Direito Penal - crimes contra o patrimônio
15 pág.

Direito Penal - crimes contra o patrimônio


DisciplinaDireito Penal - Crimes Contra O Patrimonio17 materiais235 seguidores
Pré-visualização4 páginas
Direito Penal
Crimes contra o patrimônio
Furto
Art. 155. Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel
Bem jurídico
1ª corrente \u2013 patrimônio é sinônimo de propriedade. Propriedade \u2013 art. 1228, CC.
2ª corrente \u2013 conceito de patrimônio engloba propriedade E posse. Art. 1196, CC.
3ª corrente \u2013 propriedade + posse + detenção. 
Conceito de detenção: art. 1198, CC. CORRENTE MAIS USADA
Elementares:
\u201cSUBTRAIR\u201d - pode ser analisado em duas vertentes:
1ª retirar sem o consentimento da vítima, de forma direta ou indireta. Ex: treinar meu cachorro para furtar.
2ª retirar da esfera de vigilância da vítima (possibilidade de disposição do objeto).
Esfera de vigilância é o que causa a diferença entre furto e apropriação indébita. Na apropriação indébita entrega-se o celular ao sujeito, mas tinha o dever de restituir. Ex: pegar DVD na locadora e não devolver, onde a vítima confia o objeto ao sujeito ativo. No furto, o bem deve ser retirado da esfera de vigilância do dono.
\u201cNo furto, o agente não tem a posse lícita da coisa alheia \u2013 subtrai a coisa alheia; na apropriação indébita, o agente tem a posse lícita da coisa alheia e resolve dela se apropriar.\u201d
\u201cPARA SI OU PARA OUTREM\u201d \u2013 elemento subjetivo do tipo penal \u2013 dolo
Furto de uso
A doutrina e jurisprudência consideram fato atípico o furto de uso, desde que preenchidos dois requisitos:
1º requisito: subjetivo \u2013 a intenção de uso momentâneo.
2º requisito: objetivo \u2013 o sujeito deve restituir o objeto de forma efetiva e integral.
OBS: doutrina moderna acha que o desgaste sofrido (gastar pneu, gasolina) ainda configura furto de uso, pois não há desfalque jurídico apreciado. Doutrina clássica entende pela configuração do crime de furto
Furto famélico \u2013 para maioria da doutrina não é crime
1º requisito \u2013 objeto sirva para saciar a fome
2º requisito \u2013 seja a única opção
3º requisito \u2013 insuficiência de recursos adquiridos pelo agente ou impossibilidade de trabalho
\u201cAlguém que furta um remédio essencial para sua saúde, um cobertor em uma noite de frio, ou roupas mínimas para se vestir, também pode estar cometendo furto famélico. 
O furto famélico não é crime porque a pessoa age em estado de necessidade: para proteger um bem jurídico mais valioso \u2013 sua vida ou a vida de alguém \u2013 a pessoa agride um bem jurídico menos valioso \u2013 a propriedade de uma outra pessoa.\u201d
\u201cCOISA\u201d \u2013 objeto material que não seja pessoa
Doutrina moderna: se a coisa não tiver valor econômico, apenas sentimental, deverá ser solucionado na esfera cível.
E se o objeto for um cadáver?
Art. 211. Destruição, subtração ou ocultação de cadáver. Não configura crime de furto.
Lei 9434 \u2013 Lei dos transplantes. Furto de órgãos
PROVA: há casos em que se valora o cadáver. Ex: roubei cadáver da aula de anatomia.
Furto de objeto do cadáver. Ex: relógio enterrado com o cadáver	
1ª corrente: o objeto é equiparado a coisa abandonada, pois os herdeiros não teriam mais interesse nesse objeto. Responderia pelo art. 210 violação de sepultura. Não prevalece nos tribunais.
2ª corrente: os objetos do cadáver pertenceriam aos herdeiros, configurando assim crime de furto qualificado
\u201cALHEIA\u201d \u2013 precisa ser de alguém que não o sujeito ativo. Coisa sem dono ou abandonada não podem ser furtadas
Coisa sem dono \u2260 coisa abandonada \u2260 coisa abandonada	
Coisa sem dono (res nulius): como a concha na praia ou o peixe no mar	
Coisa abandonada (res derelictae), como o sofá deixado na calçada	
Coisa perdida (res amissa), pois as coisas perdidas não podem ser apropriadas pela ocupação, mas sim devem ser devolvidas ao dono. A perda da coisa não implica perda da propriedade. O ditado popular "achado não é roubado" é falso, e a coisa perdida não pode ser ocupada pelo descobridor sob pena de crime (art. 169, pú, II do CP).
\u201cMÓVEL\u201d 
Todo objeto em que há a possibilidade de remoção ou deslocamento. OBS: as equiparações feitas no direito civil (navios e aviões) não são usadas no direito penal.
Sujeito ativo 
crime comum (qualquer um pode cometer)
OBS: se praticado por funcionário público, que se valha das suas funções, poderá responder pelo crime de peculato. Art 312, CP.
Crime de furto admite coautoria e a participação
O proprietário do objeto jamais poderá furtar coisa própria. Estando esse objeto em posse de terceiro, e o proprietário reavê-lo por meios próprios, incorrerá no crime do art. 345, CP.
\u201cElpídio, conhecido corretor, alugou uma casa para seu amigo Márcio. Quando a inadimplência do locatário já somava quatro meses, o locador procurou Márcio e solicitou que ele pagasse pelo menos dois meses, relatando a importância dos aluguéis para sua subsistência. Na ocasião, Márcio solicitou mais dez dias para saldar seu débito, no que foi atendido. Entretanto, o prazo se esgotou sem que ele efetivasse o pagamento. Indignado com a inadimplência de seu amigo, Elpídio ameaçou Márcio com um revólver calibre 38, levando sua TV de 42, seu DVD, seu relógio Rolex, objetivando compensar seu prejuízo. Assim, Elpídio praticou o crime de: exercício arbitrário das próprias razões.\u201d	
E se eu mandar buscar para mim?
Sujeito passivo
Proprietário, possuidor ou detentor da coisa
*Pessoa jurídica pode ser sujeito passivo de furto? E sujeito ativo? Pode ser vítima pois também tem patrimônio, mas não pode praticar.
OBS: no furto mediante fraude, são vítimas o dono da coisa, bem como a pessoa que foi enganada
OBS 2: não obsta o reconhecimento do furto a não identificação da vítima
Consumação/tentativa
4 correntes:
1ª corrente: CONCRETATIO - bastava que o sujeito que tivesse contato com o objeto, dispensando seu deslocamento
2ª corrente: AMOTIO \u2013 a consumação ocorre quando o objeto subtraído passa para o poder do agente, independentemente do seu deslocamento ou da posse mansa e pacífica. RECENTES JULGADOS 
3ª corrente: ABLATIO \u2013 a consumação ocorre quando o agente, depois de apoderar-se do objeto, consegue desloca-lo de um lugar para o outro.
4ª corrente: ILATIO \u2013 a consumação se dá com a inversão da posse e deslocamento de forma mansa e pacífica.
Furto praticado durante repouso noturno (§1º)
O que seria repouso noturno (elemento normativo)? Quem vai analisar no caso concreto é o magistrado
O furto tem que atentar contra a moradia.
Os tribunais superiores entendem que o local não precisa ser/estar habitado, em razão da maior facilidade por ser período de descanso coletivo.
Regra geral é que comércio NÃO INCIDE!
* não se aplica ao furto qualificado
Furto privilegiado (§2º)
direito subjetivo
Requisitos CUMULATIVOS
primariedade do acusado (só se for condenado)
pequeno valor do objeto subtraído \u2013 até um salário mínimo
3 consequências:
* juiz pode substituir pena de reclusão por detenção
* reduzir a pena privativa de 1/3 a 2/3
* juiz pode aplicar somente a pena de multa 
OBS: hoje, através da súmula 511 do STJ, pacificou-se o tema a respeito da existência do furto privilegiado qualificado. Uma vez preenchidos os requisitos do §2º, suas benécies deverão ser aplicadas ao furto qualificado
\u201cÉ possível o reconhecimento do privilégio previsto no § 2º. do art. 155 do CP nos casos de furto qualificado, se estiverem presentes a primariedade do agente, o pequeno valor da coisa e a qualificadora for de ordem objetiva\u201d.
Furto de energia (§3º)
energia genética também pode ser equiparada
Sinal de tv a cabo: 
Quem considera energia, acredita que se encaixa nesse parágrafo (STJ)
Para o STF, o sujeito não responderia por crime, pois o sinal não é equiparado a energia já que ele não se esgota.
Furto qualificado (§4º)
1- destruição ou rompimento de obstáculo
destruição = dano total
rompimento = dano parcial
O furto qualificado absorve o crime de dano, desde que seja crime meio
OBS: a qualificadora só incide se o obstáculo estiver entre o agente e o objeto visado. Ex: quebrar vidro para roubar objeto do carro.	 
Para a doutrina moderna, a qualificadora só incide quando o valor do obstáculo destruído for maior que do objeto visado.
OBS 2: no caso da existência de ofendiculos (cerca, alarme) não há
monaliza
monaliza fez um comentário
queria no meu e-mail...
0 aprovações
Gustavo
Gustavo fez um comentário
Parabéns, muito bom material.
0 aprovações
Michele
Michele fez um comentário
muito bom! obrigada
1 aprovações
Marina
Marina fez um comentário
Visualzar
0 aprovações
Carregar mais