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A EXECUÇÃO INEFICAZ DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE DENTRO DO SISTEMA CARCERARIO BRASILEIRO

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do Comando sabe a 
função que lhe compete de acordo com sua capacidade para exercê-
la. 
13. Temos que permanecer unidos e organizados para evitarmos que 
ocorra novamente um massacre semelhante ou pior ao ocorrido na 
Casa de Detenção em 02 de outubro de 1992, onde 11 presos foram 
covardemente assassinados, massacre este que jamais será 
esquecido na consciência da sociedade brasileira. Porque nós do 
Comando vamos mudar a prática carcerária, desumana, cheia de 
injustiças, opressão, torturas, massacres nas prisões. 
14. A prioridade do Comando no montante é pressionar o 
Governador do Estado à desativar aquele Campo de Concentração " 
anexo" à Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, de onde surgiu 
a semente e as raízes do comando, no meio de tantas lutas inglórias 
e a tantos sofrimentos atrozes. 
16. Partindo do Comando Central da Capital do KG do Estado, as 
diretrizes de ações organizadas simultâneas em todos os 
estabelecimentos penais do Estado, numa guerra sem trégua, sem 
fronteira, até a vitória final. 
16. O importante de tudo é que ninguém nos deterá nesta luta 
porque a semente do Comando se espalhou por todos os Sistemas 
Penitenciários do estado e conseguimos nos estruturar também do 
lado de fora, com muitos sacrifícios e muitas perdas irreparáveis, 
mas nos consolidamos à nível estadual e à médio e longo prazo nos 
consolidaremos à nível nacional. Em coligação com o Comando 
Vermelho – CV e PCC iremos revolucionar o país dentro das prisões 
e nosso braço armado será o Terror "dos Poderosos" opressores e 
tiranos que usam o Anexo de Taubaté e o Bangú I do Rio de Janeiro 
como instrumento de vingança da sociedade na fabricação de 
monstros. 
Conhecemos nossa força e a força de nossos inimigos Poderosos, 
mas estamos preparados, unidos e um povo unido jamais será 
vencido. 
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LIBERDADE! JUSTIÇA! E PAZ! 
O Quartel General do PCC, Primeiro Comando da Capital, em 
coligação com Comando Vermelho CV UNIDOS VENCEREMOS 
Outra grande facção criminosa é o Comando Vermelho (CV), nascido no 
Estado do Rio de Janeiro, foi considerada uma das organizações mais poderosa na 
década de 1980, porém com a prisão e morte de alguns de seus lideres, perdeu um 
pouco dessa força. 
Considerada a maior facção do crime organizado fluminense, o 
comando vermelho dominava, até 2009, 77 áreas no Rio, 31,4% do 
total. No entanto sofreu um grande revés com a reocupação pelo 
Estado na Favela do Alemão, em 2010, o que enfraqueceu o grupo. 
(FAVERO; FREITAS, 2012) 
Assim como as empresas fazem fusões, as facções criminosas se unem, 
coligando uma com a outra, com objetivos de se fortalecerem e se espalharem, 
permitindo assim dominar mais áreas, inclusive internacionais. 
Essas transformações começaram após a década de 1970, com 
mais frequência após o fim da ditadura. Assim, os últimos 25 anos 
presenciaram o fortalecimento do crime organizado, com 
ramificações nas mais diversas formas de atividades ilícitas, do 
narcotráfico à extorsão e corrupção, passando pela prostituição, 
tráfico de pessoas e órgãos, tráfico de armas e lavagem de dinheiro. 
Além do caráter empresarial, as organizações criminosas têm 
cooperado entre si e formado verdadeiros conglomerados 
transnacionais promotores de delitos. (GONÇALVES, 2006). 
Uma das principais formas de obtenção de lucro dessas facções é o trafico 
de entorpecentes, atividade que gera milhões em dinheiro para cada facção. 
Segundo informações colhidas pelo Escritório das Nações Unidas sobre drogas e 
crime (Unodc), no ano de 2009 foi movimentado cerca de US$ 1,6 bilhão, 
equivalente a 2,7% do Produto interno Bruto (PIB) mundial. 
No mercado interno, a venda de cocaína, maconha, crack, ecstasy e 
heroína movimenta o suficiente para comprar 13 bancos Mercantil do 
Brasil, 19 fábricas de brinquedo Tectoy ou 13 refinarias de petróleo 
Manguinhos, tomando como referência o valor de mercado dessas 
empresas no fim do ano passado. Já a movimentação financeira do 
tráfico no mundo equivale a três vezes o faturamento de 2009 da 
Petrobras e bate a soma das receitas brutas da estatal do petróleo, 
do Itaú, do Banco do Brasil, do Bradesco e da Vale no mesmo 
período. 
Os números relativos ao faturamento no mercado interno foram 
estimados pela reportagem a partir do cruzamento de dados 
constantes no último relatório mundial do escritório da Organização 
das Nações Unidas Sobre Drogas e Crimes (Undoc). (CASTRO; 
FURBINO, 2010) 
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Crime que tem cooperado muito para o aumento do número de detentos, 
nos precários estabelecimentos carcerários, numa tentativa de combate ao 
narcotráfico, prendem todos de forma arbitraria, sem observar a Lei de Drogas. 
Promulgada em agosto de 2006, a Lei 11.343, chamada Nova Lei de 
Drogas e Entorpecentes, alterou os dispositivos da Lei 6.368/76 
visando a resolver uma problemática antiga: O Tráfico de Drogas no 
Brasil. 
Além de tornar mais severas as penas aos incursos em tráfico de 
drogas, a lei nova passou a penalizar o uso de entorpecentes com 
sanções diversas da pena privativa de liberdade (prisão). Fator este 
que, à primeira vista, poderia contribuir para a diminuição ou 
estabilização do número de presos por drogas (sobretudo num país 
onde a regra é o cárcere e os presídios estão absurdamente 
superlotados). 
Contudo, os estudos realizados pelo Instituto de Pesquisa e de 
Cultura Luiz Flávio Gomes (IPC-LFG), baseados nos números 
divulgados pelo DEPEN (Departamento Penitenciário Nacional), 
apontaram exatamente o contrário. (GOMES, 2012) 
Desta forma, o estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa e de Cultura Luiz 
Flavio Gomes (IPC-LFG), apontam que após a criação da Lei de Drogas, em vez de 
diminuir o número de detentos nos presídios brasileiro, pelo contrario, aumentou 
drasticamente. 
Em dezembro de 2006 o número total de presos no Brasil era de 
401.236 detentos, sendo 45.133 (ou 11,2%) presos por drogas; em 
dezembro de 2010, o total de presos era de 496.251 detentos, sendo 
100.648 (ou 20,3%) por drogas. Ou seja, o percentual de presos por 
entorpecentes praticamente dobrou no período mencionado. 
Assim, nesses quatro anos (2006/2010), houve um crescimento de 
123% no número absoluto de presos por drogas. Enquanto que, no 
mesmo período, o crescimento no número total de presos foi de 
apenas 24%. (GOMES, 2012) 
Dados mais recentes ainda, colhidos no ano de 2011 do Infopen (Sistema 
Integrado de Informações Carcerárias) pelo IPC-LFG mostram que 60% das prisões 
femininas e 21% das masculinas, levando em consideração todos os crimes, se 
fundamentam no tráfico de entorpecentes. 
Embora a Lei 11.343/06 determine a pena de prisão apenas para o 
traficante, devendo ao usuário ser imposta uma pena de advertência, 
multa ou medida educativa (art. 28), cabe à autoridade judicial (a 
partir da análise da quantidade de entorpecentes apreendida, dentre 
outros critérios), de forma definitiva, decidir quem é traficante e quem 
é usuário (art. 28, §2º). É aqui que reside o risco (para não dizer a 
certeza) do aprisionamento indevido de inúmeros usuários. Os 
critérios dados pela lei são, em geral, subjetivos, dando margem a 
abusos e imprecisões. (GOMES, 2012) 
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Acontece que como fica a critério do juiz decidir quem é o traficante e quem 
é o usuário, em muitos casos, muitos usuários são tratados como traficantes e na 
maioria das vezes são indiciados pelo crime de trafico com uma quantia muito 
pequena de droga. 
Conforme o “Psicoblog” “A partir da análise de 667 autos de flagrante 
de tráfico de drogas foi constatado que a média das apreensões é de 
apenas 66,5 gramas. Somente em 7% dos casos os detidos 
portavam mais de 100 gramas de maconha, em 6,5% estavam com a 
mesma quantidade ou mais de cocaína. A pesquisa ainda apontou 
que 57% dos acusados não apresentavam antecedentes criminais e 
43%

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