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A EXECUÇÃO INEFICAZ DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE DENTRO DO SISTEMA CARCERARIO BRASILEIRO

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movidas a remo, amplamente 
utilizadas no Mar Mediterrâneo desde a Antiguidade, muitos homens 
foram submetidos a grandes privações e dificuldades. (SILVA, 2011) 
Outro motivo para o surgimento da pena de prisão foi o contrato social do 
século XVIII que se fosse violado seria passível de uma sanção e como a sociedade 
daquele tempo não possuíam riquezas, optaram por tirar do individuo que lhe era 
mais precioso, ou seja, a liberdade. 
[...] Quando um cidadão não paga uma indenização devida como 
resultado da violação de um contrato é forçado a fazê-lo (dele é 
expropriado algo de valor), mas os homens dessa massa 
criminalizada nada possuíam. O que deles se expropriava? A única 
coisa que podiam oferecer no mercado: sua capacidade de trabalho, 
sua liberdade. ZAFFARONI e PIERANGELI (2002, p. 263) 
Portanto, a prisão como pena da Idade Moderna surge com o fim do 
absolutismo e inicio do capitalismo e é fruto da evolução e da somatória de varias 
influencias históricas. Desde a Antiguidade as prisões de custódia, em sua maioria, 
com trabalhos forçados, já estava presente no inconsciente coletivo do homem. 
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Porém, como visto, foi à igreja que revelou a possibilidade de prisão 
penitência. 
[...] A Igreja, não admitindo entre as suas penas, a de morte, teve, 
desde tempos remotos, locais de recolhimento para quem desejava 
aperfeiçoar-se, neles se retirando a fim de fazer penitência [...], eram 
esses os penitenciários, de cuja evolução resultariam as prisões para 
cumprimento de pena, as penitenciárias, denominação essa que foi 
adotada pela Justiça secular (ou laica) quando adotou a privação de 
liberdade, com recolhimento a estabelecimento adequado, como 
pena. Miotto (1992, p.25) 
E ainda MELOSSI (apud BITENCOURT, 2013, p. 575) diz que: 
“É na Holanda, na primeira metade do século XVII, onde a nova 
instituição de casa de trabalho chega, no período das origens do 
capitalismo, à sua forma mais desenvolvida. É que a criação desta 
nova e original forma de segregação punitiva responde mais a uma 
exigência relacionada ao desenvolvimento geral da sociedade 
capitalista que a genialidade individual de algum reformador”. 
1.3.1 O Iluminismo como forma mais humana para a aplicação da pena 
O Iluminismo trata de um movimento de reação ao absolutismo até então 
vivido na Europa, trazendo varias mudanças consideráveis, desde a arte à estrutura 
politico-jurídica do Estado. 
Os iluministas defendiam a criação de escolas para que o povo fosse 
educado e a liberdade religiosa. Para divulgar o conhecimento, os 
iluministas idealizaram e concretizaram a ideia da Enciclopédia 
(impressa entre 1751 e 1780), uma obra composta por 35 volumes, 
na qual estava resumido todo o conhecimento existente até então. 
(PACIEVITCH, 2014) 
Em particular para o direito penal, depois de uma longa tradição na 
aplicação de penas cruéis, insegurança jurídica e arbítrio judiciário, inaugura-se uma 
fase de execução da pena baseada em parâmetros racionais e no respeito à 
condição humana, conhecido como o movimento reformador. 
As leis em vigor inspiram-se em ideias e procedimentos de excessiva 
crueldade, prodigalizando os castigos corporais e a pena capital. O 
Direito era um instrumento gerador de privilégios, o que permitia aos 
juízes, dentro do mais desmedido arbítrio, julgar os homens de 
acordo com sua condição social. Inclusive os criminalistas mais 
famosos da época defendiam em suas obras procedimentos e 
instituições que respondiam à dureza de um rigoroso sistema 
repressivo. (BITENCOURT, 2013, p. 79) 
Cansados de tanta crueldade, de tanta arbitrariedade e de ver tanta injustiça, 
em meados do XVIII os grandes pensadores da época dedicam-se em suas obras a 
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frear os legisladores na criação de leis penais, por meio da defesa das liberdades 
individuais e dos princípios que permeiam a dignidade do homem. 
As correntes iluministas e humanitárias, das quais Voltaire, 
Montesquieu e Rousseau foram fiéis representantes, realizam uma 
severa crítica dos excessos imperantes na legislação penal, 
propondo que o fim do estabelecimento das penas não deve 
constituir em atormentar um ser sensível. (BITENCOURT, 2013, p. 
80) 
Além dos ilustres filósofos Voltaire, Montesquieu e Rousseau, em particular 
o italiano Cesare Beccaria, jurista, filósofo com a sua obra mais importante, Dei 
delitti e delle Pene, um importante marco na historia do direito penal, iniciando 
definitivamente o direito penal moderno, por meio da qual crítica a crueldade do 
sistema punitivo, defendendo a humanização das penas que não poderiam consistir 
em um ato de violência contra o cidadão, devendo ser pública, proporcional ao delito 
e previamente determinada pela lei. Destarte, fazendo que sua mais famosa obra do 
ano de 1764 continue atual nos dias contemporâneos. 
Segundo Bitencourt (2013, p.82) alguns autores consideram Beccaria como 
um antecedente, mediato, dos delineamentos da defesa social, em especial por sua 
recomendação de que “é melhor prevenir o crime do que castigar”. 
Embora Beccaria tenha concentrado mais o seu interesse sobre 
ostros aspectos do Direito Penal, expôs também algumas ideias 
sobre a prisão que contribuíram para o processo da humanização e 
racionalização da pena privativa de liberdade. Não renuncia a ideia 
de que a prisão tem um sentido punitivo e sancionatório, mas já 
insinua uma finalidade reformadora da pena privativa de liberdade. 
Os princípios reabilitadores e ressocializadores da pena têm como 
antecedente importante os delineamentos de Beccaria, já que a 
humanização do direito penal e da pena são um requisito 
indispensável. (BITENCOUT, 2013, p. 82) 
Enfim, com o Iluminismo trazendo a razão como forma de responder as 
questões da humanidade que até então se pautavam na fé e na religião e no 
absolutismo, em particular com a humanização do Direito Penal e em especial a 
pena privativa de liberdade. 
 
 
 
 
 
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Capítulo 2. 
2 FINALIDADES DA PENA 
Encontra-se inserido no segundo capitulo os fins a que a pena se destina, 
através de suas teorias: absolutista, a qual retribui o mal causado pelo criminoso; 
relativa ou utilitária, que visa prevenir de forma que o criminoso não volte a cometer 
o crime; e a mista/unificadora que une as outras duas teorias, ou seja, retribuição e 
prevenção, porém com a finalidade de ressocializar o condenado. Num primeiro 
momento busca-se o conceito sobre o que vem a ser a pena, tanto no sentido 
etimológico da palavra, quanto o seu caráter de sanção aplicada hoje em dia pelo 
Estado. 
2.1 CONCEITO DE PENA 
Antes de chegar aos fins que as penas se destinam, faz-se necessário 
buscarmos o conceito de pena. 
Segundo a pagina origemdapalavra.com.br, etimologicamente a palavra 
pena vem do latim poene que por sua vez teria derivado do grego poine, que 
significa vingança. Porém esse sentido foi se perdendo com o passar do tempo. 
Atualmente entende-se pena como uma sanção imposta pelo Estado a uma 
pessoa que violou o contrato social, ou seja, Soler (1992, p. 400) aponta que: “a 
sanção aflitiva imposta pelo Estado, mediante ação penal, ao autor de infração 
(penal), como retribuição de seu ato ilícito, consistente na restrição ou privação de 
um bem jurídico” 
Desde os primórdios da civilização o homem busca uma maneira de reprimir 
um mal causado por outrem, evoluindo com o passar dos tempos e chegando aos 
dias atuais. Bitencourt (2003, pg. 65) acredita que: (...) “sem a pena não seria 
possível à convivência de nossos dias, entende que a pena, constitui um recurso 
elementar com que conta o Estado, e ao qual recorre, quando necessário para 
tornar possível a convivência entre os homens”. 
A pena deve ser encarada sobre três aspectos: substancialmente 
consiste

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