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Alergia Alimentar — o Novo Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar (2018)

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Alergia Alimentar — o Novo Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar (2018)
Artigo originalmente publicado em www.PORTALPED.com.br
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Neste material especial, descrevemos os três grupos de classificação das reações de hipersensibilidade aos
alimentos, explicamos qual a real influência de alimentos classicamente relacionados às alergias (como leite de
vaca) na saúde, como os carboidratos podem ser, também, desencadeantes de reações e quais são os fatores
de risco e as manifestações clínicas mais comuns no tratamento pediátrico.
O ESTUDO
Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar 2018
Parte 1 – Etiopatogenia, clínica e diagnóstico.
Dirceu Solé, Luciana Rodrigues Silva, Renata Rodrigues Cocco, Cristina Targa Ferreira,
Roseli Oselka Sarni, Lucila Camargo Oliveira, Antonio Carlos Pastorino et al.
Arquivos de Asma, Alergia e Imunologia, 2(1): 7 – 38, 2018.
 
Classificação
As reações de hipersensibilidade aos alimentos podem ser classificadas de acordo com o mecanismo
imunológico envolvido. Os três grupos são:
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Reações mediadas por IgE
Decorrem de sensibilização a alérgenos alimentares, com formação de anticorpos específicos da classe
IgE, determinando a liberação de mediadores vasoativos e citocinas Th2, que induzem as manifestações
clínicas de hipersensibilidade imediata.
Exemplos mais comuns: reações cutâneas (urticária, angioedema), gastrintestinais (edema e prurido de
lábios, língua ou palato, vômitos e diarreia), respiratórias (broncoespasmo, coriza) e reações sistêmicas
(anafilaxia e choque anafilático).
 
Reações mistas (mediadas por IgE e hipersensibilidade celular)
Neste grupo, estão incluídas as manifestações decorrentes de mecanismos mediados por IgE, associados
à participação de linfócitos T e de citocinas pró-inflamatórias.
Exemplos: esofagite eosinofílica, gastrite eosinofílica,gastrenterite eosinofílica, dermatite atópica e a
asma.
 
Reações não mediadas por IgE
São aquelas caracterizadas pela hipersensibilidade mediada por células. Embora pareçam ser mediadas
por linfócitos T, há muitos pontos que necessitam ser estudados em profundidade nesse tipo de reações.
Exemplos: quadros de proctite, enteropatia induzida por proteína alimentar (FPIES) e enterocolite
induzida por proteína alimentar.
 
OS ALIMENTOS COM MAIOR POTENCIAL ALERGÊNICO
Apenas cerca de 10% das
alergias em crianças
persistem na idade adulta.
Embora mais de 170 alimentos tenham sido reconhecidos como
potencialmente alergênicos, apenas alguns correspondem à grande maioria
dos casos, sendo estes os que devemos focar inicialmente a restrição em
casos suspeitos:
leite
ovo
trigo
soja (mais comuns na faixa pediátrica)
peixes/frutos do mar e oleoginosas
castanhas/nuts (mais comuns em adultos).
 
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CARBOIDRATOS COMO ALÉRGENOS?
Apesar do conceito clássico de alérgeno envolver proteínas que suscitam uma resposta de hipersensibilidade,
há alguns poucos alérgenos compostos por carboidratos.
O mecanismo pelo qual estes compostos conseguem estimular a produção de IgE específica ainda não é muito
conhecido, mas estima-se que, ao conjugarem-se com uma proteína do organismo, os carboidratos seriam
capazes de estimular a síntese de IgE específica via receptores presentes na superfície de linfócitos B.
Os principais alérgenos compostos por açúcares são:
Futoses ou xiloses: inespecíficas e se ligam a glucanas presentes em uma série de frutas e
invertebrados, mas não em vertebrados. Por serem capazes de suscitar uma resposta imunológica
e estarem presentes em virtualmente todas as plantas, são conhecidas como CCDs (sigla
para cross-reactive carbohydrate determinant). Quando há suspeita de alergia a muitas plantas e
se detecta a IgE específica a este componente, há grande chance de reatividade cruzada sem
reatividade clínica efetiva;
Alfa-gal (nome completo: Gal-a1-3Gal-ß-3GlcNAc): trata-se de um açúcar presente na 
carne de
todos os mamíferos, com exceção dos primatas. A sensibilização ocorre quando o indivíduo entra
em contato com o alérgeno através da picada de carrapato. Sintomas tardios, incluindo anafilaxia
(3 a 5 horas), podem ocorrer, geralmente após a ingestão de carnes.
Nota do autor
Um conceito que deve ficar bem claro — que muitos pacientes confundem, inclusive induzidos por modismos, e
que, infelizmente, temos visto muitos médicos confundindo também — é o de que não existe alergia à
lactose.
A intolerância à lactose é uma entidade sem relação direta às alergias, e é discutida em tópico à parte. É certo
que um individuo com alergia à proteína do leite de vaca (APLV), ingerindo fórmula sem lactose ou nenhuma
lactose durante período prolongado (ou pacientes com enterite alérgica), pode ter redução na produção de
lactase e apresentar uma intolerância secundária temporária. Por isso, ao se realizar teste de provocação oral
(TPO), devem-se utilizar leites sem lactose, para não haver confundimento nos sintomas. Pode-se introduzir
paulatinamente a lactose posteriormente, se for o caso.
 
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Reatividade cruzada entre alérgenos
Vários alérgenos podem produzir reações cruzadas entre os alimentos. Estas ocorrem quando duas proteínas
alimentares compartilham parte de uma sequência de aminoácidos que contêm um determinado epítopo
alergênico.
As principais proteínas causadoras de reatividades cruzadas com alimentos estão resumidas na Tabela abaixo.
Vale ressaltar, entretanto, que reatividade laboratorial pode não se refletir em reatividade clínica.
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Aditivos alimentares
Os aditivos alimentares são representados por antioxidantes, flavorizantes, corantes, conservantes ou
espessantes.
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Apesar de serem frequentemente relacionados a reações adversas, os relatos relacionados à alergia que
puderam ser confirmados são raros e descritos de maneira isolada. Há uma evidente discrepância entre a
prevalência de reações adversas a aditivos que é referida pelo paciente ou seus pais (7%) e a prevalência
obtida após a realização de TPO (0,01–0,23%). Reações a aditivos podem ser consideradas em pacientes com
história de sintomas a múltiplos aditivos e a alimentos mal referidos, ou quando o mesmo alimento provocar
reações quando ingerido na forma industrializada e não na forma “caseira”. A única maneira de se fazer o
diagnóstico da reação aos aditivos é por TPO.
À exceção do vermelho carmim, um corante de origem proteica, não existem métodos laboratoriais, in vivo ou
in vitro, que possam servir como parâmetro.
 
Fatores de risco para alergia alimentar
Herança genética
Estima-se que os fatores genéticos exerçam papel fundamental na expressão da doença alérgica,
especialmente nas formas mediadas pela IgE. Embora não haja, no momento, testes genéticos
diagnósticos disponíveis, a história familiar de atopia ainda é o melhor indicativo de risco para o seu
aparecimento.
Em estudo com lactentes comprovadamente diagnosticados com alergia alimentar, o risco de alergia
alimentar foi aumentado para 40% se um membro da família nuclear apresentasse qualquer doença
alérgica, e em 80% quando isto aconteceu em dois familiares próximos.
 
Fatores dietéticos
Alimentação da gestante e da nutriz
A alimentação bem balanceada ajuda a modular o perfil imunológico do bebê. O papel da dieta na
gestante no desenvolvimento de alergia alimentar ainda