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METODOLOGIA DA PESQUISA EM ESTUDOS LITERÁRIOS

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áreas do conhecimento, estabelecendo-se com elas campos 
de ligação para o ensino-aprendizagem. 
Por meio do “olhar de descobridor”, descrito por Manuel de Barros, utili-
zaremos a literatura comparada como afirmação e urgência de se estudar li-
teratura, compreendendo, assim, que a dinamicidade do texto e dos estudos 
sobre ele são o que de fato importam. 
Por fim, esperamos ter deixado claro neste texto que a pesquisa em lite-
ratura comparada é uma afirmação de pesquisa em literatura, pois como foi 
descrito no início, contempla princípios literários contemplados por outras 
teorias, quando se utilizam do fazer científico e do comparatismo como for-
mas para se chegarem ao entendimento do Outro. 
Referências
CARVALHAL, Tania Franco. Literatura comparada. São Paulo: Ática, 2006. (Série Princí-
pios)
______. Literatura comparada no mundo: questões e métodos. Porto Alegre: L&PM, 1997.
COUTINHO, Eduardo F. Literatura comparada na América Latina: ensaios. Rio de Janeiro: 
Ed. UERJ, 2003.
______; CARVALHAL, Tania Franco. Literatura comparada: textos fundadores. 2. ed. Rio 
de Janeiro: Rocco, 2011.
PEREIRA, Maurício Gomes. Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar. Rio de Ja-
neiro: Guanabara-Koogan, 2011.
MORIN, Edgar. Ciência com consciência. Trad. de Maria D. Alexandre e Maria Alice Sam-
paio Dória. 8. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.
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NITRINI, Sandra. Literatura comparada: história, teoria e crítica. 3. ed. São Paulo: Editora 
da Universidade de São Paulo, 2015.
______. Teoria literária e literatura comparada. Estudos Avançados, v. 8, n. 22, 1994. Dispo-
nível em: <http://www.scielo.br/pdf/ea/v8n22/68.pdf>. Acesso em: 1 maio 2017.
PINILLA, Ingrid Karina Morales. O engenhoso fidalgo Dom Quixote de La Mancha e infor-
túnios da Constante Florinda: intertextualidade e residualidade. 2016. 102 f. Dissertação 
(Mestrado em Letras)–Universidade Federal do Amazonas, Manaus, 2016.
REGO, José Lins do. Fogo morto. Rio de Janeiro: José Olympio, 2010.
SILVA, Vítor Manuel de Aguiar. Teoria da Literatura. 8. ed. Coimbra: Almedina, 2011. 
SOARES, Jéssica Thais Loiola. Resíduos do amor medieval em Marília de Dirceu, de Tomás 
Antônio Gonzaga. 2015. 148f. Dissertação (Mestrado em Letras)–Universidade Federal do 
Ceará, Fortaleza, CE, 2015.
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CAMINHOS DA PESQUISA 
EM LITERATURA FANTÁSTICA
Brenda Grazielle Silva Trindade 
Lileana Mourão Franco de Sá
5.1 Introdução
O mundo é um lugar fantástico. Desde o início dos tempos, temos a ne-
cessidade de histórias que vão além de nosso mundo real. Histórias que os-
cilam entre o mundo científico e a hesitação de um sonho, que perpassam 
muitas culturas, religiões e dialetos.
Muitos autores conseguiram com maestria criar mundos encantadores, 
oníricos, onde o leitor pode se perder – e se encontrar – em labirintos in-
finitos, explorando os limites do mundo cotidiano e o mundo dos sonhos. 
Grande parte das vezes é apenas com o fantástico que se pode expressar a 
complexa perspectiva impecável sobre a ignorância, a futilidade e a maldade 
do mundo, falar sobre sofrimento, tabus e até sobre filosofia.
Escritores como Edgar A. Poe, Henry James, Guy Maupassant, Neil Gai-
man, Benjamin Sanches, Murilo Rubião e até irmãos Grimm, Charles Per-
rault, Hans Andersen nos mostram que o fantástico e suas vertentes estão 
presentes em todos os lugares, em todos os tempos nas mais diversas línguas.
Escolher falar de literatura fantástica é escolher falar de mundos infini-
tos. E, para incursionarmos no entendimento sobre o fantástico, estranho e 
maravilhoso, devemos fazer algumas delimitações com relação aos teóricos 
utilizados. Buscamos, principalmente, a base teórica na obra Introdução à 
literatura fantástica, de Todorov (2012), pois a considero extremamente di-
dática e isso é algo de grande importância para aqueles que estão iniciando a 
busca pela compreensão do insólito literário, do desconhecido. 
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Todorov (2012) nos traz o amparo necessário para a perquisição do fan-
tástico na literatura, entendendo como fantástico toda narrativa que nos 
traz a dúvida, a incerteza, a hesitação da possibilidade de um acontecimento 
sobrenatural infiltrado no mundo real. Devemos avisar que este trabalho 
tem o objetivo de concentrar-se nas considerações e discussões sobre o fan-
tástico tradicional tão pregado por Todorov.
Buscaremos entender também as vertentes do fantástico. O que é o ma-
ravilhoso? O que é o estranho? Como essas três ramificações se distinguem 
uma da outra?
O propósito deste trabalho é auxiliar aqueles que desejam entender ou 
iniciar-se em uma pesquisa sobre o fantástico, facilitando o contato com a 
teoria e autores aqui encontrados. Esperamos atingir os objetivos e ajudar a 
estimular a percepção da realidade além das barreiras do mundo comum e 
a compreensão teórica que habita nela.
5.2 Os primeiros
Em 1797, há muitas traduções dos romances góticos pela Europa, esses 
romances tornam-se moda na França e aos poucos estendem-se em outro 
gênero ao qual dá origem, o gênero fantástico, já no século XIX. O fantásti-
co, conhecido do modo que é hoje, foi uma tentativa dos franceses românti-
cos de desvincular esse tipo de narrativa do romance gótico inglês, ligada ao 
nome de E.T.A. Hoffmann (1776-1822).
Muitos teóricos já tentaram definir o que é a literatura fantástica, cada 
um em sua época acrescentando ou recusando a ideia de seu predecessor. 
Um dos primeiros escritores a tentar delinear o entendimento teórico sobre 
literatura fantástica foi Nodier em seu ensaio de 1830, intitulado Du Fantas-
tique en littérature, declarando que as narrativas fantásticas correspondem 
ao desejo da sociedade em desapegar do extremo racionalismo de seu tem-
po.
Ele fala, em sua obra, sobre o espírito do homem, sobre sua imaginação 
e afirma que o fantástico não procede de mentes loucas ou incoerentes, pelo 
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contrário, o fantástico é proveniente de mentes racionais; o homem observa 
a seu redor e quando não consegue compreender o que se passa cria um 
mundo fantástico para tentar traduzi-lo. A teoria de Nodier (1830) com re-
lação ao fantástico é muito parecida com de Todorov. Nodier (1830) chega 
a considerar, assim como Todorov (2012), o maravilhoso e o estranho como 
gêneros vizinhos do fantástico, considera também de grande importância 
a compreensão do real para entendermos o fantástico, pois, é justamente a 
instabilidade ou o transtorno das leis reconhecidamente naturais que deter-
minam essa variante literária.
Com Introdução à literatura fantástica, de 1970, Todorov (2012, p. 7-8) é 
sem dúvida o primeiro teórico do fantástico a debater o estudo desse tipo de 
narrativa literária de um ponto de vista de gênero e a tentar uma abordagem 
estruturalista de importância:
A expressão literatura fantástica refere-se a uma variedade da 
literatura ou, como se diz comumente, a um gênero literário. 
Examinar obras literárias a partir da perspectiva de um gênero 
é um empreendimento absolutamente peculiar. Nosso propó-
sito é descobrir uma regra que funcione para muitos textos e 
nos permita aplicar a eles o nome de ‘obras fantásticas’, não 
pelo que cada um tenha de específico. 
O estudo do gênero fantástico se torna um dos elementos principais para 
a teoria do escritor.
5.3 A proposta teórica
O livro de Todorov é considerado um texto fundador e permanece im-
prescindível para a compreensão da literatura fantástica, e o mais importan-
te para este trabalho é utilizar suas definições do que seria a literatura fan-
tástica, estranha e maravilhosa, assim como os temas comuns nessa variante 
literária e quais as funções, segundo ele, do fantástico.
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Temos, assim, nossa trilha de migalhas para seguir o nosso caminho pro-
posto:
Definindo o Fantástico;
Fantástico puro;
Fantástico – Maravilhoso;
Fantástico – Estranho;
Temas comuns

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