Resumo ADM 10p 1 unidade

Disciplina:Direito Administrativo13.165 materiais297.974 seguidores
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BENS PÚBLICOS

Conceito:

Bens Públicos são aqueles de domínio nacional pertinentes às pessoas jurídicas de direito público interno, sendo particulares os demais bens de propriedade privada. Bem público é aquele que pertence ao poder público.

Quanto ao aspecto da Titularidade:

O bem público é todo aquele pertencente aos entes políticos, considerando assim a administração direta e indireta.

Quanto ao aspecto da Garantia Legal: Bens públicos são aqueles protegidos pelas prerrogativas de direito público.
Nem todos os bens da adm. Pública gozam de garantia legal (regime jurídico dos bens públicos)

Competência para legislar sobre os bens públicos:

GERAL que é da União (tanto em relação a bens públicos, quanto bens de um modo geral).
ESPECÍFICA que ocorre quando os demais entes odem legislar sobre questões de interesse local.

CLASSIFICAÇÃO:

1- Quanto a Titularidade: pode ser Federal; Estadual; Municipal ou Distrital

2 - Quanto a destinação:
A) De uso comum do povo:

Bens utilizados pela população de um modo geral. Não tem caráter patrimonial. São utilizados pela população de maneira indistinta. Normalmente gratuito (mas pode ser oneroso) e por prazo indeterminado (Mas pode ser determinado). Ex: logradouros, ruas.
B) De Uso Especial:

São destinados às instalações e aos serviços públicos, como os prédios das repartições ou escolas públicas. Está atrelado/vinculado a serviço público ou atividade da adm específica. Pode ser móvel ou imóvel. Ex: Prédio da Sudene, prédio do TJ, automóvel da prefeitura, máquina da empresa pública.
C)Dominial ou Dominical:

São os bens que pertencem ao acervo do poder público, sem destinação especial. São bens móveis ou imóveis que não estão atrelados ou vinculados à serviço de atividade administrativa. Ex: prédio da União que é alugado a um particular; maquinário do município alugado por empresa privada; prédio público não habitado... é bem público, mas não está vinculado a administração pública. Ex: Dívida ativa é bem de uso dominial. Ex: Biblioteca pública é bem de uso especial, houve um incêndio, queimaram todos os livros, perdeu a função passando a ser bem dominial.

3 - Quanto a disponibilidade (Possibilidade de Alienação):
A) Indisponíveis por natureza:

Não podem ser vendidos por causa da sua natureza jurídica ou espécie. Ex: Praça, ar, mar, ou seja, os bens de uso comum do povo são indisponíveis por natureza. Não se compra ilha, praia, há apenas contrato de cessão de uso.
B) Patrimonial Indisponível:

Pode ser vendido mas no momento existe algum impedimento jurídico que não permite sua venda. Ex: prédio da Sudene não pode ser vendido, mas um outro prédio vazio pode ser vendido. Os bens de uso especial são patrimoniais indisponíveis.
C) Patrimonial disponível:

O bem pode ser vendido. Todos os bens dominiais são patrimônios disponíveis.

Da Afetação / Da Desafetação:

Afetação:

É a vinculação do atrelamento, também conhecida como consagração. É o ato pelo qual o bem se torna vinculado e destinado a função administrativa (serviço público ou atividade na administração).
Formas de afetação>> Por lei, por ato administrativo, por fato administrativo (também conhecida como AFETAÇÃO TÁCITA, ou seja, aquela que ocorre com o passar do tempo).

Obs: Quando um bem é desafetado, passa a ser dominal.

Desafetação (Desconsagração):

É o ato que desvincula a função administrativa.
Formas de desafetação>> Por lei, por ato administrativo(1ª corrente), por ato de poder formal (2ª corrente).
Obs: É quase unanime na doutrina que não cabe a desafetação tácita. A desafetação tem que ser formal!

Do Regime Jurídico dos Bens Públicos (Prerrogativa que a lei confere aos bens públicos):

1 - INALIENABILIDADE:
E a impossibilidade de transferência da propriedade, em princípio. Ela é relativa, desde que cumpridos alguns requisitos (formalidades legais) para a transferência de sua propriedade. É possível.
Requisitos Para essa Relativização:
1- desafetação;
2- autorização legislativa (a lei que autoriza), pode ser geral ou específica, depende do bem. Se geral, ela autoriza a administração vender o bem sem necessidade de lei específica. Se específica é a mais comum, dependendo do porte do bem, tem que ter uma lei especifica.
3- Licitação (regra geral) – serve para encontrar a melhor oferta. Normalmente concessão ou leilão.
Obs: A inalienabilidade é relativa (regra geral). I.P.K.M2=> A Inalienabilidade dos bens de uso comum é absoluta.

2 – IMPENHORABILIDADE:

Os bens não podem sofrer penhora, arresto ou sequestro.

Ex: A forma de pagamento na execução contra a fazenda pública é através de precatórios.

3 - NÃO ONERABILIDADE:

O bem público não pode ser dado em garantia, não pode ser objeto de hipoteca, penhora ou anticrese.

4 - IMPRESCRITIBILIDADE:
O bem público não pode sofrer perda aquisitiva por decurso do tempo (prazo) e por consequência não pode ser usucapido (nunca).
Exceção: Crédito Tributário pode prescrever.

DAS FORMAS DE AQUISIÇÃO DE BENS PÚBLICOS

1) COMPRA:

Requer lei que autorize e também licitação (regra geral). Compra e venda vigora a autonomia da vontade, no direito privado. Existe a possibilidade pelo poder público tanto de compra quanto de venda. O contrato de compra pelo poder pública não tem regência da autonomia da vontade. Se o contrato de compra não é regente pela autonomia da vontade, é regente pelo o quê? Pela supremacia do interesse público. Exceção: Dispensa de licitação a depender da situação específica), pode ser bens móveis ou imóveis.

2) PERMUTA (TROCA):

O Estado tanto está se desfazendo como está adquirindo outro bem. Requisitos da Permuta: Avaliação prévia; Autorização Legal; Regra Geral não exige licitação.

3) DOAÇÃO:

Recebimento de Doação. Aqui o Estado não tem ônus nenhum.

Regra Geral: Para recebimento do bem por doação é necessária autorização legal (autor lei). E deve ser lei específica.

4) DAÇÃO EM PAGAMENTO:
Outra forma de aquisição. Com os bens móveis o poder público não precisa de autorização legislativa. Ex: cara está devendo imposto e dá um bem como forma de pagamento, o poder público avalia se aceita ou não. Recebendo um bem como forma de pagamento, mas este bem não foi originalmente pactuado para pagamento. É requisito que cada ente político tenha sua regulamentação.

5) RESGATE NO AFORAMENTO:

Aforamento se dá nas relações de enfiteuse. Aqui o bem já é do Estado/Poder público. Houve a transferência do domínio útil, mas não a transferência da propriedade. O que há é o resgate do domínio útil.

6) USUCAPIÃO:
Aquisição de bens público é DIFERENTE de impenhorabilidade por usucapião. Se o poder público utilizar determinada área por um determinado tempo, o poder público pode ter por ele o bem usucapido. Agora bens públicos não podem NUNCA ser usucapidos.

7) HERANÇA JACENTE/ SUCESSÃO:

O espólio do decujus que não deixou herdeiros necessários e nem testamento, seus bens passarão pela herança vacante e depois jacente. Já na SUCESSÃO, o De cujus não tinha família e nem herdeiros e deixa um bem por testamento ou legado para o poder público.

8) ARREMATAÇÃO:

Leilão, hasta pública, onde o Estado vai adquirir através de leilão o bem (móvel ou imóvel).

9) ADJUDUCAÇÃO:

 O Estado recebe um bem como forma de pagamento, mas está no âmbito de uma execução.

10) ABANDONO:

Os bens móveis achados ou esquecidos são do poder públicos. Para os bens imóveis tem o nome de arrecadação.

11) PARCELAMENTO DE SOLO URBANO:

Imóvel inicialmente demarcado e parcelado. Acontece geralmente em solo nunca urbanizado, onde o primeiro proprietário é o poder público.

12) PERDIMENTO OU PERDA DE BENS:

Tem caráter sancionatório. O particular perde bens em favor do Estado sem indenização. É o CONFISCO. Perde o bem no seu todo em caráter de sanção.

13) ARRECADAÇÃO:
Abandono de bem imóvel. Tem legislação específica. O titular do imóvel demonstra que não tem