Vinogadov, Sophia   Psicoterapia de grupo  um manual prático   Sophia Vinogadov, Irvin D
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Vinogadov, Sophia Psicoterapia de grupo um manual prático Sophia Vinogadov, Irvin D


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Vinogadov, Sophia - Psicoterapia de grupo: um manual prático / Sophia Vinogadov, Irvin D.Yalom; Trad. 
Dayse Batista. Porto Alegre : Artes Médicas, 1992 
Capítulo 3. CONSTRUINDO AS BASES PARA UM GRUPO DE PSICOTERAPIA
1. Devem primeiro avaliar as condições clínicas ou restrições imutáveis dentro 
das quais o grupo deverá trabalhar.
2. Devem examinar, depois, os fatores extrínsecos que influenciam o grupo e 
mudar aqueles que impedem o grupo funcionar efetivamente.
Uma vez que o líder tenha estabelecido a melhor estrutura possível para um
grupo, dados estes fatores intrínsecos e extrínsecos, poderá então escolher os
objetivos apropriados.
TABELA 1. Construindo as Bases para um Grupo de Psicoterapia
O trabalho da psicoterapia de grupo não começa no primeiro encontro, pois
quando este ocorre, o líder já realizou uma primeira tarefa, a de estabelecer uma
entidade física onde nada existia. Neste papel de fundador, o terapeuta é o catalisador
inicial do grupo e sua força unificadora primária: os membros relacionam-se uns com os
outros, inicialmente, através de seu relacionamento comum com o líder e, depois, com
os objetivos e estrutura que ele escolheu para o grupo 
AVALIAÇÃO DOS LIMITES E
ESCOLHA DE OBJETIVOS
Todas os líderes gostariam de estabelecer um grupo de terapia estável, que se
encontrasse regularmente e que tivesse membros homogêneos e motivados, capazes de
trabalhar para conquistar objetivos terapêuticos ambiciosos \u2014 mas, na verdade, muito poucas
situações clínicas com as quais o terapeuta se defronta reúnem estes critérios ideais. Portanto,
os terapeutas devem seguir dois passos para a formulação dos objetivos de um grupo:
1. Avaliação de restrições clínicas
\u2014 Restrições clínicas Intrínsecas: fatos da vida, e coisas que não podem ser 
mudados, devem ser incorporados na estrutura do grupo do modo mais 
terapêutico possível.
\u2014 Fatores extrínsecos: Coisas que podem ser mudadas pelo terapeuta na 
melhor estruturação possível do grupo, dadas as limitações intrínsecas.
2. Estabelecimento da estrutura básica para o grupo:
\u2014 População de pacientes
\u2014 Apoio da equipe de profissionais
\u2014 Restrições gerais de tempo
\u2014 Extensão do tratamento
\u2014 Objetivo geral do tratamento
3. Formulação de objetivos específicos para o grupo
\u2014 Apropriados à situação clínica
\u2014Passíveis de serem executados dentro das restrições de tempo
\u2014 Confeccionados sob medida, de acordo com as capacidades dos
membros do grupo
4. Determinação do settíng e número de participantes
5. Enquadramento do tempo para o grupo:
\u2014 Freqüência das sessões
\u2014 Horários de reuniões
\u2014 Duração dos encontros
\u2014 Duração do grupo
\u2014 Uso de um grupo aberto ou fechado
6. Decisão sobre necessidade de um co-terapeuta
7. Combinação da terapia de grupo com outros tratamentos, se indicado.
RESTRIÇÕES INTRÍNSECAS
As restrições intrínsecas estão inseridas no contexto clínico de um grupo de terapia; são
fatos da vida que simplesmente não podem ser mudados, e o líder do grupo deve encontrar
maneiras de se adaptar a eles. Por exemplo, os pacientes que estão sob liberdade condicional
podem ser obrigados a comparecer compulsoriamente a um grupo e o líder deve levar isso em
consideração quando na previsão das resultados da participação deste indivíduo. Os níveis de
motivação entre os pacientes em liberdade condicional, num grupo obrigatório, serão muito
diferentes daqueles de casais que comparecem a um grupo de igreja para a resolução de
conflitos conjugais. Outros fatores clínicos intrínsecos, tais como duração do tratamento (por
exemplo, grupo em uma enfermaria para pacientes com câncer), também influenciam a seleção
de objetivos apropriados para a grupo.
FATORES EXTRÍNSECOS
Os fatores extrínsecos são aqueles que se tornaram essenciais ou uma regra básica em
determinado setting clínico, e embora possam parecer, à primeira vista, imutáveis, são fatores
que podem sofrer a influência de um terapeuta, enquanto este formula objetivos apropriados
para um grupo de terapia. Por exemplo, uma unidade de internação pode ter apenas um ou
dois encontros do grupo por semana, com duração de 30 minutos, mas antes do terapeuta
escolher objetivos limitados para esta estrutura temporal insatisfatória, ele deve primeiro
verificar se estas restrições de tempo podem ser mudadas de modo que objetivos mais
ambiciosos possam ser atingidos.
Os fatores extrínsecos são arbitrários e o terapeuta tem poderes para mudá-los. Muitas
deles consistem de atitudes clínicas; por exemplo, a equipe administrativa de uma clínica de
medicina comportamental pode achar que a psicoterapia de grupo não é uma parte importante
do programa clínico. Neste caso, um terapeuta da clínica pode desejar organizar um grupo para
a redução do stress, mas achará difícil obter encaminhamentos adequados, espaço ou apoio
burocrático. Os terapeutas devem fazer tentativas vigorosas para abordar e mudar estes
fatores extrínsecos, antes de realmente estabelecer um grupo de terapia.
FORMULAÇÃO DE OBJETIVOS VIÁVEIS
Depois de revisar as restrições intrínsecas encontradas em um grupo e modificar os
fatores extrínsecos que influenciam o trabalho terapêutico, o líder já possui uma clara noção
sobre a estrutura geral do grupo. Esta inclui a população de pacientes, extensão do tratamento,
freqüência e duração dos encontros e apoio da equipe (Tabela 1). O próximo passo do
terapeuta é formar um conjunto de objetivos apropriados à situação clínica e possível de serem
atingidos dentro do tempo disponível. Os objetivos do grupo de longa duração para pacientes
ambulatoriais são ambiciosos: oferecimento de alívio sintomático e, também, alteração da
estrutura do caráter. Uma tentativa de aplicação destes mesmos objetivos para um grupo pós-
internação de pacientes esquizofrênicos crônicos resultará em um nihilismo terapêutico. Em
grupos com tempo limitado, especializados, os objetivos devem ser específicos, viáveis e
definidos de acordo com a capacidade e potencial dos membros do grupo.
O grupo deve ser uma experiência bem-sucedida. Os pacientes ingressam na psicoterapia
sentindo-se derrotados e desmoralizados e a última coisa que precisam é de um outro
Cayque
Realce
fracasso, por causa de sua incapacidade para cumprir a tarefa do grupo. Além disto, se os
líderes formulam objetivos irreais para um grupo, eles mesmos podem tornar-se irritados e
impacientes com a falta de progresso de seus pacientes, e isto comprometerá sua capacidade
para trabalhar terapeuticamente. A escolha de objetivos para grupos especializados de terapia
é discutida em detalhes nos capítulos 7 e 8.
SETTING E NÚMERO DE PARTICIPANTES
O setting e o tamanho de um grupo terapêutico dependem das restrições clínicas
relevantes. O terapeuta que começa um grupo de reuniões quinzenais em um lar intermediárío
tomará decisões acerca do setting e número muito diferentes daquelas tomadas por um
consultor psiquiátrico que assessora a equipe de um hospital que trabalha com pacientes com
AIDS.
SETTING DO GRUPO
É importante que o terapeuta de grupo escolha um local para as reuniões que esteja
realmente disponível, tenha tamanho adequado, assentos confortáveis e proporcione
privacidade e liberdade, sem intervenções. Isto é verdadeiro tanto para os encontros de
psicoterapia de grupo tradicionais, quanto para formas alternativas de trabalho de grupo, tais
como reuniões de equipes de profissionais. O líder deve verificar os locais que pretende usar
para seu trabalho com o grupo de antemão, ou a sessão poderá transformar-se em uma louca
balbúrdia para encontrar uma sala adequada, conseguir cadeiras suficientes