abdome agudo
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I CURSO DE CONDUTAS MÉDICAS NAS 
INTERCORRÊNCIAS EM PACIENTES INTERNADOS 
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA 
CREMEC/Conselho Regional de Medicina do Ceará 
 
Câmara Técnica de Medicina Intensiva 
Câmara Técnica de Medicina de Urgência e Emergência 
 
FORTALEZA(CE) MARÇO A OUTUBRO DE 2012 
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Abdome Agudo 
Não-Traumático 
Dra. Ana Cecília Neiva Gondim 
Cirurgia Geral / Coloproctologia 
Serviço de Coloproctologia do HUWC/UFC 
Dor Abdominal 
\u2022 A dor abdominal é uma das queixas mais comuns no 
pronto-socorro, constituindo um desafio diagnóstico e 
terapêutico 
 
\u2022 Pode ser causada por doenças benignas ou até 
potencialmente fatais 
 
\u2022 Pode ser causada por doenças intra-abdominais mecânicas 
ou funcionais, por doenças extra-abdominais ou até por 
doenças sistêmicas 
 
\u2022 Abdome agudo é uma condição clínica que tem 
como principal sintoma a dor abdominal aguda, 
necessitando de avaliação e tratamento rápidos, 
seja este cirúrgico ou não. 
 
UREMIA! 
Abdome Agudo 
\u2022 O diagnóstico precoce é essencial para diminuir 
morbimortalidade 
 
\u2022 Anamnese detalhada e exame físico minucioso são mais 
importantes do que qualquer exame complementar 
 
\u2022 A primeira avaliação é a mais importante, porque a analgesia 
subsequente pode alterar o exame físico 
 
\u2022 Avaliações seriadas pelo mesmo médico são a melhor forma 
de determinar a progressão ou a resolução da doença 
Fisiopatologia da Dor Abdominal 
\u2022 Dor somática ou parietal: tem origem no peritôneo parietal, é 
constante, fixa e se acentua com os movimentos, o paciente 
fica imóvel (peritonite) 
 
\u2022 Dor visceral: provocada por ditensão ou contração de vísceras 
ocas, de localização imprecisa, que faz o paciente se 
movimentar constantemente (dor tipo cólica) 
 
\u2022 Dor referida ou irradiada: dor de origem intra-abdominal que 
se manifesta em área anatomicamente distante, por 
compartilhar os mesmos circuitos neurais centrais (dor no 
ombro direito por irritação do diafragma) 
Anamnese 
\u2022 Dados gerais: idade, sexo 
\u2022 Avaliação da dor e sintomas associados 
\u2022 História de crises semelhantes 
\u2022 Hábitos: alcoolismo, etilismo, drogas ilícitas 
\u2022 Antecedentes cirúrgicos 
\u2022 Comorbidades 
\u2022 Uso de medicações: opióides, AINES, anticoagulantes, 
imunossupressores, ACOH 
\u2022 Data da última menstruação, informações sobre ciclos 
mentruais, antecedentes ginecológicos, corrimento vaginal 
Anamnese 
\u2022 As 10 dimensões da DOR: 
\u2022 Tipo 
\u2022 Duração 
\u2022 Evolução 
\u2022 Localização 
\u2022 Intensidade 
\u2022 Irradiação 
\u2022 Relação com funções orgânicas 
\u2022 Fatores desencadeantes/agravantes 
\u2022 Fatores que aliviam 
\u2022 Manifestações associadas e cronologia: náuseas, vômitos, 
constipação, diarréia, febre, melena, hematúria, disúria, colúria, 
tontura, sudorese, anorexia\u2026 
Exame Físico 
\u2022 Geral: Estado geral, icterícia, febre, palidez cutâneo-mucosa, 
desidratação, PA, pulso, padrão respiratório, nível de 
consciência 
 
\u2022 Atenção aos sinais de comprometimento 
sistêmico/instabilidade hemodinâmica/sepse \u2013 taquicardia, 
taquipnéia, hipotensão, sonolência! 
 
\u2022 Exame cardiopulmonar para descartar causas não 
abdominais 
 
 
Exame Físico Abdominal 
\u2022 Inspeção: distensão, abaulamentos, cicatrizes, hérnias, 
equimoses. Sempre expor da região tóraco-abdominal até 
região inguinal! 
 
\u2022 Ausculta: RHA ausentes, aumentados, metálicos 
 
\u2022 Percussão: distensão gasosa, ascite, peritonite localizada ou 
difusa 
 
\u2022 Palpação: localização da dor, massas, visceromegalias, massa 
pulsátil, descompressão brusca (Blumberg), Sinal de Murphy 
 
\u2022 Mobilização: sinais clínicos 
 
\u2022 Toque retal e toque vaginal/bimanual 
Abdome Agudo - Síndromes Clínicas 
\u2022 Inflamatório: apendicite, colecistite aguda, pancreatite aguda, 
diverticulite, doença inflamatória pélvica, abscessos intra-
abdominais, peritonites primárias e secundárias\u2026 
\u2022 Perfurativo: úlcera péptica, neoplasia gastro-intestinal perfurada, 
amebíase, febre tifóide, divertículos do cólon, perfuração 
iatrogênica de alças intestinais ou útero\u2026 
\u2022 Obstrutivo: aderências intestinais, hérnia estrangulada, fecaloma, 
obstrução pilórica, volvo, intussuscepção, cálculo biliar, corpo 
estranho, bolo de áscaris\u2026 
\u2022 Vascular: isquemia intestinal, trombose mesentérica, torção do 
omento, torção de pedículo de cisto ovariano, infarto esplênico\u2026 
\u2022 Hemorrágico: gravidez ectópica rota, ruptura do baço, ruptura de 
aneurisma de aorta abdominal, cisto ovariano hemorrágico, 
necrose tumoral, endometriose\u2026 
Abdome Agudo - Síndromes Clínicas 
\u2022 Inflamatório: dor insidiosa e com piora progressiva, febre, 
peritonite localizada ou difusa 
 
\u2022 Perfurativo: dor com piora súbita, intensa, aguda e persistente, 
peritonite, palidez, sudorese, evoluido para o choque séptico se 
não tratado 
 
\u2022 Obstrutivo: distensão, parada de eliminação de flatus e fezes, 
náuseas/vômitos 
 
\u2022 Vascular/isquêmico: dor intensa súbita, tipo cólica, 
desproporcional ao exame físico, podendo evoluir para peritonite 
 
\u2022 Hemorrágico (extra-luminal): Dor súbita e sinais de choque 
hipovolêmico 
 
Exames Complementares 
\u2022 Os exames devem ser direcionados para a suspeita clínica 
 
\u2022 O excesso de exames onera o sistema e atrasa o tratamento 
definitivo 
 
\u2022 Antibióticos só devem ser iniciados após coleta dos exames 
iniciais 
 
\u2022 Nos pacientes instáveis, a coleta e a realização de exames 
complementares não deve atrasar as medidas para 
estabilização nem a avaliação por cirugião 
 
 
Exames Laboratoriais 
\u2022 Gerais: hemograma completo, amilase, beta-HCG, sumário de urina, 
eletrólitos, função renal 
 
\u2022 Direcionados pela história: lipase, bilirrubina total e frações, TGO, TGP, 
FA, GGT, glicemia 
 
\u2022 Se sinais de instabilidade ou suspeita de abdome agudo vascular: 
gasometria arterial com lactato 
 
\u2022 Se sepse grave/choque séptico: hemocultura e/ou urocultura, de 
acordo com o foco 
 
\u2022 Outros exames podem ser colhidos de acordo com as comorbidades: 
TAP, TTPA, função hepática, etc 
 
 
Exames de Imagem 
\u2022 Abdome Agudo Inflamatório: 
 
\u2022 Radiografia simples de abdome: decúbito, ortostase e cúpulas 
diafragmáticas 
 
\u2022 USG Abdome total é diagnóstico na maioria dos casos 
 
\u2022 TC de abdome com contraste VO e EV se USG não esclarecer ou 
em forte suspeita de diverticulite aguda ou pancreatite aguda 
grave 
Exames de Imagem 
\u2022 Abdome Agudo Perfurativo: 
 
\u2022 Radiografia simples de abdome: decúbito, ortostase e cúpulas 
diafragmáticas 
 
\u2022 USG Abdome não ajuda! 
 
\u2022 TC de abdome com contraste VO e EV se Raio-X não esclarecer 
Exames de Imagem 
\u2022 Abdome Agudo Obstrutivo: 
 
\u2022 Radiografia simples de abdome: decúbito, ortostase e cúpulas 
diafragmáticas 
 
\u2022 USG abdome não ajuda! 
 
\u2022 TC Abdome com contraste VO e EV se não houver resolução em 
48h de tratamento clínico ou de acordo com suspeita clínica 
 
Exames de Imagem 
\u2022 Abdome Agudo Vascular: 
 
\u2022 Radiografia simples de abdome: decúbito, ortostase e cúpulas 
diafragmáticas 
 
\u2022 USG abdome não ajuda! 
 
\u2022 TC Abdome com contraste EV e VO \u2013 angioTC (fase arterial e 
portal) é o melhor exame 
 
Exames de Imagem 
\u2022 Abdome Agudo Hemorrágico: 
 
\u2022 Radiografia simples de