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Clínica Médica de Equinos 01

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Clínica Médica de Eqüinos 
 
 
01-Melanoma 
Definição: 
Neoplasia relacionada com células produtoras de melanina (melanócitos), 
substância esta que confere coloração escura à pele. 
Epidemiologia: 
-Representam 5 a 14% dos neoplasmas em eqüinos; 
-Eqüinos de pelagem tordilha, sendo ocasionalmente observado em animais de 
outras pelagens; 
-Eqüinos com idade superior a 6 anos; 
-Não há predileção por sexo ou raça; 
Etiopatogenia: 
Os mecanismos envolvidos no desenvolvimento desse neoplasma incluem 
distúrbios no metabolismo da melanina, que induzem a formação de novos 
melanoblastos ou aumento da atividade dos melanoblastos residentes, resultando em 
áreas de produção excessiva desse pigmento; 
Suspeita-se que o aumento da produção de α-MSH (hormônio estimulante de α-
melanócitos), influenciado pala luz solar, possa ser envolvido na patogênese desses 
neoplasmas; 
Sinais clínicos: 
-Locais de predileção: base da cauda, períneo e ânus; 
 
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-Aparece inicialmente como nódulo firme, único ou múltiplo e que com o tempo 
poderá ulcerar e apresentar secreção purulenta; 
-As metástases ocorrem via hematógena, linfática ou por implantação; 
-Os principais locais envolvidos em casos de metástase são linfonodos regionais, 
baço, fígado, pulmões, vasos sanguíneos e coração (morte súbita em animais de 
esporte); 
-Embora apresentem características invasivas e metastáticas, alguns não 
apresentam este comportamento, evoluindo lentamente e não causa grandes problemas 
ao animal; 
-Sob a forma de melanossarcoma, o tumor pode comprometer a glândula 
parótida e por contiguidade atingir a bolsa gutural 
-Tumores mais amplos podem causar obstrução física do esfíncter anal, pênis, 
prepúcio ou comissura vulvar, resultando em disquesia, disúria e dificuldades no coito 
-Classificação clínica: 
Clinicamente os melanomas podem ser classificados de acordo com suas características 
em: 
01-Melanoma dérmico: 
Comum em cavalos tordilhos, velhos e ocorre como massas neoplásicas no 
períneo, base da cauda e genitália externa. A incidência de metástases é baixa; 
02-Melanomatose dérmica: 
Semelhante ao melanoma dérmico, porém com múltiplas massas cutâneas com 
metástase; 
03-Nevo melanocítico: 
Ocorre em cavalos jovens, tordilhos ou não, como massas superficiais ou no 
tecido subcutâneo; 
04-Melanoma maligno anaplásico: 
Ocorre em cavalos velhos, tordilhos ou não, e caracteriza-se pela formação de 
múltiplas massas cutâneas, com altos índices de metástase. 
Diagnóstico: 
 -Anamnese e História Clínica; 
-Exame Físico; 
-Exames Complementares: 
 
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-Citologia aspirativa; 
-Imuno-histoquímica; 
Tratamento: 
 01-Cirúrgico: 
-Excisão cirúrgica (métodos convencionais ou criocirurgia): 
-Após avaliação do diâmetro, quantidade de nódulos e idade do animal; 
-Pode ser definitiva nos casos de melanomas solitários, mas impraticável em 
melanomas múltiplos; 
-Melanomas com múltiplos nódulos que evoluem a cauda e região anal, 
freqüentemente recidivam na mesma região, e após a cirurgia podem apresentar 
tendência de produzirem metástase. 
 02-Clínico: 
-Cimetidina (antagonista H2) 
 
 
*Propicia a redução da neoplasia primária e prevenção da progressão; 
**Forma de atuação (não bem esclarecida). Pacientes com desordens neoplásicas 
podem ter abundância de células T-supressoras, que ocultam o próprio mecanismo anti-
tumoral. Estudos mostram que a histamina ativa as células T-supressoras através dos 
receptores de histamina (H2), que suprime as respostas mediadas por células e resposta 
imune humoral. A cimetidina parece bloquear a ativação destas células supressoras, 
aumentando a resposta mediada por célula e resposta imune humoral. 
-Cisplatina intralesional (em emulsão de óleos de amêndoas): 
 
 
-Laser de dióxido de carbono nas massas cutâneas: 
*Luz laser transmite mínimo calor (promove pouca necrose), levando a coagulação de 
pequenos vasos sanguíneos e linfáticos e nervos. 
 
 
Cimetidina: 6,5 – 7mg/kg durante 60 dias ou 2,5mg/kg TID durante 90 dias 
Cisplatina: 1mg/ml 
 
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02-Flebite Jugular 
Definição: 
É o processo inflamatório que acomete a veia jugular. 
Etiologia: 
01-Flebite asséptica: 
Por injeções endovenosas com substâncias irritantes (Ex.: gluconato de cálcio, 
fenilbutazona e EGG); 
02-Flebite séptica: 
Localização hematógena de microorganismos (bactérias). Disseminação de 
infecção de tecidos circunvizinhos, principalmente as decorrentes de injeções feitas com 
material contaminado (agulhas e seringas) e cateter trombogênico; 
Sinais clínicos: 
01-Flebite asséptica: 
-Veia encontra-se túrgida em uma determinada região ou em toda sua extensão; 
-Desconforto ao se tocar o vaso, o qual se apresenta duro e cilíndrico (“cabo de 
vassoura”); 
-O fluxo sanguíneo pode estar prejudicado (redução do lúmen); 
-Casos crônicos, há formação de trombos que se desprendem e formam êmbolos 
que se alojam principalmente nos pulmões; 
-Trombos venosos são relativamente comuns no garrotilho (veia jugular e cava 
caudal); 
-Trombose bilateral: 
-Dificuldade de retorno venoso da cabeça; 
-Sonolência; 
-Afecção respiratória grave decorrente de disfagia e falsa via de alimentos; 
02-Flebite séptica: 
-Região da veia tumefeita; 
-Pode drenar pus amarelado ou acinzentado; 
-Pode ocorrer a formação de trombos sépticos que podem se desprender; 
 
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-Fluxo sanguíneo torna-se mais difícil que no caso da asséptica; 
-Em casos unilaterais pode haver compensação do fluxo pelos ramos profundos 
e periféricos; 
-Raramente a infecção pode atingir os tecidos circunvizinhos. 
Diagnóstico: 
 -Anamnese e História Clínica; 
 -Exame Físico; 
 -Exames Complementares: 
-Ultrassonografia (confirmação); 
Tratamento: 
01-Em casos de flebite causada por substâncias irritantes: 
-Tricotomia e desinfecção da região; 
-Pomadas heparinóides (Hirudoid
®
) associadas ao DMSO (fricções 
BID/TID); 
02-Em casos de flebite séptica: 
-Tratamento local com antisséptico e pomadas antibacterianas; 
-Terapia com antibióticos parenteral (EV na veia colateral); 
03-Casos assépticos e unilaterais: 
-Heparina: 
 
-Flunixim-meglumine: 
 
*Nos casos de flebites sépticas poderá ocorrer ruptura da jugular. Nesses casos deve-se 
realiza a ligadura da jugular em seus ramos próximo ao ângulo da mandíbula, com sua 
posterior ressecção; 
-Enxertos homólogos ou substituição por próteses sintéticas. 
 
 
 
Heparina: 40UI/kg SID/BID 
Flunixim-Meglumine: 1,1mg/kg IM ou VO 
 
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03-Habronemose Cutânea 
Definição: 
É uma enfermidade parasitária que acomete eqüídeos, ocasionada pela invasão 
de larvas de Habronemasp. em ferimentos, levando a formação de granulomas cutâneos 
ulcetativos crônicos. 
Sinônimos (de acordo com a região): 
-Ferida de verão; 
-Câncer do pântano; 
-Bursatte; 
-Feridas estivais; 
-Ferida dos machos; 
-Esponja; 
Etiologia: 
01-Habronema muscae e H. micróstoma 
-Desenvolvem-se próximo ou no interior da mucosa do estômago sem a 
formação de nódulos; 
-Usam a Musca doméstica como hospedeiro intermediário (podem usar outras 
espécies de mucideos); 
02-Draschiamegastoma 
-Produz nódulos gástricos com formação de nódulos de dimensões variáveis na 
região glandular, junto à margo plicatus (mais patogênica); 
-Usa a Stomoxys calcitrans como hospedeiro intermediário;