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TEORIA E PRATICA DO PARTIDO ARQUITETÔNICO

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arquitextos 134.00: Teoria e prática do 
partido arquitetônico
abstracts
português O termo projetação tem sido pouco usado no Brasil, mas é o termo que define a produção do 
projeto de arquitetura como um processo
 
how to quote
BISELLI, Mario. Teoria e prática do partido arquite-
tônico. Arquitextos, São Paulo, 12.134, Vitruvius, jul 
2011 <http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/
arquitextos/12.134/3974>. 
Muitos autores acadêmicos têm se debruçado re-
centemente sobre temas e termos correntes da ar-
quitetura na tentativa de compreender e explicar o 
processo de projetação. O aprofundamento recente 
destas pesquisas e reflexões tem produzido noções 
sempre mais didáticas e esclarecedoras, tanto para 
estudantes e professores como para arquitetos com 
interesses teóricos e mesmo para leigos e amantes 
da arquitetura.
A história é rica em exemplos do interesse em resu-
mir o projeto a um processo linear, possuidor de uma 
técnica de realização passo a passo, como montar 
uma máquina, como cultivar soja, primeiro isto, de-
pois aquilo e aquilo outro, e assim por diante numa 
seqüência de procedimentos idêntica a tantas outras 
técnicas e disciplinas inventadas pelo homem.
Escola Coreana 
Croquis de Mario Biselli 
Um aspecto interessante da atividade de projeto é 
justamente a quantidade de teorias, metodologias, 
manuais de procedimentos e técnicas as mais di-
versas da qual foi objeto historicamente. Mais in-
teressante ainda é observar que, embora partes do 
processo de produção do projeto possam estar su-
jeitas a uma seqüência de procedimentos, o processo 
inteiro jamais poderá se enquadrar neste modelo, 
e, portanto, as metodologias não se sustentam en-
quanto sistemas universais, embora seja obrigatório 
conhecê-las, pois a nenhum arquiteto é permitida 
a ignorância sobre a experiência acumulada que 
compõe a história da arquitetura.
O termo projetação tem sido pouco usado no Brasil, 
mas é o termo que define a produção do projeto 
de arquitetura como um processo. Este processo 
tem um momento crítico e imponderável que foge 
a qualquer metodologia, mesmo quando a projeta-
ção estava sujeita às regras da composição clássica. 
Este momento crítico é o momento que envolve as 
decisões relativas ao que conhecemos por partido 
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David Sperling
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arquitextos 134.00: Teoria e prática do partido arquitetônico
arquitetônico, termo que em outros lugares é tam-
bém conhecido como estratégia ou conceito.
Bienal de Arte de SP 
Croquis de Mario Biselli 
Para efeito desta reflexão usarei o termo partido ar-
quitetônico por ser o mais comum no Brasil e, creio, 
mais específico do campo da arquitetura do que 
estratégia ou conceito, os quais são muito comuns 
em outras áreas. Com base na experiência pode-se 
também dizer que “partido” é o termo comum à 
linguagem própria dos arquitetos, o assunto central, 
senão único, entre arquitetos no âmbito da produ-
ção, do julgamento de concursos de arquitetura, do 
ensino de projeto, das conversas informais. E não 
creio se tratar de um exagero cogitar a exclusividade 
do assunto, dado que em “partido” se compreende 
a discussão de aspectos como estratégia de implan-
tação e distribuição do programa, estrutura e re-
lações de espaço, todas elas questões centrais para 
os arquitetos. Outros temas relativos às atividades 
criativas – como composição, estilo, estética etc. – 
embora tenham sido objeto de interesse da teoria da 
arquitetura recentemente, são tratados no âmbito 
da prática com pudor e desinteresse, senão como 
meros epifenômenos.
A definição de partido arquitetônico, portanto, e 
as reflexões sobre seu significado, dado o interesse 
geral, tem sido tarefa de vários autores e todas elas 
contêm aspectos novos e esclarecedores. O exame 
destas definições é um primeiro objeto de meu in-
teresse.
Escola Cáritas 
Croquis de Mario Biselli 
Desde o período acadêmico até as primeiras defi-
nições modernas, o projeto de arquitetura tem sido 
descrito como resultado de um raciocínio lógico. Em 
Teoria e projeto na primeira era da máquina, Banham 
compara Guadet, para quem a composição era o 
tema perene, e Choisy, que enfatiza a construção, 
ambos teóricos da composição arquitetural, para 
quem a natureza lógica da concepção constitui o 
tema mais destacado:
“a forma como conseqüência lógica da técnica – 
que torna a arte da arquitetura sempre e em toda 
parte a mesma.
[Para Choisy] a essência da arquitetura foi sempre 
a construção, a função do arquiteto sempre foi esta: 
fazer uma avaliação correta do problema com que se 
deparava, após a qual a forma do edifício seguir-se-
ia logicamente dos meios técnicos a seu dispor” (1).
Autores modernos, como Carlos Lemos, também 
propõem definições fazendo uso dos termos “conse-
qüência” e “resultado”, nos quais uma idéia de lógica 
permanece implícita:
“A mencionada definição é a seguinte: Arquitetura 
seria, então, toda e qualquer intervenção no meio 
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arquitextos 134.00: Teoria e prática do partido arquitetônico
ambiente criando novos espaços, quase sempre com 
determinada intenção plástica, para atender a neces-
sidades imediatas ou a expectativas programadas, e 
caracterizada por aquilo que chamamos de partido. 
Partido seria uma conseqüência formal derivada de 
uma série de condicionantes ou de determinantes; 
seria o resultado físico da intervenção sugerida. Os 
principais determinantes, ou condicionadores, do 
partido seriam:
a. a técnica construtiva, segundo os recursos locais, 
tanto humanos, como materiais, que inclui aquela 
intenção plástica, às vezes, subordinada aos estilos 
arquitetônicos.
b. o clima.
c. AS condições físicas e topográficas do sítio onde 
se intervém.
d. o programa das necessidades, segundo os usos, 
costumes populares ou conveniências do em-
preendedor.
e. as condições financeiras do empreendedor dentro 
do quadro econômico da sociedade.
f. a legislação regulamentadora e/ou as normas so-
ciais e/ou as regras da funcionalidade” (2).
É certo que todo arquiteto defende seu projeto 
como um produto da aplicação da lógica face aos 
dados fornecidos para sua elaboração. Mas, em ar-
quitetura parece que temos uma lógica para cada 
projetista, pois se dependêssemos meramente da 
lógica, o processo seria universal e já não caberia 
qualquer preocupação sobre o assunto. Talvez, neste 
caso, a ação de projetar e construir já teriam sido 
integralmente resolvidos pela indústria, através de 
seus computadores e máquinas.
E o que se vê é justamente o contrário, há um claro 
incômodo a respeito – “Esa incómoda situación del 
partido”, afirma Corona-Martinez (3) –, sempre sur-
gem novas explicações e teorias, como se sempre 
mais estivéssemos interessados em desvendar um 
mistério, perscrutar as mentes criadoras para pôr 
às claras algo nebuloso, abrir uma “caixa preta”:
“Le Corbusier enfatizou ainda mais o uso da lógica 
matemática de Descartes ao dizer que o início do 
processo de criação é a definição da planta arqui-
tetônica, que por sua vez é a representação do pro-
grama arquitetônico (função da edificação). Assim, 
a projeção vertical da planta resultaria, segundo 
ele, nas paredes que por sua vez se tornariam vo-
lumes: linhas que se transformam em planos que 
se transformam em volumes; é a seqüência linear 
e crescente do raciocínio cartesiano.
Embora se saiba que Descartes ainda é apreciado 
nas escolas de arquitetura do Brasil para o

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