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TRATAMENTO EM CÃES E GATOS COM DERMATITE ALÉRGICA POR PICADA DE PULGA

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muito mais fina nos animais, do 
que em humanos (SOUZA, et al., 2009). 
Citologicamente a pele é composta por duas camadas distintas: a epiderme e 
a sua subjacente e mais profunda, a derme. As duas camadas são separadas pela 
membrana basal epitelial, que pode possuir invaginações e evaginações em 
algumas espécies (COLVILLE; BASSERT, 2010). 
 
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2.2.1. Epiderme, derme e hipoderme 
 
A epiderme é a camada mais externa e impermeável, formada por um epitélio 
escamoso estratificado queratinizado, avascular, sendo nutrida pelo fluido intersticial 
a partir da derme adjacente (COLVILLE; BASSERT, 2010). 
A sua renovação é constante, na qual as células se desfazem em flocos e são 
repostas pela divisão de células da camada mais profunda. Ao se acumularem na 
superfície a camada de estrato córneo passam por uma série de modificações que 
levam a sua descamação. A epiderme é recoberta por pelos e constituída de quatro 
camadas: o estrato córneo, estrato granuloso, estrato espinhoso e estrato basal 
(FEITOSA, 2008; MCGAVIN; SOUZA, et al., 2009; ZACHARY, 2009; LESNAU, 
2013). 
A derme é composta por tecido conjuntivo fibroelástico denso e uma 
substância amorfa formada por glicosaminoglicanos que sustenta os folículos 
pilosos, glândulas, vasos e nervos. Geralmente é subdividida em camada superficial 
e profunda (MCGAVIN; ZACHARY, 2009; COLVILLE; BASSERT, 2010). 
A derme superficial se adapta ao contorno da epiderme e sustenta a porção 
superior do folículo piloso e glândulas sebáceas, enquanto a derme profunda 
sustenta a porção inferior dos folículos pilosos e das glândulas apócrinas 
(MCGAVIN; ZACHARY, 2009). 
 
 
2.3. Ctenocephalides spp 
 
As pulgas são ectoparasitas que em sua fase adulta são hematófagos 
pequenos, sem asas. Dentro da família Pulicidae da ordem Siphonaptera, o 
gênero Ctenocephalides, inclui várias espécies e subespécies, mas apenas duas 
são as mais comuns, a pulga Ctenocephalides canis e a pulga do 
gato Ctenocephalides felis felis. A C. felis felis é mais adaptável do que C. canis, 
uma vez que infesta mais espécies de hospedeiros e com isso infecta regiões do 
corpo (LINARDI; SANTOS, 2012). 
São insetos achatados lateralmente, de coloração entre o marrom escuro e 
médio, sem asas, visíveis a olho nú, sem delimitação clara entre as partes do corpo 
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(cabeça, tórax e abdômen) e com o terceiro par de pernas bem desenvolvidos para 
o salto (OLIVEIRA, et al., 2008). 
Embora as duas espécies de Ctenocephalides possam ocorrer na mesma 
região geográfica brasileira e infestar a mesma espécie hospedeira, C. felis felis é 
mais importante na transmissão de doenças e já mostrou resistência a inseticidas 
(LINARDI; SANTOS, 2012). 
 A pulga do gato Ctenocephalides felis é a espécie de pulga mais comum que 
infesta cães e gatos. A C. felis se muda para uma espécie diferente de hospedeiro, 
se o hospedeiro preferencial estiver inacessível. Esta pulga também é vetor de 
alguns patógenos zoonóticos como Bartonella henselae. Também serve como 
hospedeiro intermediário do nematoide filarídeo de cães, Acanthocheilonema 
reconditum e outras espécies o- utilizam como hospedeiro intermediário como o 
Dipylidium caninum e Hymenolepis nana (OLIVEIRA, et al.,2008; LINARDI; 
SANTOS, 2012; COELHO, et al., 2015; WHITE, et al., 2017). 
 
 
2.3.1 Ciclo Reprodutivo da Pulga 
 
A pulga adulta passa toda a sua vida no seu hospedeiro, migrando de um 
animal para outro ou até mesmo para os humanos. Para sua reprodução, a fêmea 
realiza a hematofagia e após isso faz a ovopostura entre os pelos dos animais, que 
depois cairão no ambiente. Após a eclosão as larvas passarão por três estágios e se 
alimentarão de debris, fezes de outras pulgas e restos de comida. Ao final do último 
estágio as larvas formarão o casulo pupal, ficando aderidas ao ambiente e após isso 
emergem as pulgas adultas, que irão procurar um hospedeiro (Figura 01 BERSTEIN, 
2004; MENDONÇA, 2007; ALVES, 2012). 
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Figura 1- Ciclo evolutivo da pulga 
Fonte: BOWMAN, 2010. 
O ciclo de vida da pulga dura em torno de 16 dias e a temperatura de eclosão 
dos ovos são de 26°C e 32°C, para o início da pupação e emergência de novos 
adultos deve estar entre 23° C a 25° C e com umidade relativa de 70 a 90 %. A vida 
de uma pulga adulta também depende da umidade e temperatura ambiental, 
podendo variar de 12 a 113 dias (BERSTEIN, 2004; MENDONÇA, 2007). 
 
 
2.4. Sinais Clínicos 
 
Os sinais clínicos são variados, apresentando prurido, de moderado à intenso 
e fezes de pulga na superfície da derme. Em cães verificam-se lesões 
dermatológicas na cauda, dorso, coxas, abdômen e pescoço. Pode haver lesões 
secundárias devido ao prurido, na forma de feridas com secreção sanguinolenta, 
crostas, escoriações e alopecia (Figura 2 e 3 ALVES, 2012; HNILICA, 2012; 
BERSTEIN, 2004). 
 
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Figura 2- Alopecia na região lombar e base da cauda de um cão alérgico a saliva da pulga 
Fonte: HNILICA, 2012 
 
 
Figura 3- Alopecia em gatos, causada por alergia a picada da pulga 
Fonte: HNILICA, 2012 
 
Os gatos podem desenvolver diferentes reações, como a dermatite miliar e 
alopecia bilateral simétrica, resultantes da lambedura excessiva, ou lesões do 
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Complexo Granuloma Eosinofílico Felino (CGEF), como a úlcera indolente, placa 
eosinofílica e granuloma eosinofílico (ALVES, 2012). 
 Mais comum é a ocorrência em meses quentes e no outono. Quando a 
infestação ocorre em ambientes fechados, a DAPP pode não ser sazonal 
(BIRCHARD, et al., 2008). 
 
 
2.5. Diagnóstico 
 
O diagnóstico é realizado pelos sinais clínicos, presença de pulgas e fezes 
destas. Também podem ser feitas raspagens cutâneas, observações com a 
Lâmpada de Wood (doença secundária), provas da fita adesiva e testes sorológicos 
de hipersensibilidade são bastantes sensíveis, mas são pouco específicos 
(MULLER, et al., 1985). 
 Importante enfatizar que deve ser feito o diagnóstico diferencial de doenças 
com sinais clínicos semelhantes como dermatites por Malassezia sp e 
hipersensibilidade alimentar, medicamentosa e endoparasitas (RISTOW, 2012). 
 As alopecias são encontradas geralmente em área lombossacral, 
caudodorsal, abdomen e flancos. As lesões incluem erupções pruriginosas, crostas 
e pápulas, com eritema secundário, alopecia, seborreia, escoriações, piodermite, 
hiperpigmentação e liquenificação (HNILICA, 2012). 
 
 
2.6. Tratamento clínico 
 
O tratamento é deve ser feito conforme os sinais clínicos do animal e 
objetivando principalmente o controle das pulgas. Dessa forma, é necessário o 
tratamento do local onde os animais permaneçam a maior parte do tempo com 
inseticidas e inibidores de crescimento de insetos (HNILICA, 2012). 
O local onde o animal dorme deve ser tratado com Fipronil ou talcos a base 
de Piretrinas. Todo o ambiente deve ser tratado com Piretrinas. Deve-se reaplicar o 
produto dentro de 1-2 semanas para atingir os adultos emergentes. O animal deve 
receber banhos com xampu manipulados ou hipoalergênicos comerciais a cada 3 a 
7 dias (CRIVELLENTI, 2012). 
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Para o controle de prurido podem ser utilizados anti-histamínicos, como 
hidroxizine na dose de 2-3 mg/kg, BID ou TID, VO (cães e gatos) e clemastina 0,05-
0,1 mg/kg, VO, BID (cães), ou corticosteroides como a Prednisona 0,5 - 1,0 mg/kg, 
VO, a cada 12 horas por 5-7 em cães e para gatos 1 mg/ kg a cada 12 horas, por via 
oral (CRIVELLENTI, 2012; ANDRADE, 2008). 
 
 
2.7. Controle de ectoparasitas nos animais 
 
 Durante a alimentação é que as pulgas injetam os alergénos. Por este 
motivo, é importante que o produto utilizado