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AIA APOSTILA DA DISCIPLINA

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Disciplina: Avaliação de Impacto Ambiental Professor: Sydney Sabedot 
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PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS 
AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL - AIA 
 
1. INTRODUÇÃO 
Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) deve ser compreendida como instrumento de 
planejamento, isto é, como uma atividade técnico-científica que tem por finalidade identificar, 
prever e interpretar os efeitos de uma determinada ação humana sobre o ambiente. Ao mesmo 
tempo, a AIA pode ser considerada como procedimento que se insere no âmbito das políticas públicas. 
Nesse sentido, ela se caracteriza por um conjunto de procedimentos que englobam: a seleção de ações 
ou projetos que devem ser submetidos à AIA; a elaboração de termos de referência (TR); a elaboração 
do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o consequente Relatório de Impacto Ambiental (RIMA); a 
revisão técnica do EIA/RIMA realizada pelo órgão ambiental; a Audiência Pública; a decisão quanto 
à aprovação do empreendimento; o plano de monitoramento; e as auditorias ambientais periódicas 
(Sanchez, 1995). Nesta disciplina, a AIA vai ser contextualizada como uma atividade técnico-
científica, na qual serão enfatizados os aspectos práticos do processo, bem como os teóricos inter-
relacionados. 
São objetivos da AIA: i) assegurar que considerações ambientais sejam explicitamente 
abordadas e incorporadas ao processo de decisão sobre o desenvolvimento; ii) antecipar e evitar, 
minimizar ou compensar os significativos efeitos adversos sobre os meios físico, biótico e antrópico, 
e outros relevantes efeitos de propostas de desenvolvimento; iii) proteger a produtividade e a 
capacidade dos sistemas naturais e dos processos ecológicos para que mantenham as suas funções 
ambientais; iv) promover o desenvolvimento sustentável; otimizar o uso dos recursos e gerenciar 
oportunidades. 
 
2. ORIGENS E FUNDAMENTOS 
Os fundamentos do processo de AIA foram estabelecidos nos Estados Unidos, em 1969, 
quando o Congresso aprovou a National Environmental Policy of Act (NEPA), em resposta às 
pressões crescentes da sociedade organizada para que os aspectos ambientais passassem a ser 
considerados na tomada de decisão sobre a implantação de projetos capazes de causar significativa 
degradação ambiental (Dias, 2001). Este instrumento legal dispunha sobre os objetivos e princípios 
da política ambiental americana, exigindo, para todos os empreendimentos com potencial impactante, 
a observação dos seguintes pontos: identificação dos impactos ambientais, dos efeitos ambientais 
negativos da proposta, das alternativas da ação, da relação entre a utilização dos recursos ambientais 
em curto prazo e a manutenção ou mesmo melhoria do seu padrão a longo prazo e a definição clara 
quanto a possíveis comprometimentos dos recursos ambientais, para o caso de implantação da 
proposta (Moreira, 1985). 
De acordo com Dias (2001), os problemas ambientais associados ao desenvolvimento 
econômico não eram privativos dos Estados Unidos, e a concepção da AIA, formalizada no NEPA, 
difundiu-se mundialmente nos anos 80, sofrendo adaptações em diferentes níveis para ajustar-se ao 
sistema de governo de cada país, região ou governo local em que foi introduzida. Mesmo em locais 
onde a AIA não está prevista na legislação, este instrumento tem sido aplicado por força das 
exigências de organismos internacionais. Esse avanço tem como denominador comum a ampliação 
 
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do caráter participativo da AIA, com a inserção do público em diferentes fases do processo de 
avaliação e uma maior transparência e efetividade da ação administrativa (Absy et al.,1995). 
Atualmente, fazem uso da AIA todos os principais organismos de cooperação internacional, 
como os órgãos setoriais da Organização das Nações Unidas (ONU), o Banco Mundial (BIRD) e o 
Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), entre outros (Moreira, 1985). 
No Brasil, diferentemente dos países desenvolvidos que implementaram a AIA em resposta a 
pressões sociais e ao avanço da consciência ambientalista, ela foi adotada devido às exigências dos 
organismos acima citados, que financiaram grandes projetos desenvolvidos em fins da década de 70 
e início dos anos 80, como as usinas hidrelétricas de Sobradinho (BA) e Tucuruí (PA) e a construção 
do complexo Estrada de Ferro Carajás/Terminal Porto Ponta da Madeira (MA), para a exportação do 
minério de ferro extraído da Serra dos Carajás. Os estudos ambientais correspondentes foram 
realizados segundo as normas das agências internacionais, porque o Brasil ainda não dispunha de 
normas ambientais próprias, as quais surgiram com a Resolução 001/86, do Conselho Nacional do 
Meio Ambiente (CONAMA). 
A institucionalização da AIA no Brasil guiou-se pela experiência americana, face a efetividade 
dos estudos de impacto ambiental e as políticas no NEPA; o correspondente ao NEPA americano, no 
País, é a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), cujas diretrizes foram estabelecidas pela Lei 
Federal 6.938/81 e seu respectivo Decreto 88.351/83, instrumento legal que seria substituído 
posteriormente pela Lei Federal 7.804/89 e seu respectivo Decreto 99.274/90. 
 
3. A AIA COMO INSTRUMENTO DA POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE 
 De acordo com Absy et al. (1995), a PNMA tem por objetivo a preservação, melhoria e 
recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao 
desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da 
vida humana, atendidos os seguintes princípios: 
I. ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, considerando o meio ambiente 
como um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o 
uso coletivo; 
II. racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar; 
III. planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais; 
IV. proteção dos ecossistemas, com a preservação de áreas representativas; 
V. controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente poluidoras; 
VI. incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional e a proteção 
dos recursos ambientais; 
VII. acompanhamento do estado da qualidade ambiental; 
VIII. recuperação de áreas degradadas; 
IX. proteção de áreas ameaçadas de degradação; 
X. educação ambiental a todos os níveis de ensino, incluindo a educação da comunidade, 
objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente. 
Para a consecução dos objetivos e o atendimento dos citados princípios, a Lei Federal 6.938/81 
prevê a AIA e uma série de instrumentos complementares e inter-relacionados, como o 
Licenciamento Ambiental (com a elaboração do EIA/RIMA), o Zoneamento Ambiental, que na 
 
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atualidade é denominado Zoneamento Ecológico-Econômico, os Cadastros Técnicos e os Relatórios 
de Qualidade Ambiental, entre outros. 
A Resolução CONAMA 001/86 estabeleceu as definições, as responsabilidades, os critérios 
básicos e as diretrizes gerais para uso e implementação da AIA como um dos instrumentos da PNMA. 
Em seu Artigo 1°, considera impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, 
químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante 
das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam: 
I. a saúde, a segurança e o bem-estar da população; 
II. as atividades sociais e econômicas; 
III. a biota; 
IV. as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; 
V. a qualidade dos recursos ambientais.