A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
4 pág.
Por uma psicologia humana

Pré-visualização | Página 1 de 1

AMATUZZI, M. M. Humanismo e Psicologia. In: AMATUZZI, M. M. Por uma psicologia mais humana. Campinas, SP: Alínea, 2010, 3ª ed.
AMATUZZI, M. M. Pesquisa do Vivido. In: AMATUZZI, M. M. Por uma psicologia mais humana. Campinas, SP: Alínea, 2010, 3ª ed.
O humanismo na psicologia é um movimento que busca colocar o homem no agora, no presente, como um ser em curso, não um homem histórico. O autor traça as diferenças do homem-história para o homem-atual, foco do humanismo, comparando com a cultura tida como produto e tida como algo que é vivenciada hoje. O homem-história, assim como a cultura-produto, são coisas tidas por acabadas, resultados de algo já posto. O homem-atual e a cultura que se faz, são representativos de movimento, algo inacabado, passível de transformação e ressignificação constante. 
	Para que o homem seja o presente, ele precisa dar sentido às suas vivências e perspectivas, dessa forma, considera-se que a linguagem é essencial para tal, pois é através dela que se pode atribuir sentidos e significâncias ao entorno. “O homem-atual se encontra na palavra, e não o contrário. É na decifração de sentidos que o homem pode se instaurar na atualidade” (AMATUZZI, 2010, p. 11).
	Portanto, o humanismo sugere uma mudança na relação com o objeto, já que não se trata de teorizar apenas, modificar o método ou o objeto, mas compreender a abrangência desse objeto de estudo. Em seguida, o autor explica algumas maneiras de se compreender esse movimento.
	Como movimento cultural histórico europeu, iniciou no século XIV, com o Renascimento, recolocando o homem como centro de tudo, num antagonismo à visão teocêntrica ocorrida durante o período medieval, em que as questões do ser humano, como política, beleza, saúde, arte, ciência, maturação psicológica, são altamente desvalorizadas em virtude do espiritual, do cuidar da alma imortal. 
O Humanismo fez voltar às ideias greco-romanas e à cultura pagã. O que é humano passou a ter valor por si mesmo, tendo importância e necessidade de cuidado tanto o corpo como a alma desse homem. Compreendeu-se que “virtudes” é o desenvolvimento do potencial humano, de dentro para fora e não o oposto. Para alguns, isso representou uma rejeição à teologia, sendo o humanismo ateu, tendo Sartre como representante. Para outros, a revalorização do que é humano, não se tratava de uma posição antirreligiosa ou ateia, mas sim de acreditar na atualidade do ser humano como o caminho, tendo Teilhard de Chardin como representante desta perspectiva.
Outra perspectiva histórica do Humanismo se dá pela visão de Erich Fromm, que não fala dele como movimento cultural, mas como uma tradição ética, que pode ter vários representantes em diferentes etapas da história. Ele enfatiza que o conhecimento é a base para se estabelecer os sentidos de normas e valores pessoais e culturais, além de relacionar a ética com a psicologia: Ética, porque seu conteúdo se faz em questão de sentido; e Psicologia, porque busca a natureza do homem, que se faz pelo conhecimento e desenvolvimento das capacidades humanas. 
Erich Fromm enfatiza a diferença entre bem e mal na ética humanista, sendo o primeiro residente na capacidade de desenvolver-se em potencial e a virtude como um responsabilizar-se a si mesmo pelas escolhas do seu existir. Já o mal, se encontra na mutilação das capacidades do homem, tendo como representante o vício, que é a irresponsabilidade para com sua existência. 
Por mais teorias diferentes que existam acerca do homem, como a atualizante de Rogers e a autorrealização de Maslow, para Erich Fromm, a raiz está na atitude que se coloca para este homem, pois como um ser humano ético, há posicionamentos e compromissos intrínsecos a ele que ultrapassam conceitos cognitivos. André Amar aponta que a Psicologia Humanista, apesar de não utilizar esse termo, se apresenta como uma crítica à atitude científica da época, colocando que o posicionamento ético é indissociável da cientificidade dessa concepção teórica-metodológica.
Na sociedade contemporânea, dentre os representantes da Psicologia Humanista, estão Greening e Maslow na década de 1960, com os Estados Unidos em plena guerra contra o Vietnã, em que o primeiro país se viu em uma grande crise ética. Essa psicologia surgiu então como reação dos psicólogos insatisfeitos com as abordagens teóricas vigentes: psicanálise e behaviorismo, que para eles, não supria as demandas da época, que eram urgentes.
Maslow postulava que a psicologia não deveria focar na doença ou no ajustamento do indivíduo à sociedade, mas sim trabalhar a saúde e autorrealização desse sujeito, onde ele quer chegar. Considerava que não existe neutralidade no ato científico, portanto, a psicologia não poderia ser neutra, pois está inserido num contexto de sentido e que serve de alguma direção para a humanidade. 
“Aquilo que vejo depende do ponto de vista a partir do qual me coloco para olhar. É só quando me coloco dentro de um posicionamento de compromisso com o ser humano como um todo [...] que meus olhos se abrem para determinados aspectos do ser humano, ou que me disponho a pesquisar determinados problemas e de um determinado todo” (AMATUZZI, 2010, p. 18).
Husserl, por outro lado, questionou a aplicabilidade do método científico à realidade humana, pela noção de intencionalidade da realidade, captada através dos sentidos. Coloca que a atitude científica, capta o homem-resultado, mas não o homem-atual, porque ele já se modificou. 	Ilustra a diferença da percepção do objeto, enfatizando que o Humanismo tem uma forma de conceber as relações humanas e o conhecimento, de modo bastante distinto.
Além disso, o Humanismo, na Psicologia, aponta uma atitude fenomenológica diante dos fenômenos e da vida, relativizando o conhecimento e estudando as referências através do mundo como o qual se apresenta, sendo que apenas na interação com o outro que podemos obter conhecimento verdadeiro, retornando o homem a ele mesmo. O que se revela desse humano é uma totalidade em movimento, criativa, que busca sentidos e significados à sua existência presente.
Para se ter uma atitude fenomenológica, faz-se necessário pensar na experiência do vivido, que significa a reação imediata ao que acontece, antes de qualquer elaboração. Não as reações externas e fisiológicas, mas as internas, que são as que podem ser sentidas naquele momento antes de passar pela escala de valor dos sujeitos, segundo os quais “domesticaria” a experiência. O acontecimento precisa ter algo que faça sentido para si, no plano em que sentir e pensar ainda não se distinguiram. Sozinho, o sentido não existe, pois ele está acompanhado de um significante, que se expressa a partir do vivido, portanto, a pesquisa fenomenológica suspenderá esses fenômenos, para dar espaço à experiência do agora, buscando a visão clara do assunto.
Essa visão é a que o pesquisador busca, já que partirá de uma questão que possua significado para ele. Assim, ele buscará interlocutores para dialogar a experiência vivida e encontrar respostas. Se o interlocutor entende e a assume essa postura de pesquisador, ele compreende melhor a si mesmo, não havendo diferenças entre psicoterapia, pesquisa e atendimento, porque faz parte dele. É com a aproximação do vivido, que as mudanças são desencadeadas, retornando asoias====

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.