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O Príncipe MAQUIAVÉL

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mais eficaz de dominar territórios que antes eram repúblicas.
Para Maquiavel, conquistar principados com as próprias habilidades é difícil, mas mantê-los é bem menos complicado. Mas aqueles Estados que vêm fácil. Ele discute nesse capítulo a questão da sorte e da virtude do príncipe, o qual deve possuir ambas, pois nenhum grande conquistador até hoje conseguiu nada só com uma delas, mas, se tiver que escolher, o melhor é ter virtude para não precisar pedir favores a terceiros que o irão cobrar depois.
Se um príncipe não tem competência própria para adquirir um governo pelas suas próprias armas, deverá depender da fortuna de receber recursos, reinos, territórios etc. de outros. Aqueles que se tornam líderes por sorte:
(…) não encontram nenhuma dificuldade pelo caminho porque atingem o posto a vôo; mas toda sorte de dificuldades nasce depois que aí estão. São aqueles aos quais é concedido um Estado, seja por dinheiro, seja por graça do concedente (…)
Isso acontece porque quem depende dos favores dos outros um dia deverá retribuí-los. Assim, o homem vira um escravo sem vontade. Quem governa não é ele, mas seus ajudantes [alguém ai acha diferente da política atual?].
Duas são as formas não convencionais identificadas por Maquiavel para que um homem torne-se príncipe: Por meio de atividades criminosas. Por meio da vontade do povo. Nesse capítulo, ele fala da primeira forma. Como exemplo dos imperadores que obtiveram poder por meio do crime, ele cita Oliverotto de Fermo e Agátocles da Sicília. Ambos reuniram um grande número de pessoas importantes para assassiná-las e tornarem-se dominadores. Agátocles:
(…) reuniu certa manhã o povo e o senado de Siracusa como se tivesse de deliberar sobre assuntos pertinentes à República e, a um sinal combinado, fez que seus soldados matassem todos os senadores e os mais ricos da cidade (…)
No entanto, Maquiavel assevera que Agátocles, apesar de ter sido uma pessoa má e cruel no início, foi um governante bom para seu povo ao longo do tempo e, com isso, conseguiu ser temido, mas não odiado. Maquiavel então finaliza:
Portanto, as ofensas devem ser feitas todas de uma só vez, a fim de que, pouco degustadas, ofendam menos, ao passo que os benefícios devem ser feitos aos poucos, para que sejam melhor apreciados.
Aqui, Maquiavel trata do outro meio pelo qual alguém chega ao poder, qual seja, pela aprovação do povo. Aqui ele distingue duas tendências: o povo não quer ser mandado nem oprimido pelos poderosos e estes querem governar e oprimir o povo. Disso resulta três efeitos: ou principado, ou liberdade ou desordem.
Resumindo, o ele deverá, se possível, chegar ao poder pelo favor do povo, porque são pequenos se comparados aos poderosos que não o deixaria governar. Além disso, não é possível satisfazer os grandes, mas o povo é fácil de agradar.
Deve, pois, alguém que se torne príncipe mediante o favor do povo, conservá-lo amigo, o que se lhe torna fácil, uma vez que não pede ele senão não ser oprimido.
Nesse capítulo do livro O Príncipe, resumido ao máximo, Maquiavel propõe um método para determinar o quão forte um principado pode ser. Se pode defender-se por si próprio ou se necessita de ajuda externa.
Para ele, os capazes de se defenderem são aqueles que possuem um forte exército e que lida diretamente com os ataques inimigos. Já aqueles que necessitam de ajuda externa, são os que, por não terem um exército muito forte, refugiam-se atrás das muralhas da cidade.
Assim, os monarcas que têm uma boa fortificação e não são odiados pelos súditos, mesmo não possuindo uma multidão de combatentes, serão sempre atacados com temor pelos seus inimigos, que voltarão para casa com vergonha (se voltarem).
Como um modelo, cita as cidades alemãs, que, apesar de pequenas, são tão preparadas a ponto de não temerem nem mesmo o imperador.
Nesse capítulo, Maquiavel descreve os principados eclesiásticos, fáceis de manter, mas difíceis de adquirir. Eles são fáceis de manter porque é a única espécie de domínio onde os súditos não são governados e ninguém o defende.
Assim, por ser um Estado indefeso, ninguém o ataca. Os súditos por não serem governados “não se preocupam, não pensam e não podem separar-se dele”.
Em um breve resumo, com passagens sucintas, Maquiavel fala sobre como a igreja não conseguiu aumentar sua influência por conta da força política e militar das outras facções até a eleição do Papa Alexandre VI, que, segundo ele, finalmente conseguiu ultrapassar o poder dos outros reinos e expandir o seu domínio.
O assunto desse capítulo é a forma como o príncipe organiza suas forças militares. Como sempre, Maquiavel começa já classificando os diversos tipos de forças militares: Nativas: São as tropas comandadas e treinadas pelo próprio chefe; Mercenárias: São as tropas, que possuem seu próprio treinamento e suas próprias regras, contratadas pelo lorde para determinado trabalho; Auxiliares: São, basicamente, as tropas nativas de outros Estados. Compostas: São uma mistura de duas ou mais das anteriores.
A crítica de Maquiavel recai sobre os exércitos mercenários, que são desleais, covardes e, sobretudo, caros. De acordo com ele, nenhum homem se vê compelido a morrer por dinheiro, abandonando a batalha por medo. Assim, sem um sentimento que o vincule à causa, provavelmente, esses soldados não ariscarão suas vidas.
 	Este capítulo trata mais das tropas auxiliares, ou seja, das tropas nativas de outros Estados. Assim como há uma crítica quanto às tropas mercenárias, que pode ser visualizada no capítulo anterior, há também uma crítica quanto às tropas auxiliares.
Maquiavel não critica tanto as características das tropas auxiliares. O problema reside no fato de que, quando o monarca requisitá-las, ficará em débito com o Estado que o ajudou. Além disso, ao chamá-las, pode ficar a mercê de tropas bem equipadas e bem maiores do que a dele.
Obs: Maquiavel utiliza alguns exemplos históricos para comprovar suas teorias. Mas eu estou tentando trazer somente aqueles mais importantes para que esse resumo do livro o Príncipe não fique muito extenso.
Maquiavel começa então a sintetizar as habilidades que um comandante de estado deve possuir. Para ele, se o governante não tiver como adquirir nenhuma outra habilidade, que, pelo menos, possa treinar seus conhecimentos. Os conhecimentos sobre a guerra devem ser praticados sempre por ele. São vários os que ele deve exercitar, dentre os quais: Caçar para conhecer seus territórios; Discutir sempre com seus conselheiros os planos de batalha e os possíveis cenários de uma guerra; Ler história militar para saber como seus antepassados conseguiram obter a vitória ou quais os erros que cometeram para serem derrotados, implementando tudo isso em seus planos.
Deve, pois, um príncipe não ter outro objetivo nem outro pensamento, nem tomar qualquer outra coisa por fazer, senão a guerra e a sua organização e disciplina, pois que é essa a única arte que compete a quem comanda.
O autor então começa a descrever as características que um príncipe deve ter. Para isso, analisa atributos e ações que fizeram com que governantes passados fossem exaltados ou culpados. De um modo geral, diz que eles devem evitar possuir qualquer característica que possa por seu poder em risco.
Visto que é impossível para um ser humano possuir todos os bons atributos, de modo que seja um homem totalmente virtuoso, deve evitar aqueles que ponham o seu posto em risco.
Além disso, ninguém pode procurar somente a virtude. Às vezes, algo aparentado de vício consegue salvar o reino, enquanto algo aparentado de virtude pode condená-lo.
No capítulo XVI, Maquiavel discute em que medida um príncipe pode ser generoso ou parcimonioso. Para ele, não deve ser generoso demais, principalmente à vista de todos, já que, se conhecida sua liberalidade, quando não tiver mais dinheiro para dispor, deverá reduzir os gastos. Ao diminuir os gastos, mesmo que só um pouco, será taxado de miserável pelo povo.
Mas, se, ao invés disso, continuar gastando desmesuradamente, terá que aumentar os tributos.

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