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Apostila Concreto I

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submetido à ação da 
água.[10] O clínquer é o seu principal elemento (Figura 2.3), um material obtido da mistura de rocha 
calcária britada e moída e argila, e eventuais corretivos químicos, submetida a calor intenso de 1.450°C e 
posterior resfriamento, formando pelotas (o clínquer). A moagem do clínquer, adicionado de 3 a 5 % de 
sulfato de cálcio com o objetivo de regular o tempo de pega, origina o cimento Portland comum.[11] 
 Quando outras matérias-primas (adições) são adicionadas ao clínquer no processo de moagem, são 
modificadas as propriedades e originados diferentes tipos de cimento, os cimentos Portland 
compostos.[11,12] As principais adições são o gesso, o filer4 calcário, a escória de alto-forno5 e os materiais 
pozolânicos e carbonáticos6. 
 
 
Figura 2.3 – Clínquer para fabricação de cimento. 
 
 Os tipos de cimento Portland que existem no Brasil diferem em função da composição, como o 
cimento comum, o composto, o de alto-forno, o pozolânico, o de alta resistência inicial, o resistente a 
sulfatos, o branco e o de baixo calor de hidratação. Dentre os diferentes tipos de cimento, listados na 
Tabela 2.1, alguns são de uso mais comum, dependendo da região do Brasil, em função principalmente da 
disponibilidade. O cimento CPV-ARI tem destaque, na fabricação de estruturas pré-moldadas. 
 
 
 
 
 
 
 
4
 Fíler: material finamente dividido, sem atividade química, com ação apenas de efeito físico de empacotamento 
granulométrico.[35] 
5
 Escória de alto-forno: resíduo (subproduto) não metálico proveniente da produção do ferro gusa na indústria siderúrgica.[2,35] 
6
 Material carbonático: “Matéria-prima utilizada na fabricação do cimento. Possui ação predominantemente física. Devido ao 
seu tamanho e formato, confere maior compacidade, melhor trabalhabilidade e menor tendência à fissuração em argamassas e 
concretos.”[36] 
 
 Materiais 
 
12 
Tabela 2.1 – Tipos de cimento Portland normalizados no Brasil.[10,11] 
Nome técnico Identificação do tipo 
Comum CP Ia) 
Comum com adição CP I-Sa) 
Composto com escória CP II-Ea) 
Composto com pozolana CP II-Za) 
Composto com fíler CP II-Fa) 
Alto-forno CP III a) 
Pozolânico CP IVb) 
Alta resistência inicial CP V-ARI 
Branco estrutural CPBa) 
 
Notas: a) fabricado nas classes de resistência à compressão de 25, 32 ou 40 MPa; 
 b) fabricado nas classes 25 ou 32 MPa. 
 
 Os cinco tipos básicos de cimento Portland podem ser resistentes a sulfatos, designados pela sigla 
RS, como por exemplo o CP II-F-32RS. Oferecem resistência aos meios agressivos sulfatados, como 
aqueles de redes de esgoto residenciais ou industriais, água do mar, do solo, etc.[11] Os cimentos de baixo 
calor de hidratação tem o sufixo BC, como CP III-40BC. 
 Em estruturas onde o concreto permanecer submetido a ataque químico proveniente de sulfatos, 
como obras em ambiente marítimo por exemplo, é indicado utilizar o cimento resistente a sulfatos (RS). 
Outro aspecto também importante na definição do tipo de cimento refere-se ao calor gerado na hidratação 
do cimento, onde para grandes volumes de concreto são indicados os cimentos do tipo CP III e CP IV, 
como mostrado na Tabela 2.2. 
 
Tabela 2.2 – Características conferidas a concretos e argamassas em função do tipo de cimento. 
Característica 
Tipo de Cimento 
Comum e 
Composto Alto forno Pozolânico 
Alta resistência 
inicial 
Resistente a 
sulfatos 
Branco 
estrutural 
Resistência à 
compressão Padrão 
Menor nos primeiros 
dias e maior no final 
da cura 
Menor nos primeiros 
dias e maior no final 
da cura 
Muito maior nos 
primeiros dias Padrão Padrão 
Calor gerado na 
reação do cimento 
com a água 
Padrão Menor Menor Maior Padrão Maior 
Impermeabilidade Padrão Maior Maior Padrão Padrão Padrão 
Resistência aos 
agentes agressivos 
(água do mar e 
esgotos) 
Padrão Maior Maior Menor Maior Menor 
Durabilidade Padrão Maior Maior Padrão Maior Padrão 
 
 No comércio o cimento é geralmente fornecido em sacos de 50 kg e por vezes também em sacos de 
25 kg. O cimento do tipo ARI (alta resistência inicial) pode ser encontrado em sacos de 40 e 50 kg, 
dependendo do fabricante. Centrais fabricantes de concreto adquirem o cimento a granel diretamente dos 
fabricantes e em grandes quantidades. 
 Para melhor conhecimento sobre o cimento, como fabricação, constituintes, propriedades, tipos, 
reações químicas, etc., recomendam-se as Referências.[2,3,7,10,11,12] 
 
2.1.2 Agregados 
 
 Os agregados podem ser definidos como os materiais granulosos e inertes constituintes das 
argamassas e concretos.[7] São muito importantes no concreto porque constituem cerca de 70 a 80 % da sua 
composição, e porque influenciam várias de suas propriedades. 
 O concreto tem evoluído na direção de um maior teor de argamassa, com a diminuição da 
quantidade de agregado graúdo, de forma a produzir traços mais trabalháveis e melhor bombeáveis. O uso 
cada vez mais intenso de concreto auto-adensável tem colocado os agregados, especialmente os finos, em 
evidência.[13] 
 
 Materiais 
 
13 
 Os agregados são classificados quanto à origem em naturais, britados, artificiais e reciclados.7 
- naturais: aqueles encontrados na natureza, como pedregulho, também chamado cascalho ou seixo rolado 
(Figura 2.4), areia de rio e de cava, etc. 
- britados: aqueles que passaram por britagem, como pedra britada, pedrisco, pedregulho britado, etc. 
- artificiais: aqueles resultantes de algum processo industrial, como argila expandida, vermiculita, etc. 
 
 Quanto à dimensão dos grãos, os agregados miúdos e graúdos são classificados do seguinte modo: 
- agregado miúdo: aquele cujos grãos passam pela peneira com abertura de malha de 4,75 mm e ficam 
retidos na peneira com abertura de malha de 0,075 mm; 
- agregado graúdo: aquele cujos grãos passam pela peneira com abertura de malha de 152 mm e ficam 
retidos na peneira com abertura de malha de 4,75 mm. 
 No comércio é comum encontrar as britas com a seguinte numeração e dimensão máxima (Figura 
2.4): 
- brita 0 – 9,5 mm (pedrisco); 
- brita 1 – 19 mm; 
- brita 2 – 38 mm; 
 
 
a) brita 0 (pedrisco); 
 
b) brita 1; 
 
 
c) brita 2; 
 
d) seixo rolado. 
Figura 2.4 – Agregados graúdos como geralmente encontrados no comércio.[14] 
 
 
No passado era comum a mistura de britas 1 e 2 para a confecção de concretos, hoje porém, a 
maioria dos concretos feitos para as obras correntes utiliza como agregado graúdo apenas a brita 1. Peças 
cujas dimensões e taxas de armadura8 propiciem, a utilização de concretos contendo brita 2 deve ser 
verificada, porque pode diminuir o custo da estrutura. 
 A massa unitária dos agregados naturais varia geralmente de 1.500 a 1.800 kg/m3, e resultam 
concretos comuns com massa específica em torno de 2.400 kg/m3. Outros agregados, chamados leves[15] e 
pesados[16], podem ser aplicados na produção de concretos especiais. 
 
7
 Agregado reciclado: podem ser resíduos industriais granulares que tenham propriedades adequadas ao uso como agregado ou 
proveniente do beneficiamento de entulho de construção ou demolição selecionado para esta aplicação.[13] 
8
 Taxa de armadura: razão entre a quantidade de armadura e a área da seção transversal de concreto da peça. 
 
 Materiais 
 
14 
 Um aspecto muito importante a ser considerado na escolha dos agregados refere-se à questão da 
reação álcali-agregado9, que afeta o comportamento e a durabilidade do concreto. Análises prévias devem 
ser feitas a fim de evitar esse problema, que se ocorrer pode trazer sérias consequências para a durabilidade 
da estrutura. 
 
2.1.3 Água 
 
A água é necessária no concreto para possibilitar as reações químicas de hidratação do cimento, 
reações

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