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CONSTITUCIONAL - DIREITOS DE NACIONALIDADE (roteiro de estudo)

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Conceito 4 – MEC 
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1. Direitos de Nacionalidade 
1.1 Teoria do Direito de Nacionalidade 
 Conceito de nacionalidade 
- relação entre o povo e o território (elementos do Estado), donde surge um vínculo 
chamado nacionalidade. 
- Diferencia-se de cidadania, que pressupõe o exercício dos direitos políticos. Há, 
portanto, o nacional, o cidadão e o estrangeiro. Todos com situações jurídicas distintas. 
- Devemos distinguir então (PL): 
a) População todos os residentes no território, sejam nacionais ou estrangeiros; 
b) Povo são todos os nacionais. Para FR, esta é a verdadeira dimensão pessoal 
(ou seja, um dos elementos dele) do Estado. Por isso que ele diz que não é a 
respectiva população, mas a comunidade nacional, i.e., o conjunto de seus nacionais, 
incluindo aqueles, minoritários, que se tenham estabelecido no exterior; 
c) Cidadãos nacionais que gozam de direitos políticos. 
- Sobre os estrangeiros residentes o Estado exerce a jurisdição territorial; enquanto que 
sobre seus nacionais a jurisdição é pessoal, porquanto é fundada no vínculo de 
nacionalidade, e independe do território onde se encontrem. 
- O único que pode conferir nacionalidade a uma pessoa é o Estado. 
 
Nacionalidade é o vínculo jurídico-político de Direito Público interno, que faz da pessoa um 
dos elementos do Estado (povo). 
 Natureza do direito de nacionalidade 
- É de natureza constitucional, mesmo se for abordado por legislação ordinária (caso em 
que é apenas materialmente constitucional). De toda forma, é matéria de direito público 
interno. 
 Nacionalidade primária e nacionalidade secundária 
- A primária (fato natural) é adquirida já no momento do nascimento, sendo 
involuntária. 
- A secundária é adquirida posteriormente ao nascimento (fato voluntário), tendo a 
pessoa outra(s) nacionalidade(s) ou não. 
 
DIREITO CONSTITUCIONAL II 
 Modos de aquisição da nacionalidade 
- São dois os critérios para aquisição da nacionalidade primária: 
a) Da origem sanguínea (jus sanguinis) pelo vínculo de sangue, ou seja, quem é 
filho do nacional de um país também será nacional dele. 
b) Da origem territorial (jus soli) quem nasce no território de um Estado é 
nacional dele. É o adotado pelo Brasil como regra geral, embora comporte exceções. 
 
- Já a nacionalidade secundária pode ser adquirida de outras formas, que dependerão 
da vontade: 
a) Do indivíduo caso em que o indivíduo escolhe a nacionalidade, quando há 
mais de uma opção (art. 12, I, c e II, a); 
b) Do Estado mediante outorga, mediante pedido ou espontaneamente, como 
aconteceu na CF de 1891; ou no caso de residência há mais de 15 anos no Brasil, 
bastando pedido do interessado (tem de haver vontade dos dois). 
 
Observações 
Princípio da efetividade, segundo o qual o vínculo não deve se fundar na pura formalidade ou 
no artifício, mas nos laços sociais entre o indivíduo e o Estado. 
É também fundado neste princípio que geralmente se exclui da nacionalidade fundada no jus 
soli os filhos de agentes estrangeiros, pois eles só possuem verdadeiro vínculo com o país de 
seus pais. 
A Convenção de Haia Concernente a Certas Questões Relativas aos Conflitos de Leis sobre 
Nacionalidade, de 1930 dispõe que a nacionalidade só é oponível a outros Estados se tiver um 
mínimo de efetividade. 
 O polipátrida e o “heimatlos” (apátrida) 
● Polipatridia; 
- O polipátrida é o que possui mais de uma nacionalidade, seja as duas primárias ou não. 
- Tendo uma pessoa mais de uma nacionalidade, deve ser tratado perante terceiros 
Estados (em que não tem nacionalidade) como se tivesse apenas uma, que deverá ser o 
país em que ele tenha uma relação mais efetiva. O primeiro critério a ser utilizado é a 
existência de residência habitual ou principal. 
 
● Apatridia. 
- O heimatlos (ou apátrida) é o que não possui nacionalidade alguma, como é o caso do 
filho de brasileiro que nasce na Itália. 
- Para resolver o problema da apatria é que consta do art. 20, do Pacto de São José da 
Costa Rica, que “toda pessoa tem direito à nacionalidade do Estado em cujo território 
houver nascido, se não tiver direito a outra”. Porém, o fato é que a apatridia continua 
ocorrendo. 
1.2 Direito de Nacionalidade Brasileira 
 Fonte constitucional do direito de nacionalidade 
- Os modos de aquisição estão previstos no art. 12 da Constituição Federal, que descreve 
duas situações jurídicas: a do brasileiro nato (art. 12, I) e do naturalizado (Art. 12, II). 
- Há ainda uma lei ordinária que fala sobre o assunto: o Estatuto do Estrangeiro (Lei 
6.815/80, com alterações da Lei 6.964/81). 
 Os brasileiros natos 
- São os que adquiriram a nacionalidade pela forma primária, que leva em consideração 
o nascimento. 
- São brasileiros natos (Art. 12, I): 
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que 
estes não estejam a serviço de seu país; 
 Basta nascer no território, independentemente da origem ou nacionalidade dos pais, 
exceto se eles estiverem aqui a serviço do país ao qual eles são nacionais, portanto, 
se estiverem aqui por conta própria ou a serviço de outro país, o seu filho será 
brasileiro nato. O mesmo ocorre com quem está a serviço de organização 
internacional. 
Por território brasileiro entende-se: 
● Os limites geográficos nacionais; 
● Espaço aéreo correspondente ao nosso território; 
● Aeronaves e embarcações: 
1) Privadas e públicas civis e de bandeira brasileira trafegando por: 
i) Espaços neutros (ex.: sobrevôo em alto mar) ou em nosso território; 
ii) Nosso território. 
2) Militar e de bandeira brasileira onde quer que estejam. 
3) Estrangeiras apenas se estiverem em nosso mar territorial ou nosso território. 
 
 
 
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles 
esteja a serviço da República Federativa do Brasil; 
 Se for a serviço de outro país ou de particulares não pode. Por serviço à República 
Federativa do Brasil entende-se o serviço a qualquer entidade de Direito Público 
(União, Estado, DF, Município, ou até de administração indireta). 
 
c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam 
registrados em repartição brasileira competente ou venham a residir na República 
Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela 
nacionalidade brasileira (EC 54/2007); 
 Aqui mistura-se o critério sanguíneo com o da vontade e o vínculo territorial. Não há 
prazo para a requisição, como antes havia. Para aplicação desta norma tem-se como 
requisitos: 
1) Nascimento no exterior; 
2) Ser nascido de brasileiro nato ou naturalizado nacionalidade ao tempo do 
nascimento. Basta que o pai ou a mãe seja brasileiro(a), não precisa que sejam os 
dois; 
3) Ocorrer uma das seguintes situações: 
i) Vir, a qualquer tempo, residir no Brasil e, após a maioridade, opte pela 
nacionalidade brasileira; OU 
ii) Ser registrado em repartição brasileira competente. 
 
Obs.: A opção pela nacionalidade originária tem efeito ex tunc. Isto tem efeitos práticos. Por 
exemplo, haverá suspensão do processo de extradição sempre que estiver pendente conclusão 
de processo em que se objetiva o reconhecimento de nacionalidade originária, ainda que tal 
pedido ocorra após o início do processo de extradição. 
 
 Os brasileiros naturalizados 
 São os que adquirem a nacionalidade pela via secundária (ou adquirida), prevista no 
art. 12, II. 
● Formas de naturalização secundária: 
a) Casamento; 
b) Existência de vínculo funcional com a Administração Pública; 
c) Vontade da lei ou da Constituição; ou 
d) Sucessão de Estados no caso de fusão, cisão, desmembramento ou 
transferência de território.