Texto 8 CHAER et al   A tecnica do questionario na pesquisa educacional (1)
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Texto 8 CHAER et al A tecnica do questionario na pesquisa educacional (1)

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Evidência, Araxá, v. 7, n. 7, p. 251-266, 2011

A técnica do questionário
na pesquisa educacional

Prof. Galdino Chaer

Prof. Rafael Rosa Pereira Diniz

Prof.ª Dr.ª Elisa Antônia Ribeiro

Resumo - O presente trabalho almeja discutir o emprego do questionário enquanto técnica de coleta de
dados, recorrentemente empregada nas pesquisas que envolvem o levantamento de uma grande
quantidade de dados, como também o seu emprego nas pesquisas de cunho qualitativo. Aqui, decidiu-
se pelo recorte espacial de estudo dessa técnica, especificamente, orientado para trabalhos de conclusão
de curso de graduandos dos cursos tecnológicos de instituição de ensino superior privada. Este trabalho
pretende demonstrar a importância da pesquisa na construção do conhecimento e destacar a urgência de
se socializar e divulgar o conhecimento científico entre os discentes de nível superior como forma de
conhecer, participar e intervir na realidade. Soma-se a isso, a partir da identificação percebida pelos
autores quando da orientação de trabalhos de conclusão de curso, a necessidade de apontar a relevância
da escolha adequada da técnica de coleta de dados para o alcance dos resultados esperados. Pretende,
ainda, mostrar que o questionário é uma técnica bastante viável e pertinente para ser empregada quando
se trata de problemas cujos objetos de pesquisa correspondem a questões de cunho empírico, envolvendo
opinião, percepção, posicionamento e preferências dos pesquisados. Neste sentido, busca-se destacar a
forma pela qual são construídas as perguntas do questionário, atentando-se para o conteúdo, número
e ordem das questões, uma vez que as perguntas são as responsáveis pelo alcance das respostas ao
desenvolvimento dos trabalhos. Este estudo fundamenta-se nos autores que tratam da temática,
tendo como principais fontes de pesquisa os autores: GIL (1999), RICHARDSON (1999), MARCONE
(1999), MALHOTRA (2006), MATALLO (2000), GIL (1996) e RIBEIRO (2008).

Palavras-chave: técnica, coleta de dados, questionário, pesquisa, ensino superior.

1. A pesquisa no ensino superior

O ensino superior, como é notório, deve representar a ruptura do pouco
desenvolvimento da pesquisa no ensino.

Os alunos que ingressam nas universidades vêm de uma realidade em que não há
o tão necessário estímulo à construção do conhecimento. Pelo contrário, até o ensino
médio, o estudante brasileiro é, via de regra, treinado para memorizar e repetir fórmulas
que, se devidamente apreendidas, serão sua chance de aprovação no exame vestibular, o
que adviria ideologia de dominação, autoritária, que predomina na escola do mundo
capitalista.

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Surge, então, após o ingresso no Ensino Superior, a reviravolta da realidade. O
aluno, até então mero ator, encenando aquilo que lhe era determinado, precisa passar a ser
também autor de sua história acadêmica, participando da elaboração do conhecimento.

Assim, é fundamental a quebra de paradigmas: a saída da cômoda posição de
expectador/repetidor, e a assunção da postura que será a chave para a construção do
conhecimento. O aluno, então, passará a ser pesquisador.

É intuitivo que a transformação não será fácil. Assumir o papel autônomo, tão
essencial ao estudante, será complexo, pesado e haverá inúmeras dificuldades a serem
rompidas.

Em iluminada passagem, Viega-Neto (2002) ressalta a dificuldade que o próprio
docente tem com as mudanças de paradigmas.

Todos nós, que hoje exercemos a docência ou a pesquisa em Educação, tivemos
uma formação intelectual e profissional em moldes iluministas. Uma das
consequências disso é que talvez não estejamos suficientemente aptos para
enfrentar, nem mesmo na vida privada, as rápidas e profundas mudanças
culturais, sociais, econômicas e políticas em que nos achamos mergulhados. (p.
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A pesquisa será o caminho para a construção desse necessário perfil do estudante.
Mas, para conseguir, de forma tão abrupta, desempenhar o papel de pesquisador, implica,
certamente, em conhecer o que é pesquisa, quais métodos e técnicas estão à disposição e
qual será o mais adequado para a atuação.

Este trabalho tentará expor aos alunos do Ensino Superior de instituição privada,
voltados para pesquisas sociais, o uso do questionário como técnica de pesquisa,
principalmente na elaboração de seus trabalhos de conclusão de curso (TCC).

Antes, contudo, em breves linhas, é bom mostrar o que vem a ser a pesquisa
social.

2. Pesquisa social

O termo ciência, ao ser lido ou dito, é naturalmente relacionado às ciências naturais
e físicas. Consequentemente, ao se tratar de pesquisa, trata-se de pesquisa voltada para os
estudos e descobertas de tais ciências.

“É sabido que as ciências sociais não gozam do mesmo prestígio conferido às

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ciências físicas”. Assim inicia Gil (1999, p. 21) o tópico que trata das peculiaridades da
ciência social.

O fato é que o título de ciência tem sido, ao longo do tempo, destinado às ciências
físicas e biológicas, que seriam tratadas com experimentos que permitiriam detectar de
forma devidamente quantificada e ordenada.

Lado outro, as ciências sociais, que tratam de eventos do ser humano, não possuem
fácil prestígio, pois seriam cercadas de subjetividade e imprevisibilidade.

Há os que dizem que as ciências sociais sequer seriam ciência, com argumentos que
foram agrupados por Gil (1999, p. 22), em quatro itens:

a) Os fenômenos humanos não ocorrem de acordo com uma ordem semelhante
à observada no universo físico, o que torna impossível a sua previsibilidade.
b) As ciências humanas lidam com entidades que não são passíveis de
quantificação, o que torna difícil a comunicação dos resultados obtidos em suas
investigações.
c) Os pesquisadores sociais, por serem humanos, trazem para as suas
investigações certas normas implícitas acerca do bem e do mal e do certo e do
errado, prejudicando os resultados de suas pesquisas.
d) A ciência se vale fundamentalmente de método experimental, que exige, entre
outras coisas, o controle das variáveis que poderão interferir no fenômeno
estudado. Os fenômenos sociais, por outro lado, envolvem uma variedade tão
grande de fatores, que tornam inviável, na maioria dos casos, a realização de uma
pesquisa rigidamente experimental.

Fica evidente a resistência apresentada contra as ciências sociais.
Se há resistência às ciências sociais, certamente há também resistência ao

reconhecimento da pesquisa social como fonte de conhecimento.
Ao rebater as críticas acima expostas, o autor que as compilou não buscou

contradizê-las. Tratou, sim, de demonstrar que as ciências naturais possuem as mesmas
fragilidades.

Conclui, sobre tal aspecto, que “(...) as possibilidades de experimentação nas ciências
naturais têm sido muitas vezes negligenciadas.” (p.24).

O que parece necessário, então, para uma devida apresentação das ciências sociais
como tal, é a sua correta estruturação como ciência, com aplicação de métodos científicos
elaborados e bem trabalhados. Gil (1999) também destaca, oportunamente, que

A ciência tem como objetivo fundamental chegar à verdade dos fatos. Neste
sentido, não se distingue de outras formas de conhecimento. O que torna,

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porém, o conhecimento científico distinto dos demais é que tem como
característica fundamental a sua verificabilidade (p.26).

Então, se a ciência é a busca da veracidade dos fatos de forma verificável,
fundamental é para ela a pesquisa.

Mostra-se, pois, de vital importância para as ciências sociais a pesquisa social.
Respaldando essa afirmativa, tem-se em Marconi e Lakatos que “a pesquisa tem importância
fundamental no campo das ciências sociais, principalmente na obtenção de soluções para
problemas coletivos” (p.18).

A pesquisa social é definida por Gil (1999) como

(...) o processo formal e sistemático