Oasis (Portuguese Edition) Beattie, Bryce

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Oásis

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 Oásis

 Bryce Beattie

 Tradução de Rafa Lombardino

 Oásis

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 Título original: Oasis

 ©2008 Bryce Beattie

 Bountiful, Ut

 http://www.StoryHack.com

 Tradução de Rafa Lombardino

 ©2012 Bryce Beattie & Word Awareness, Inc.

 TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

 1ª EDIÇÃO

 Oásis

 1 ― O último turno

 Ouvi Donald correndo pelo corredor, chamando o meu nome, mas eu não estava nem aí. Ajustei a alça da minha mochila e continuei andando em direção à porta. Na verdade, acelerei o passo, torcendo para chegar ao estacionamento antes de ele me alcançar.

 Não adiantou. Para um rechonchudinho, até que ele era bem rápido. Ele me alcançou a alguns passos da porta automática e me agarrou pelo braço.

 ―Ei Corbin. Se eu não te conhecesse, podia até a pensar que estava me ignorando. Eu tava gritando o seu nome pelo corredor feito doido!

 ―Como? Ah, desculpa, não ouvi. Todas essas horas extras que você me fez trabalhar me deixaram exausto.

 ―Olha, tem quatro pacientes chegando, traumatismo dos brabos, acho que foi algum um tipo de explosão. Sabe como estão as coisas no pronto-socorro, né? Precisamos de uma ajudinha. Eu tô tentando montar uma equipe antes de eles chegarem aqui. O Dr.Dressel já está colocando a beca.

 ―Beca? Mas vai ser um baile de gala?

 ―Não acabei de dizer? Parece que é algum tipo de agente biológico.

 ―Olha, Donald… Acabei de terminar um turno de 30 horas e você quer que eu fique aqui para lidar com um pessoal que está trazendo uma doença infecciosa sob a direção do médico mais imbecil deste hospital?

 Acho que acabei levantando a voz, porque Donald ficou chocado, parado com a boca aberta e piscando os olhos. Eu estava cansado demais para me preocupar em ser mandado para o olho da rua.

 ―Esta noite não, amigão. Este enfermeiro aqui está precisando de uma boa cama― eu disse, me virando para ir embora.

 ―Então quem é que eu vou escalar?― ele perguntou, finalmente saindo do estado de choque.

 ―Liga para os gêmeos. Eles moram a um quarteirão daqui― sugeri, já virando as costas quando a porta se abriu para mim.

 Aparentemente ele gostou da ideia, porque não foi atrás de mim.

 O sol já tinha ido embora e o ar do deserto estava esfriando rapidamente. Não havia poluição atmosférica e somente algumas luzes estavam acesas, então as estrelas é que iluminavam a noite.

 A Cruz Vermelha havia montado três unidades móveis no estacionamento do supermercado em frente ao hospital. Uma delas ainda estava com as luzes acesas e rodeada por uma multidão consideravelmente grande.

 Achei esquisito que a unidade de doação de sangue continuasse aberta até tão tarde ―se é que estava mesmo aberta. Também notei que havia muita gente na fila disposta a doar sangue, como eu nunca vira anteriormente em Oásis. Olhei para o relógio e notei que ainda tinha tempo até que o ônibus noturno chegasse, então decidi dar uma olhada no que estava acontecendo.

 As três unidades móveis estavam logo em frente da entrada principal do Mercado Quatro Irmãos, uma posição estratégica para fazer os clientes se sentirem culpados ao entrar e sair do estabelecimento comercial.

 Duas unidades pareciam estar bem batidas, com a tinta descascando do lado de fora, sujeira em todos os vãos e os pneus para lá de carecas. A terceira unidade estava limpinha, quase brilhando.

 Conforme fui me aproximando, senti o cheiro de tinta fresca. Até mesmo os degraus de metal que davam para a porta pareciam estar novos. Tinha uma luz acesa lá dentro e um cartaz escrito à mão que explicava o motivo de tanta comoção.

 “Vacina contra o vírus do Oeste do Nilo”

 Alguma coisa naquele lugar me deixou ressabiado. Não sabia que existia uma vacina contra esse vírus. Afinal, geralmente fico ligado nessas coisas. Por que eles organizariam isso junto com a campanha de doação de sangue? E por que tinham um cartaz escrito à mão? Uma vacina tão importante como a do vírus do Oeste do Nilo merecia um pouco mais de publicidade, pensei.

 Minha cabeça fervilhava com perguntas e, como tinha tempo para matar, queria descobrir exatamente o que estava se passando. Mostrei o crachá do hospital e passei pela multidão, chegando aos degraus da unidade móvel.

 Um senhor de meia idade abriu a porta quando eu cheguei à entrada. Estava apertando o braço perto do ombro, como se o braço estivesse prestes a cair. Antes de descer a escadinha, virou-se para olhar para alguém que estava lá dentro. Tinha o rosto vermelho e falava alto, tremendo.

 ―Eu vou chamar a polícia!

 Ele se virou para frente e bateu de leve com o braço contra o batente da porta, fazendo cara de dor. Olhou para um lado e para outro, tentando sair do caminho da porta que estava se fechando.

 Estendi a mão para ajudá-lo. Ele apertou os olhos para me olhar durante um segundo e logo afastou o braço de mim, soltando uns grunhidos como se dissesse: “Me deixa!”

 Ouvi um burburinho enquanto o homem abria caminho pela multidão. A princípio, a reação dele me surpreendeu, mas logo a surpresa se transformou em curiosidade. Qual será o problema dele? Subi aqueles degraus e agarrei a porta antes de ela se fechar para entrar na unidade móvel.

 A cena diante de mim confirmou imediatamente o meu medo: aquele lugar não tinha nada a ver com a Cruz Vermelha, nem com qualquer instalação médica. De um lado, perto da porta, estava uma mesa com duas cadeiras dobráveis e uma cesta de lixo. Do outro lado, mais uma mesa e uma pequena cozinha. Na extremidade da mesa havia uma fileira de seringas destampadas contendo uma substância meio marrom. O lixo não tinha tampa e estava cheio de agulhas usadas.

 Dois homens de pele morena se apressavam para tirar alguma coisa de dentro da geladeira e colocá-la em um grande isopor. Estavam tão entretidos que nem se deram conta da minha presença.

 Um grito no estacionamento os fez acordar daquele transe profissional. Eles levantaram a cabeça e um deles agarrou o isopor e veio correndo na minha direção. O outro gritou alguma coisa em uma língua que eu não entendi.

 Antes de a adrenalina começar a correr pelas minhas veias, eu me atirei na direção do primeiro cara. Ele devia pesar uns 20 quilos a mais do que eu e impulso do nosso encontrão foi grande, fazendo o isopor bater no meu peito. Acabei agarrando o ar, em vez do cara. Caí por cima da mesa, rolando direto para o chão. Ele abriu a porta e saiu correndo.

 O outro cara ia logo atrás dele, mas parou na porta e se virou para me encarar com os olhos arregalados. Logo apertou os olhos e ficou com a mandíbula tensa, vindo direto na minha direção. Meu instinto de sobrevivência falou mais alto. Do canto dos olhos, vi uma seringa cheia que caíra no chão com o encontrão. Peguei a seringa e me sentei.

 O segundo homem estava quase em cima de mim. Foi como se o tempo parasse por um instante. Vi a perna se levantando em câmera lenta e, quando o chute me atingiu no estômago, observei