A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
5 pág.
RESUMO Antonio Gramsci   Caderno 22 Americanismo e Fordismo

Pré-visualização | Página 1 de 2

ANTÔNIO GRAMSCI – CADERNOS DO CÁRCERE – VOL. 4 - 
CADERNO 22: AMERICANISMO E FORDISMO 
 
§1º: Série de problemas que devem ser solucionados na rubrica 
Americanismo e Fordismo. 
O americanismo e fordismo resultam da necessidade imanente de chegar à 
organização de uma economia programática e que os diversos problemas 
deveriam ser os elos da cadeia que marcam a passagem do individualismo 
para a economia programática: esses problemas nascem das várias formas de 
resistência que o processo de desenvolvimento encontra em sua evolução, 
formas que provêm das dificuldades presentes da societas rerum e na societas 
hominum. As forças subalternas resistem, bem como algumas forças 
dominantes. 
Alguns dos problemas mais importantes: 
1) Substituição da atual camada plutocrática para um novo mecanismo de 
acumulação e distribuição de capital financeiro, baseado imediatamente na 
produção industrial; 
2) Questão sexual; 
3) Questão de saber se o americanismo pode constituir uma época histórica, se 
pode determinar um desenvolvimento gradual do tipo das revoluções passivas 
do séc passado ou se representa apenas uma acumulação molecular 
destinados a produzir uma explosão, uma revolução tipo francesa; 
4) Questão da racionalização da composição demográfica europeia; 
5) Questão de saber se o desenvolvimento deve ter seu pt de partida na 
indústria ou se pode ocorrer apartir de fora, pela construção de uma estrutura 
maciça e formal que guie os desenvolvimentos necessários do aparelho 
produtivo; 
6) Questão dos altos salários pagos pela indústria fordizada e racionalizada; 
7) Fordismo como pt extremo do processo de sucessivas tentativas da indústria 
em superar a lei tendencial da queda da taxa de lucro; 
8) Psicanálise como expressão do aumento da coerção moral exercida pelo 
aparelho estatal e social sobre os indivíduos e das crises mórbidas que esta 
coerção determina; 
9) Rotary club e maçonaria. 
§2º: Racionalização da composição demográfica europeia. 
Na Europa, as tentativas de introduzir o americanismo e fordismo se devem à 
camada plutocrática que pretende conciliar a estrutura social demográfica 
europeia e a forma moderníssima de produção e trabalho. Por isso o fordismo 
encontra muita resistência e ocorre sob brutal coerção. 
O americanismo exige uma composição demográfica racional, onde não 
existem classes numerosas sem função essencial no mundo produtivo. A 
civilização europeia, ao contrário, caracteriza-se pela existência de tais classes 
(...). Exemplifica com Nápoles, sua estrutura histórico social e a forma de 
exploração camponesa. Indica que outra forma de parasitismo é a de 
subsistência às custas do Estado. 
A composição da população italiana se degenerou por causa da emigração 
massiva de longo prazo e da escassa ocupação das mulheres, bem como por 
doenças endêmicas, desnutrição, desemprego endêmico em regiões agrícolas, 
e a massa de população parasitária. 
Isso ocorre na maioria dos países da Europa e na Índia e China. 
A América ñ tem grandes tradições históricas e culturais e nem classe parasita; 
isso favoreceu a indústria e o comércio e a racionalização do trabalho. 
Destruição do sindicalismo operário de base combinado com a persuasão de 
altos salários e benefícios sociais, hábil propaganda ideológica e política. 
As massas são a forma dessa sociedade racionalizada, na qual a estrutura 
domina mais imediatamente as superestruturas e elas são racionalizadas. 
Fala da fase de adaptação psicofísica à nova indústria. As reivindicações ainda 
são meramente por direitos corporativos profissionais. Ausência de 
homogeneidade nacional, miscigenação e negros. 
§3º: Questão sexual: Fala sobre os instintos sexuais que foram reprimidos e 
regulamentados. Que crimes sexuais ocorrem mais no campo e com maior 
“bestialidade”. A sexualidade como diversão e como reprodução: a mulher 
como reprodutora e como brinquedo. 
Questão econômica da reprodução: manutenção da população. 
Com as mudanças de hábitos as pessoas tem menos filhos, e surge uma 
divisão do trabalho que dá funções qualificadas e diretivas para nativos e não 
qualificadas para imigrantes. A baixa natalidade urbana exige contínuo e 
relevante gasto com o aprendizado de novos urbanizados e traz consigo uma 
permanente modificação da composição sociopolítica da cidade, colocando 
continuamente em novas bases o problema da hegemonia. 
Enquanto a mulher não tiver se emancipado as relações sexuais continuarão 
mórbidas e as inovações legislativas exigirão cautela. Fala como os instintos 
sexuais no fordismo foram racionalizados de forma a criar uma aparência 
puritana para as famílias. 
§4º: Super-regionalismo e supercosmopolitismo: Cita trechos de outros autores 
e discorre brevemente sobre as formações territoriais italianas, em especial de 
cidades e regiões pelo processo econômico. 
§5º: Eugenio Giovannetti sobre Federico Taylor: Considera-se o americanismo 
como mecanicista, ação (racionalizada) contraposta à tradição (filosófica). 
§6º: Autarquia financeira da indústria: Fala de um artigo de Carlo Pagni sobre 
livro de Massimo Fovel que não destaca a compreensão de corporativismo 
como premissa para introdução na Itália dos + avançados sistemas americanos 
do modo de produzir e trabalhar. Crítica e breve biografia de Fovel. 
Significativo na tese de Fovel é a sua concepção de corporação como bloco 
industrial-produtivo autônomo, destinado a resolver em sentido moderno e 
capitalista o problema do ulterior desenvolvimento do aparato econômico 
italiano contra os elementos semifeudais e parasitários da sociedade que se 
apropriam de uma parcela excessivamente vultuosa da mais valia contra os 
produtores de poupança. Fovel negligencia a função econômica que o Estado 
sempre teve na Itália pela desconfiança dos poupadores qt a indústria, bem 
como o fato de que o corporativismo surgiu de uma política econômica 
desencadeada pela crise de 1929. 
Outras questões sobre o corporativismo: ele já existia em bases jurídicas sem 
que os operários pudessem se opor. Discorre um pouco sobre as condições 
para o americanismo: sociedade estruturada, Estado liberal em regime de 
concentração industrial e monopólio. O corporativismo surge para defender 
interesses das classes médias e se mantem na defesa das velhas classes 
parasitárias. 
§7º: Mino Maccari e o americanismo: (...) 
§8º: Quantidade e qualidade: Na produção, só interessa a satisfação das 
necessidades mais básicas da classe popular; o resto é romantismo. No país 
com muita mão de obra e pouca matéria prima, o imperativo é qualidade, e 
trabalha-se a matéria prima ao extremo. No país com muita matéria prima, são 
possíveis orientações qualitativas e quantitativas, mas isso não se aplica a 
países pobres. A qualidade deve ser atribuída às pessoas e ñ às coisas. O 
preço caro do pão para fazer + pessoas precisarem se submeter a trabalho de 
subsistência gera desnutrição. 
§9º: Resenha de Pietri Tonelli sobre “Woman vindication”: P. T. aduz que 
movimentos pelas mulheres fazem perder confiança na classe dirigente. 
Tentativa de regulamentar a questão sexual que gera desvios mórbidos e gera 
para as mulheres de classes altas uma posição social paradoxal. 
§10º: Animalidade e industrialismo: O industrialismo é uma tentativa de 
domesticação humana. Em todas as fases do desenvolvimento humano se 
verifica a exploração das massas trabalhadoras, surgindo ideologias puritanas 
que funcionam como forma de coerção moral às massas. Crise sexual violenta 
depois da guerra por causa do desequilíbrio entre os gêneros e a novas formas 
desiguais de trabalho – que exigiam rígida repressão dos instintos sexuais e 
discurso familiar. 
Critica