INSUFICIÊNCIA CARDÍACA
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INSUFICIÊNCIA CARDÍACA


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Roteiro  elaborado  pelo  aluno  de 
mestrado  em  Fisiologia  e  Bioquímica 
Odair Alves da Silva, sob  supervisão 
do Prof. Dr. Carlos Peres da Costa. 
 
 
 
 
 
 
 
Recife 
2008 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
DEFINIÇÃO ......................................................................................................................................... 3 
ASPECTOS HISTÓRICOS ....................................................................................................................... 4 
CLASSIFICAÇÃO .................................................................................................................................. 7 
INSUFICIÊNCIA CARDÍACA ANTERÓGRADA E RETRÓGADA .................................................................. 7 
DISFUNÇÃO SISTÓLICA E DIASTÓLICA ................................................................................................. 8 
DISFUNÇÃO ESQUERDA E DIREITA ...................................................................................................... 9 
MECANISMOS ADAPTATIVOS ............................................................................................................ 10 
INTERAÇÕES ENTRE O MECANISMO DE FRANK\u2010STALING E O SISTEMA NERVOSO ADRENÉRGICO ........ 11 
REDISTRIBUIÇÃO DO DÉBITO VENTRICULAR ESQUERDO ........................................................................................ 12 
DISFUNÇÃO ENDOTELIAL .............................................................................................................................. 12 
ALTERAÇÕES NA PAREDE VASCULAR ................................................................................................................ 12 
2,3\u2010DIFOSFOGLICERATO .............................................................................................................................. 12 
CONTRATILIDADE DO MIOCÁRDIO EM INSUFICIÊNCIA E HIPERTROFIADO ................................................................ 12 
HIPERTROFIA MIOCÁRDICA ............................................................................................................... 13 
FISIOPATOLOGIA DA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA DIASTÓLICA .............................................................. 16 
ALTERAÇÕES NAS PROPRIEDADES DIASTÓLICAS ................................................................................ 16 
ALTERAÇÕES CRÔNICAS NAS RELAÇÕES PRESSÃO\u2010VOLUME DIASTÓLICAS VENTRICULARES ................ 16 
MECANISMOS CELULARES E MOLECULARES DE DISFUNÇÃO MIOCÁRDICA ......................................... 17 
ACOPLAMENTO EXCITAÇÃO\u2010CONTRAÇÃO E O PAPEL DO CÁLCIO ............................................................................ 17 
APARELHO CONTRÁTIL ................................................................................................................................. 18 
ENERGÉTICA DO MIOCÁRDIO ......................................................................................................................... 18 
AJUSTES NEURO\u2010HUMORAIS ............................................................................................................. 19 
SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO ....................................................................................................... 20 
RECEPTORES ADRENÉRGICOS ........................................................................................................................ 22 
FUNÇÃO PARASSIMPÁTICA NA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA .................................................................................... 23 
SISTEMA RENINA\u2010ANGIOTENSINA ...................................................................................................... 23 
VASOPRESSINA (ADH) ....................................................................................................................... 25 
PEPTÍDEOS NATRIURÉTICOS .............................................................................................................. 26 
ENDOTELINA ..................................................................................................................................... 26 
CITOCINAS ........................................................................................................................................ 27 
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................... 29 
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DEFINIÇÃO 
Definir  a  insuficiência do  coração não  constitui  uma  simples  tarefa. Ainda 
que  a  definição  usual  desta  síndrome  clínica  enfatize  a  ineficiência  do  coração 
como  bomba,  na  verdade,  existe  muito  mais  do  que  um  comprometimento  na 
transferência de sangue das veias para as artérias. Os principais achados clínicos 
incluem  freqüentemente  anormalidades  em  outros  órgãos,  como  por  exemplo,  o 
acúmulo  de  sangue  nos  pulmões,  levando  a  dificuldades  respiratórias.  Esta 
congestão pulmonar pode piorar por  conta da  retenção de  água  e  sal  pelos  rins, 
que é a resposta renal a um baixo débito cardíaco.  
Outro problema em definir a insuficiência cardíaca (IC) é que não se trata de 
uma  doença,  mas  de  uma  condição  resultante  de  desordens  que  danificam  o 
coração.  Estas  desordens  incluem  doenças  coronárias,  hipertensão,  desordens 
valvulares  e  diversos  tipos  de  cardiomiopatias.  Além disso,  falha  cardíaca  leva  a 
mais falha, originando um ciclo vicioso. 
De modo resumido, a insuficiência cardíaca pode ser conceituada como um 
desordenado  processo  bioquímico  e  biofísico  que  prejudica  a  contratilidade  e 
relaxamento miocárdico.  Algumas dessas anormalidades são deletérias, outras são 
compensatórias, mas a maioria é tanto um quanto outro. Por exemplo, a hipertrofia 
aumenta  a massa do  coração  insuficiente,  isso poderá  compensar  a  resistência  à 
ejeção  que  é  vista  na  hipertensão  arterial,  mas,  ao  mesmo  tempo,  impede  o 
relaxamento e encurta a vida dos miócitos.  
A  insuficiência cardíaca deve ser distinguida da  insuficiência circulatória, 
na qual há uma anormalidade de algum componente circulatório\u2010coração, volume 
sanguíneo,  concentração  de  hemoglobina  oxigenada  no  sangue  arterial  ou  leito 
vascular,  resultando  em  débito  cardíaco  inadequado.  Assim,  insuficiência 
miocárdica,  insuficiência  cardíaca  e  insuficiência  circulatória  não  são  sinônimos, 
mas  se  referem  mais  progressivamente  a  entidades  inclusivas.
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ASPECTOS HISTÓRICOS 
Edema, hidropisia, anasarca e dispnéia são mencionadas nos escritos atribuídos a 
Hipócrates  (460\u2010370,  A.C.),  mas  não  são  apontadas 
correlações  com  o  coração.  A  dispnéia  era  atribuída  por 
Hipócrates  como  resultante  de  muco  frio  que  descia  do 
cérebro para o coração e pulmões, isso causava resfriamento 
do sangue e aumentava a força de pulsação das veias nesses 
órgãos, causando palpitações e dificuldade de respirar (Secret 
disease IX).  
 
Hipócrates  aparenta  ter  encontrado  um  caso  de 
insuficiência  cardíaca  quando  relata  anasarca,  tosse  seca, 
ortopnéia, dispnéia e sufocação em uma paciente no segundo trimestre de gravidez 
e,  provavelmente,  portadora  de  doença  reumática  (Epidemics  VI).  Entretanto, 
apesar  dos  detalhes  ao  citar  os  sinais  e  sintomas  percebidos,  eram  raras  as 
correlações diretas com o coração por se entender muito pouco do funcionamento 
desse órgão. 
Galen  (130\u2010200,  D.C.),  organizou  o  conhecimento  médico  até  então, 
reconheceu  a  natureza  muscular  do  coração  e  reconheceu  que  a  contração  das 
fibras  desse músculo  causaria  a  ejeção  de  sangue  durante  a  sístole.  Ele  também 
descreveu a  \u201csucção\u201d