respirar em situações de estresse, reduzindo esta resistência inicial (Malinowski, 2000). 
A mucosa das vias aéreas superiores do lactente, especialmente da laringe, é fina e facilmente traumatizada por 
processos mecânicos (intubação ou aspiração contínua), causando edema e obstrução nessas áreas. Em crianças 
maiores, os tecidos linfóide adenoideano e tonsilar são proeminentes e podem contribuir para a obstrução das vias 
aéreas (Kercsman, 1999; Esposito, 2005). 
 
2.2 Estrutura anatômica e funcional da caixa torácica. 
 
O formato do tórax se altera significativamente durante o desenvolvimento da criança. Ao nascimento, as costelas 
são cartilaginosas e horizontalizadas, e a caixa torácica mais circular que no adulto. O esterno é mais maleável, e a 
musculatura intercostal e abdominal pouco desenvolvidas.
Vinicius
Vinicius fez um comentário
nao da pra mexer em nada!!!!!!!!!!
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Ivan
Ivan fez um comentário
qual o título desse livro?
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