Aplicação da Lei Penal
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Aplicação da Lei Penal


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Izabela Portolan \u2013 FAG
Aulas c/c OAB Primeira Fase Esquematizado \u2013 Ed. Saraiva
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APLICAÇÃO DA LEI PENAL
Analogia 
É um modo de integração, ou seja, na falta de lei penal específica, aplica-se outra lei que regule um caso semelhante. Analogia in bonam partem: aplica-se lei benéfica ao réu, o que é permitido no Direito Penal brasileiro. Analogia in malam partem: aplica-se a lei prejudicial ao réu, o que é vedado no Direito Penal brasileiro. 
Lei Penal no tempo
- Conflitos de leis penais no tempo: em regra, aplica-se a lei penal em vigor ao tempo do fato, exceto quando houver lei penal posterior mais benéfica, conforme dispõe o artigo 5º, XL, CF (a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu). Aplica-se à lei mais benéfica ao réu a regra de extra-atividade, que é constituído pela retroatividade (aplicação da lei a fatos ocorridos antes de sua vigência) e ultra-atividade (extensão dos efeitos da lei penal para além de sua revogação.
- Abolitio criminis: a lei nova descriminaliza fatos até então considerados criminosos. Artigo 2º, CP (ninguém pode ser punido por fato que a lei posterior deixe de considerar crime, cessando em virtude dessa lei a execução e os efeitos penais da sentença condenatória). Cessam apenas os efeitos penais, continuando o réu a ser obrigado a reparar o dano. A lei posterior que favorecer o agente de qualquer modo, aplica-se aos fatos anteriores, mesmo que decididos por sentença condenatória transitada em julgado. Se a sentença transitou em julgado, é competência do juízo de execuções a aplicação da lei mais benigna (súmula 611, STF).
Súmula 513, STJ \u2013 A 'abolitio criminis' temporária prevista na Lei n. 10.826/2003 aplica-se ao crime de posse de arma de fogo de uso permitido com numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado, praticado somente até 23/10/2005.
- Princípio da continuidade normativo-típica: a mera revogação formal da lei não dá ensejo à abolitio criminis. Se o fato não deixa de ser crime, não há que se falar em abolitio criminis, visto que continua sendo penalizado. Como por exemplo o art. 214 do CP, que antigamente era sobre atentado violento ao pudor, que foi revogado e hoje está incluso no artigo 213 do CP (estupro). O artigo foi revogado, mas o seu teor continua sendo crime, apenas incluso em outro artigo. Assim, portanto, não há abolitio criminis, devendo ser cumprida a pena imposta. 
- Combinação de leis (lex tertia): o juiz toma pontos que sejam favoráveis de duas ou mais leis, e as combina em um caso concreto. A posição majoritária na doutrina e na jurisprudência, é a de que não é possível a combinação de leis, pois se o juiz o fizer, estará legislando. Porém, há outra posição, a qual diz que é possível a combinação, pois se o juiz pode o mais (ou seja, aplicar toda a lei mais benéfica), também pode o menos (aplicar apenas um artigo da lei mais benéfica). No caso de tráfico de drogas, o STF e STF decidiram que não é possível da combinação das leis. 
Súmula 501, STJ \u2013 É cabível a aplicação retroativa da Lei n. 11.343/2006, desde que o resultado da incidência das suas disposições, na íntegra, seja mais favorável ao réu do que o advindo da aplicação da Lei n.6.368/1976, sendo vedada a combinação de leis. 
- Leis penais temporárias e excepcionais: leis temporárias são as que possuem prazo de vigência previamente determinado. Leis excepcionais são aquelas que possuem vigência apenas durante uma situação emergencial, como guerra ou calamidade pública. Ambas possuem duas características: autorrevogação (não há necessidade de leis posterior para revogar lei anterior), e ultra-atividade gravosa (a lei excepcional ou temporária, ainda que decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência (art. 3º, CP).
- Tempo do crime: art. 4º, CP "considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado". Essa é a teoria da atividade, adotada pelo Código Penal. 
- Súmula 711, STF: "a lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência".
Possibilidades: 
Crime permanente em que a conduta se inicia durante a vigência de uma lei, prossegue durante o império de outra, aplica-se a lei nova, mesmo que mais severa. A conduta criminosa deve continuar a ser praticada depois da entrada em vigor da lei nova mais gravosa (ex: adolescente com 17 anos coloca a vítima em cativeiro e dias depois quando a vítima é localizada e resgatada pela polícia, o autor já completou 18 anos. Nesse caso, aplica-se o Código Penal.
 Lei "A" Lei "B" Aplica-se 
 (mais benéfica) (mais grave) Lei "B"
Início da Fim da 
permanência permanência
Crime continuado em que os fatos anteriores eram punidos por uma lei, operando-se o aumento da pena por lei nova, aplica-se a última a toda a unidade delitiva, desde que sob a sua vigência continue a ser praticada. O crime continuado é considerado crime único para fins de aplicação da pena. 
Lei "A" Lei "B"
 (mais favorável) (mais grave)
	
Crime 1 Crime 2 Crime 3 Crime 4
Neste caso, aplica-se a "Lei B", mais grave, a toda a série da continuidade delitiva. 
Lei penal no espaço
- Territorialidade temperada: art. 5º, CP: aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao delito cometido no território nacional. 
- Conceitos de território nacional: conceito jurídico \u2013 espaço sujeito à soberania do Estado; conceito real ou material \u2013 superfície terrestre (solo e subsolo), as águas territoriais (marítimas, lacustres e fluviais) e o espaço aéreo correspondente; conceito flutuante ou por extensão \u2013 considera-se extensão do território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar (art. 5º, §1º, CP).
- Lugar do crime: art. 6º, CP, considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado. Esta é a teoria da ubiquidade, adotada pelo Código Penal. É aplicável aos crimes à distância ou de espaço máximo (conduta é praticada em um país e o resultado se produz em outro).
- Extraterritorialidade: aplicação da lei penal brasileira a crimes praticados fora do Brasil.
Extraterritorialidade incondicionada: o agente é punido pela lei brasileira, mesmo que absolvido ou condenado no estrangeiro, art. 7, I, CP:
Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro:
I \u2013 os crimes:
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República;
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público;
c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço;
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil.
Extraterritorialidade condicionada: aplica-se a lei nacional a determinados crimes cometidos fora do território, art. 7, II, §2º, CP:
Ficam sujeitos à