A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
47 pág.
A EXECUÇÃO INEFICAZ DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE DENTRO DO SISTEMA CARCERARIO BRASILEIRO

Pré-visualização | Página 3 de 13

(BITENCOURT, 
2001, p. 14) 
De extrema importância foram os filósofos da Grécia, entre eles Aristóteles 
citado por Cesar Roberto Bitencourt (2013, p. 72), que antecipou a necessidade do 
livre-arbítrio, uma das origens da ideia de culpabilidade, firmado primeiramente no 
campo da filosofia para depois ser levado para o jurídico. Platão em As Leis expõe 
suas ideias referentes à prisão implantadas na Grécia, prevendo já a prisão como 
sanção penal: 
Haverá na cidade três prisões: uma delas situada na praça pública, 
comum à maioria dos delinquentes, que assegurará a guarda dessas 
pessoas; a segunda no lugar de reunião do conselho noturno, que se 
chamará casa de correção ou reformatório; a terceira no centro do 
país, no lugar mais deserdo e mais agreste possível, terá um 
sobrenome que indique seu caráter punitivo. 
Na Grécia antiga a prisão era também utilizada como local para a aplicação 
de torturar (suplício) e da pena de morte, além de reter os devedores até que 
quitassem as suas dividas. 
Grécia e Roma conheceram a prisão somente como função de custódia para 
impedir que o acusado pudesse fugir do castigo, a prisão não era utilizada como é 
modernamente empregada, como cumprimento de pena. 
Pode-se afirmar que de modo algum podemos admitir nessa fase da 
História sequer um germe da prisão como lugar de cumprimento de 
pena, já que praticamente o catálogo de sanções esgotava-se com a 
morte, penas corporais e infamantes. A finalidade da prisão, portanto, 
restringia-se à custódia dos réus até a execução das condenações 
referidas, a prisão dos devedores tinha a mesma finalidade: garantir 
que eles cumprissem as suas obrigações. (BITENCOURT, 2013, p. 
569) 
Como podemos observar, as civilizações antigas como Babilônia, Grécia, 
Egito utilizaram a prisão com o mesmo objetivo, ou seja, “ad custodiendum” – ter o 
réu seguro. 
13 
 
Em fim, com a invasão dos bárbaros e a queda de Roma, chega ao fim à 
idade Antiga. 
1.2 A IDADE MÉDIA E A PRIVAÇÃO DA LIBERDADE 
Entende-se por Idade Média o período decorrente do século V até meados 
do XV. Durante a Idade Média a pena privativa de liberdade não aparece e 
continuam sendo aplicadas as penas cruéis, penas corporais, como por exemplo, a 
amputação de braços, de pernas, de olhos, de línguas, dentes dentre outras, porem 
surgem pensamentos acerca da pena de prisão que até então permanece com o 
mesmo objetivo, ou seja, ter o acusado seguro. Há uma clara predominância do 
Direito Germânico durante toda a Idade Média que por Cesar Roberto Bitencourt: [...] 
não era composto de leis escritas, caracterizando-se como um Direito 
Consuetudinário. O Direito era concebido como uma ordem de paz e a sua 
transgressão como ruptura da paz, pública ou privada, segundo a natureza do crime, 
privado ou público. 
Durante todo o período da Idade Média, a ideia de pena privativa de 
liberdade não aparece. Há, nesse período, um claro predomínio do 
direito germânico. A provação da liberdade continua a ter uma 
finalidade custodial, aplicável àqueles que seriam submetidos aos 
mais terríveis tormentos exigido por um povo ávido por distrações 
bárbaras e sangrentas, a amputação de braços, pernas, olhos, 
línguas, mutilações diversas, queima de carne a fogo, e a morte, em 
suas mais variadas formas, constituem o espetáculo favorito das 
multidões desse período histórico. (BITENCOURT, 2001, p. 8) 
Uma das características do Direito Germânico foi à responsabilidade objetiva 
com a máxima: o fato julga o homem, não havia a necessidade de saber se o crime 
resultou de dolo ou culpa o que importava era o resultado causado. Então uma 
determinada pessoa que rompia com a paz, por crime público, perdia a proteção da 
sociedade ficando a mercê pra quem a quisesse matar. E quando se tratava de 
crime privado, o criminoso era entregue a vítima e seus familiares para que 
exercessem o direito de vingança, conhecida como vingança de sangue. 
Os povos germânicos também conheceram a vingança de sangue, 
que somente em etapas mais avançadas, com o fortalecimento do 
poder estatal, foi sendo gradativamente substituída pela composição, 
voluntaria, depois obrigatória. Com a instalação da Monarquia, 
começa a extinção paulatina da vingança de sangue. 
(BITENCOURT, 2013, p. 75) 
14 
 
Assim como aconteceu em outras civilizações, a vingança de sangue, 
vingança privada foi sendo substituída pela composição, que consistia, em geral, no 
dever de compensar em pecúnia o prejuízo causado a vítima. 
Nessa época surgem também as prisões de Estado e as prisões 
eclesiásticas. As prisões de Estados eram destinadas aos inimigos do Rei, por quem 
cometia crimes de traição e também os adversários políticos dos governantes. E as 
prisões eclesiásticas, destinadas aos clérigos rebeldes para que por meio de oração 
e penitencia se arrependessem do mal causado. A igreja impunha um sentido de 
penitência e meditação a estas prisões, que mais tarde serviu de base para o direito 
penal. 
1.2.1 Direito Canônico. Provável origem da privação da liberdade como pena 
Durante a Idade Média, prevaleceu como já exposto, o Direito Germânico, 
porem surge também na Idade Média, o Direito Canônico, ou seja, o ordenamento 
jurídico da Igreja Católica Apostólica Romana, impondo leis ao Estado, trazendo 
uma forte influência para a pena privativa de liberdade dos dias atuais, já que com o 
intuito de purgar seus monges do pecado, fez uso da prisão na medida em que 
recolhia e isolava os religiosos em celas, para uma melhor reflexão dos pecados 
cometidos. 
A prisão eclesiástica, por sua vez, destinava-se aos clérigos rebeldes 
e respondia as ideias de caridade, redenção e fraternidade da igreja, 
dando ao internamento um sentido de penitencia e meditação. 
Recolhiam os infratores em uma ala dos mosteiros para que, por 
meio da penitência e oração, se arrependessem do mal causado e 
obtivessem a correção ou emenda. (BITENCOUT, 2013, p. 570) 
O Direito canônico nasce da necessidade de dirimir os conflitos existentes 
na sociedade cristã que nos primórdios da sociedade baseada em Cristo, com seus 
poucos adeptos, consistia basicamente em uma espécie de conciliação para 
resolver os litígios religiosos. 
Acredita-se, desse modo, que o instituto da conciliação, não referido 
pelas fontes do direito romano, teria surgido no âmbito do direito 
canônico. Tal instituto não se confundia com a espécie da transação 
romana prevista na lei das XII tábuas. A conciliação pressupunha a 
presença de um conciliador e o objetivo que a motivava era religioso, 
ao contrário da transação que almejava exclusivamente bens 
materiais. (ALMODOVA, 2004, p. 15) 
15 
 
Com o passar dos tempos e o aumento extraordinário dos adeptos ao 
cristianismo, consequentemente aumenta-se os conflitos religiosos, tornando-se 
necessário a regulamentação do processo canônico. 
A regulamentação do processo canônico previa os delitos eclesiásticos, da 
competência dos tribunais eclesiásticos, os delitos meramente seculares que 
competia aos tribunais leigos e os delitos mistos que envolviam tantos os delitos 
eclesiásticos, quanto os delitos seculares, julgados pelo tribunal que primeiro deles 
tivesse o conhecimento. 
As penas impostas por estes crimes visavam à justa retribuição, bem como 
ao arrependimento e a emenda do condenado. Poderiam ser elas espirituais 
(excomunhão, penitencia) ou temporais. 
O Direito Canônico contribuiu consideravelmente para o surgimento 
da prisão moderna, especialmente no que se refere as primeiras 
ideias sobre reforma do delinquente. Precisamente do vocábulo 
“penitencia”, de estreita vinculação com o Direito Canônico, surgiram 
às palavras “penitenciário” e “penitenciaria”. Essa influencia veio 
completar-se com o predomínio

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.