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AULA 1   O REAL, O SIMBÓLICO E O IMAGINÁRIO NA ALIMENTAÇÃO   Historia e antropologia da nutrição

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O REAL, O SIMBÓLICO E O IMAGINÁRIO NA ALIMENTAÇÃO
ASPECTOS SIMBÓLICOS DA ALIMENTAÇÃO E OS SIGNIFICADOS DOS ALIMENTOS NAS PRÁTICAS DE ALIMENTAÇÃO
Prof. Maria Cecília Santos 
Hábitos alimentares: 
“Tipos de escolha e consumo de alimentos por um indivíduo, ou grupo, em resposta a influências fisiológicas, psicológicas, culturais e sociais”(Dutra, 2001). 
A Cultura Alimentar
 O homem evoluiu e sofisticou-se também seus hábitos alimentares. A história da alimentação do homem e a história sociopolítica se complementam durante a sua evolução. Do homem das cavernas até o contemporâneo, a necessidade alimentar é um dos fatores básicos de sobrevivência, sendo também indispensável a uma qualidade de vida satisfatória. 
 A alimentação é um tema de interesse e preocupação política em todo planeta. Garantir comida em quantidade e qualidade suficiente para todos os seres é um dos maiores desafios do homem.
CULTURA ALIMENTAR
 Faz parte de um SISTEMA SIMBÓLICO – conjunto de mecanismos: crenças, religião, planos, receitas, regras e instruções que fazem parte do comportamento humano.
 Nossos hábitos alimentares fazem parte de um sistema cultural repleto de símbolos, significados e classificações, de modo que nenhum alimento está livre das associações culturais.
 Cultura alimentar é constituída pelos hábitos alimentares e tradição.
 As características visuais, como a cor, forma e aparência, afetam a aceitabilidade e as preferências alimentares, pois configuram aspectos do SIMBOLISMO ALIMENTAR. 
 Gostos, hábitos, tradições culinárias, preferências, ritos, tabus – ASPECTO SIMBÓLICO DA ALIMENTAÇÃO. 
 
CULTURA ALIMENTAR
 O arroz e o feijão são traços de nossa identidade nacional, pois são consumidos diariamente, de norte a sul do país, por milhões de brasileiros. 
Regionalmente, há alimentos que funcionam como demarcadores regionais:
 Churrasco – Gaúcho
 
 Acarajé, abará, caruru, vatapá – Baianos
Pão de queijo - Mineiro
CONCLUSÃO
 Os diferentes usos de cada um dos alimentos, sua composição, suas combinações, a hora e o número de refeições diárias, tudo está codificado de um modo preciso. Isso influi na eleição, preparação e consumo dos alimentos, sendo um resultado de um processo social e cultural cujo significado e razão devem ser buscados na história de cada sociedade e cultura.
 Todos os homens são aptos para receber um programa, e a este programa chamamos “cultura”, segundo Geertz e Schneider.
CONCLUSÃO
 OS SIGNIFICADOS DOS ALIMENTOS NAS PRÁTICAS DE ALIMENTAÇÃO
 O alimento básico, desde a REVOLUÇÃO NEOLÍTICA, são alguns grãos, que domesticados, passaram a ser cultivados:
 TRIGO, ARROZ E MILHO
→ advento da agricultura → GRÃOS
“Plantas-civilização” – são civilizações que se resumem ao domínio de uma única planta. 
 vinha - gregos
 cacau – astecas
 coca – índios andinos
 chá – chineses
 Curry (ou caril) – indianos
 SAL → UNIVERSAL – indispensável para consumo humano – acompanha cereais e carnes – necessidade orgânica, condimento e conservante.
Pode ser obtido pela evaporação da água do mar.
 
 --- Principais regiões produtoras: 
Nas costas dos litorais; Europa Central; Planaltos andinos (extração de superfícies salinas)
 --- Seu comércio é um dos mais antigos – foi levado das regiões produtoras para as demais; serviu de “moeda” em muitas regiões
 No Império Romano – o sal servia para pagar os soldados --- gerando o termo atual “salário”
“Gabela” (monopólio do sal)
 Mecanismos fiscais de extorsão
Como forma de controle político muitos governos criaram monopólios sobre o comércio do Sal.
SAL e ÁGUA → minerais básicos da nossa alimentação. 
 
→ Plantas identificadas como base da alimentação total (80%) em todas as épocas:
 ---cereais : trigo, arroz , milho , cevada,centeio, aveia
 ---tubérculos: batata, mandioca, batata-doce, inhame
 ---arbustos: tamareira, oliveira, vinha
 ---árvore: bananeira
 ---gramínea: cana-de-açúcar
→ Mediterrâneo: foi o grande vetor da difusão de quase todas elas.
 
 Expansão da humanidade: deveu-se a capacidade de se obter o máximo de alimentos no menor território possível - A ocupação espacial dos territórios estaria condicionada a capacidade de se produzir alimentos.
 A aptidão para produzir alimentos que proporciona as densidades populacionais.
→ TRIGO: A mais antiga das cultivadas (6000 a.C.)
+ importante comércio antes da era industrial.
Nos meios dos trigais surgiram a cevada, centeio e aveia, na Ásia Menor 
---pão branco - alimento + típico da cultura mediterrânica, até 1750 caracterizou-se como modelo dietético das elites.
---nível de vida – medido de acordo com as flutuações do preço do trigo.
APARECIMENTO DE FORNOS E MOINHOS
CENTEIO: utilizado para produção do pão preto para os povos bárbaros, nórdicos e pobres.
 ---cereal + importante da cultura alimentar da Europa do Norte (base do uísque e da vodca) 
→ ARROZ: Originou-se em 2000 a C na Indochina (China, Vietnan e Coreia). Foi cultivado em solo seco e após inundado. Transformando-se em cultura de mais alta rentabilidade por hectare até a época moderna. 
→ MILHO: originário das Américas (México, e mais tarde do Peru)
 -cultura altamente rentável – uso só da enxada e poucos dias de trabalho, dispensando grande mão de obra da parte agrícola.
 Terceiro cereal mais importante do mundo.
BATATA: originária dos Andes peruanos e cultivada pelos povos das Américas. 
Antes da chegada de Colombo , a população americana, se alimentavam basicamente do milho, batata, batata-doce e mandioca.
 MANDIOCA: com a mais alta rentabilidade por hora de trabalho agrícola. Foi a planta mais importante das populações litorâneas da América do Sul.
 Plantas principais que foram domesticadas --- banana, cana, inhame, couve, abóbora, alface, salsa, chicórea, alho, vinha , trigo – sarraceno, arroz, milho, batata, batata-doce, mandioca e sorgo.
 A produtividade da agricultura é maior que a da criação de animais.
 
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 O consumo carnívoro restringia-se às elites.
 
 Séc. XVI ----- animais eram preparados para serem comidos na forma “inteiriça”; a partir daí (época moderna) o aspecto corpóreo da comida passou a ser “escondido”, picado em meio a molhos espessos.
 
 
 A maior contribuição alimentícia dos animais foi o fornecimento de leite e seus derivados, além de ovos de aves e peixes.
Os orientais são pouquíssimo carnívoros. Os japoneses são ictiófagos (comedores de peixe)
Os indianos são totalmente vegetarianos.
Os chineses comem todas as carnes, como de cães.
A Europa valorizou extremamente a alimentação carnívora e promoveu a criação de rebanhos caprinos, ovinos e bovinos.
→ Conservação das carnes - no final de sec.
 XV ---- métodos de salga - abastecer 
 as tripulações em alto-mar e transporte 
 de peixes (pesca tinha grande atividade)
 --- bacalhau - (sec.XVIII – constituia 
 60% da pesca francesa)
 --- baleias – indústria de óleo e sabão
 --- sardinhas, atum e outros ---
 expansão da navegação moderna 
→ Europa católica - 166 dias de jejum religioso de abstenção de carne e ovos--- dentro deles 40 dias (quaresma) de jejum rigoroso ---- fundamental o uso de peixe seco e salgado (carpas, salmões, caviar, atum, lula, polvo, arenque) --- supriam as necessidades proteicas.
Trazido pelos árabes da Índia, era usado desde a Idade Média na Europa.
Usado para adoçar as bebidas

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