O OLHAR DA ABORDAGEM PSICANALÍTICA SOBRE A DEPRESSÃO VOLTADA PARA O NOSSO CASO

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O OLHAR DA ABORDAGEM PSICANALÍTICA SOBRE A DEPRESSÃO VOLTADA PARA O NOSSO CASO.

No nosso caso, identificamos como hipótese diagnóstica para Marina, a depressão. A depressão tem causas desconhecidas, porém, fatores genéticos, psicológicos, ambientais, sociais, anatomopatológicos e bioquímicos podem estar envolvidos na sua gênese e evolução. É importante ressaltar a importância de ser atrelado o tratamento psicoterápico com o psiquiátrico, pois a depressão pode apresentar alterações químicas no cérebro do sujeito deprimido, o que acarreta sérios problemas e precisa de medicação.
No caso de Marina, a infidelidade de anos do marido, o enfrentamento da leucemia de seu filho mais novo já há bastante tempo e, por fim, a doença inesperada e morte rápida do seu filho mais velho desencadearam e agravaram, respectivamente, um quadro de depressão nela.
Ao olhar da Psicanálise o tratamento de Marina pode ser conduzido com sessões de Psicoterapia.
ELIA, 2000- diz que [...] o contexto da psicanálise é o inconsciente, mais propriamente, o sujeito do inconsciente, assim o autor aponta que a clínica psicanalítica é a forma de acesso a esse sujeito.
Lacan (1999) afirmava em sua teoria que “enquanto houver desejo, há uma aposta em uma análise, pois o sujeito é o desejo”.
Lidar com a falta, ao contrário de provocar tristeza, deveria ter como efeito o entusiasmo, já que o desejo pode emergir desse processo. Isto porque sem falta, não há desejo possível, e sem desejo, não há sujeito, na medida em que para Lacan (1999) o sujeito é o desejo, e mais especificamente desejo do outro.
Freud (1916) afirma que há uma grande dificuldade no abandono de uma posição libidinal, o que explica o tempo bastante variável para realizar um trabalho de luto.
De acordo com a autora Erica Siqueira (2006) é justamente quando o sujeito se acovarda frente ao seu desejo, dele abrindo mão, que surge a depressão, tendo em vista que o “sujeito fica inibido, furtando-se ao próprio desejo e, consequentemente, a sua determinação inconsciente”. Portanto, a depressão seria uma reação do eu, que, “inchado”, recusa aquilo que vem do inconsciente, não querendo saber daquilo que o determina.
São essas características apresentadas ao olhar da Psicanálise a que dizem respeito o quadro de Marina. Pois ela apresenta uma grande dificuldade de falar sobre os acontecimentos de sua vida, “finge” estar bem e nega que tenha algum sentimento que a machuca e faz sofrer, não apresenta vontade de se mover em busca de uma vida mais transparente, não elaborou bem a morte do seu filho mais velho e não enfrenta os problemas do seu casamento, vivendo de forma a ignorar estas circunstâncias para não ter que lidar com elas.
Então a partir disso, pensamos que para Marina, deve-se utilizar a técnica psicanalítica de Associação Livre, que é encorajar o cliente a expressar tudo que vier à sua mente e poder dar sentido aos eventos através da linguagem. “A psicanálise abre a possibilidade de o sujeito remediar o próprio sofrimento com a palavra, de modo que possa se sentir melhor”. Trabalhar com ela também a elaboração do seu luto, a perda dos seus objetos de desejo e promover uma ressignificação deles. O terapeuta pode se utilizar dos processos transferenciais para entender e se pôr em lugar de investimento para os conteúdos trazidos por ela, promovendo também um bom vínculo entre cliente-terapeuta, buscar o fortalecimento do ego e a desmistificação de falsos-selfs de Marina.

ROCHA, Zeferino. Para uma abordagem estrutural da depressão: contribuições freudianas. Psyche (Sao Paulo),  São Paulo ,  v. 12, n. 23, dez.  2008 .

SILVA, Sousa Ana Cristina, SILVA, Santos Maria de Fátima, SIMÔES, Ramos Regimildes. As interfaces entre depressão e psicanálise. Mar. 2013 .

TERCEIRO, Carlos. Um olhar sobre a depressão e o desejo na psicanálise. Abr. 2016 .