1   Introducao a Psicomotricidade
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1 Introducao a Psicomotricidade

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CONCEITOS E APRESENTAÇÃO

A psicomotricidade constitui o estudo relativo às questões motoras e psico-
afetivas do ser humano. A mesma seria o ponto de encontro entre a expressão
motora (o que a pessoa faz ) e a característica pessoal-emocional de cada ser
humano (o que a pessoa sente).

 O corpo é o seu ponto de referência e o seu interesse objetivo de estudo.
As alterações corporais constituem-se, assim, no motivo das suas pesquisas e
no da sua intervenção.

 A psicomotricidade será, dessa forma, um tipo de psicoterapia de índole
corporal.

É uma ciência que estuda a conduta motora como expressão do

amadurecimento e desenvolvimento da totalidade psico-física do homem e tem

como um dos objetivos principais fazer com que o indivíduo descubra seu

próprio corpo em relação com o mundo interno e externo, e sua capacidade de

movimento-ação” (Le Boulch, 1980)

O movimento é uma necessidade orgânica; é a base para a organização

física, psíquica, mental e social do homem. Ele vive em unidade com o meio

externo e busca adaptar-se constantemente a ele. (Fonseca, 1998).

DESENVOLVIMENTO NEUROPSICOMOTOR NORMAL

 A partir do nascimento o cérebro infantil encontra-se em constante

evolução

 Através de sua inter-relação com o meio. A criança reconhece o mundo

pelos sentidos, age sobre ele, e esta interação se modifica durante a

evolução, entendendo melhor, pensando de modo mais complexo,

comportando-se de maneira mais adequada, com maior precisão à

medida que domina seu corpo e elabora suas idéias (DIAMENT;CYPEL,

1996).

 Os estágios que caracterizam o desenvolvimento da inteligência da

criança se dividem em três:

 I - Período sensório-motor (do nascimento até dois anos)

 II - Período de operações concretas (dos dois anos até onze

anos)

 III -Período de operações formais (dos onze anos aos doze anos)

 O desenvolvimento motor normal ocorre através da maturação gradual

do controle postural com aprimoramento das reações de retificação e

equilíbrio, que são a base para as atividades normais.

 O desenvolvimento motor tem início ainda na vida intra-uterina, sendo os

movimentos adquiridos pelo recém nascido nada mais que uma

adaptação, modificação e refinamento de padrões de movimentos pré-

existentes.

 A princípio os movimentos do bebê são espontâneos, automáticos ou

acidentais, e, com a repetição, vão se tornando mais controlados.

 Os estímulos sensoriais e o feedback são muito importantes neste

processo. Dentro dos estímulos sensoriais temos o tátil, o labiríntico, o

visual e o proprioceptivo.

 O recém-nascido, examinado em estado de vigília, apresenta um tônus

muscular aumentado (hipertonia) gerando um padrão de flexão a nível

dos quatro membros. A hipertonia auxilia no nascimento da criança

permanecendo por mais ou menos 15 dias.

 Passado a fase hipertônica, o tônus se adequa podendo surgir uma leve

hipotonia. Agitação dos membros, sendo que os membros inferiores

(MMII) são mais ativos com movimentos bruscos, fortes e rítmicos e os

membros superiores (MMSS) apresentam movimentos lentos e

rotatórios.

Os seis reflexos primários principais estão nítidos: deglutição, Moro, Reflexo

Tônico Cervical Assimétrico (RTCA), preensão palmar e plantar, galant e

reação de marcha

Psicomotricidade - intervenção fisioterápica

 É fundamental a importância da intervenção fisioterapêutica na

prevenção dos atrasos neuropsicomotores na criança.

 A pobreza de atividades motoras impostas pela deficiência pode

promover desvios, atrasos e dificuldades na aquisição de habilidades

sensório-motoras, tais como: ajustes do tônus muscular; ajustes

posturais; tendência à hipotonia; mudanças de postura; reações de

endireitamento; reações protetoras; equilíbrio estático e dinâmico;

orientação têmporo-espacial; coordenação motora ampla e fina;

sensibilidade tátil.

 Esses desvios interferem no desenvolvimento global: pessoal/social,

psíquico e cognitivo.

 Através de uma abordagem de ordem prática procuramos mostrar como

a Fisioterapia, utilizando-se de fundamentos da Psicomotricidade, dentro

dos programas de Estimulação Precoce, pode intervir no processo do

desenvolvimento motor da criança como elemento facilitador, permitindo

que ela se desenvolva da forma mais ajustada possível.

ASPECTOS GERAIS DA PSICOMOTRICIDADE
A Psicomotricidade não visa a readaptação funcional ou a supervalorização do
músculo, mas a fluidez do corpo no envolvimento.
O seu fim é permitir uma melhor integração e um melhor conhecimento do
corpo, uma maior capacidade de se situar no espaço, no tempo e no mundo
dos objetos, facilitar e promover uma melhor harmonização na relação com o
outro.(Ajuriaguerra e Soubiran, 1959).

Pesquisas mostram que crianças com bom desenvolvimento psicomotor

exercem maior domínio do ambiente, tornando-se líderes, ao contrário

daqueles que possuem um atraso psicomotor, tem dificuldades em

serem aceitos pelo grupo (Montagnier).

Funções Psicomotoras

 Esquema Corporal;

 Tônus da Postura;

 Coordenações Globais (Motricidade ampla);

 Motricidade Fina;

 Organização Espacial e Temporal;

 Ritmo;

 Lateralidade;

 Equilíbrio e Relaxamento.

PREMISSAS IMPORTANTES

 Saber esperar e escutar;

 Ter em conta a progressão do desenvolvimento neuromotor:

– O sujeito atua das posturas de flexão às de extensão;

– A maturação ocorre do céfalo-caudal ao próximo distal;

– O movimento se organiza da globalidade à independência.

 O movimento se desenvolve desde situações passivas a uma

progressiva dinâmica

 As propostas lúdicas devem orientar-se para a participação criadora da

criança, facilitando a expressão de seus sentimentos e contribuindo para

o desenvolvimento de habilidades cognitivas.

 A terapia não é local para subestimar ou superestimar o paciente. As

técnicas corretas e aplicáveis devem ser estimuladas.

 Estimular a participação dos familiares.

CONCLUSÃO

A psicomotricidade contribui significativamente nos Programas de

Estimulação Precoce, enriquecendo e aprofundando as condutas utilizadas na

intervenção fisioterápica no que se refere à prevenção do atraso motor da

criança nos primeiros dois anos de vida.

A criança é um ser único e deve ser respeitada com suas limitações e

características próprias. Há que se valorizar, porém, todo seu potencial

positivo. Ele possibilita o desenvolvimento infantil quando uma deficiência se

faz presente.

A Fisioterapia, revestida dos aspectos educacionais e psicomotores, atuam

acompanhando e intervindo, durante todo o processo do desenvolvimento da

criança, despertando nela o interesse em cumprir todas as etapas motoras

previstas pela evolução.