A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
249 pág.
METODOLOGIA DA PESQUISA EM ESTUDOS LITERÁRIOS

Pré-visualização | Página 18 de 50

Brasília, n. 26, p. 13-71, 2005. 
DURÃO, Fabio Akcelrud. Reflexões sobre a metodologia de pesquisa nos estudos literários. 
D.E.L.T.A., n. 31, p. 377-390, 2015. Edição especial.
FRANCHETTI, Paulo. No banco dos réus: notas sobre a fortuna crítica recente de Dom 
Casmurro. Revista Estudos Avançados da USP, São Paulo, v. 23, n. 65, 2009.
LIMA, Pollyanna Furtado. Thiago de Mello: fortuna crítica (1951 – 1960). 2012. Dissertação 
(Mestrado em Letras)–Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Manaus, AM, 2012.
RAMOS JR, José de Paula. A fortuna crítica de Macunaíma. Revista USP, São Paulo, n. 65, 
p. 125-130, 2005.
SILVA, Joanna da Silva. Panorama da produção literária de Milton Hatoum e de sua recep-
ção, em homenagem aos vinte anos de Relato de um certo Oriente. Somanlu: Revista de 
Estudos Amazônicos, Manaus, AM, ano 10, n. 1, jan./jun. 2010.
SOUZA, Jamescley Almeida de. Chuva branca: rastreando a biblioteca amazônica em um 
romance de Paulo Jacob. 2016. 117 f. Dissertação (Mestrado em Letras)–Universidade Fe-
deral do Amazonas, Manaus, AM, 2016.
91
PROPOSTA DE ABORDAGEM METODOLÓGICA EM 
ANÁLISES LITERÁRIAS PELA TEORIA PÓS-COLONIAL
Everton Vasconcelos Pinheiro
7.1 Preâmbulo sobre os estudos literários
Os estudos literários são responsáveis por investigar e orientar interpre-
tações quanto à representatividade da literatura. Segundo Pinto (2009, p. 9), 
em O texto nu, a literatura da qual se fala é a “[...] produzida com finalidade 
artística e de reconhecido valor estético”. Assim sendo, por meio da teoria, 
história, análise e crítica literária, busca-se o “[...] entendimento racional do 
fenômeno literário.” (PINTO, 2009, p. 14-15).
Uma obra literária, embora ficção e sem compromisso com o real, trans-
mite representação da realidade dos homens, “[...] imitação de pessoas em 
ação” (PINTO, 2009, p. 31). Nesse sentido, a obra literária por meio da teoria 
revela sua representação, ou seja, capta “[...] tudo o que é percebido pelos 
sentidos e/ou pela mente”, eis o fenômeno literário (PINTO, 2009, p. 14). A 
teoria fornece suportes científicos de conhecimentos de outras ciências ao 
leitor analista para a fase da interpretação, não mais somente uma leitura 
por prazer.
Culler (1999), em Teoria literária – uma introdução, discorre sobre a teo-
ria em seu sentido mais geral, amplo e problemático. Contudo, nos interessa 
sua inserção sobre o que diz respeito à literatura, sendo que 
[...] teoria, nos estudos literários, não é uma explicação sobre 
a natureza da literatura ou sobre os métodos para o seu estudo 
[...]. É um conjunto de reflexão e escrita. (CULLER, 1999, p. 12). 
7
92
Justamente, como disse Culler (1999), a teoria não fornece métodos, mas 
pode guiar e orientar abordagens e reflexões para que a análise seja possível 
e, daí então, a interpretação.
Este trabalho foi pensado a partir deste contexto acerca de método em 
estudos literários. Conscientes de que a teoria literária em pesquisas aca-
dêmicas tem eficácia e aplicabilidade diferenciada, mas é escassa quanto a 
sugestões ou prescrições de métodos, a proposta a seguir é de cunho didáti-
co acerca do método de investigação literária: um caminho possível para a 
realização de uma análise pela teoria pós-colonial da literatura. 
Elenca-se então a seguir, em ordem didática e lógica, os passos a serem 
seguidos nessa proposta, para uma análise por meio dos estudos pós-co-
lonialistas. Esta sugestão objetiva um caminho possível para se utilizar a 
teoria pós-colonial no exercício de crítica e investigação literárias por meio 
de abstrações temáticas a respeito da colonização e suas consequências. O 
roteiro sugerido pretende ser o mais próximo de uma orientação de pesqui-
sa acadêmica, levando em conta a característica didática, motivo pelo qual 
foi idealizado este trabalho. 
7.2 Entender o que é a teoria pós-colonial
A teoria pós-colonial situa-se no eixo político-ideológico que tange a 
produção literária de países que sofreram males históricos provenientes do 
imperialismo. Bonnici (2012) compila os postulados essenciais a respeito do 
pós-colonialismo, bem como cita os autores e os pensamentos mais relevan-
tes dentre os inúmeros aspectos desta teoria em O pós-colonialismo e a litera-
tura: estratégias de leitura. O autor afirma que a produção literária dos “[...] 
povos colonizados se deu como uma imitação servil de padrões europeus” 
(BONNICI, 2012, p. 17), por isso se enquadram como literaturas pós-colo-
niais. A linha teórica apresentada parte desta compilação teórica de Bonnici.
O capítulo um do livro de Bonnici (2012, p. 17, colchetes do autor) inicia-
se com uma citação do filósofo e sociólogo italiano Gramsci (1985), que diz 
“[A literatura] necessita conhecer-se como produto de um processo históri-
co que [nela] depositou uma infinidade de traços sem deixar inventário”. A 
93
partir dessa inserção, pode-se inferir que a produção literária de uma nação 
demonstra de forma indireta os percursos formadores da identidade cultu-
ral de uma nação, se esta tiver sido colonizada ou não. Bonnici (2012) afirma 
ainda que as manipulações coloniais degradaram a cultura dos povos colo-
nizados, como também os povos que colonizaram se degradaram indireta-
mente, pois foram obrigados a inserir na sua história o estigma imperialista. 
Segundo o teórico, 
[...] os encontros coloniais aplicaram um golpe duro na cultu-
ra indígena, considerada sem valor ou de extremo mau gosto 
diante da suposta superioridade da cultura germânica ou gre-
co-romana. (BONNICI, 2012, p. 17). 
A cultura do colonizador quando não apaga a do colonizado, a modifica 
ou a sincretiza.
Temos o exemplo do quinhentista José de Anchieta quando estava no 
Brasil no séc. XVI. Em cartas aos irmãos jesuítas em Portugal, contou-lhes a 
história de “[...] certos demônios, a que os brasis chamavam curupira.” (AN-
CHIETA, 1997, p. 34). Dentre todas as histórias contadas sobre o ser folcló-
rico, demônio é o termo mais distante do difundido nas regiões ribeirinhas 
do Amazonas, que chamam o ente místico de guardião e protetor da floresta 
por confundir os caçadores com os pés virados para trás.
Sob a luz de terminologias a respeito do que vem a ser a teoria pós-co-
lonial, Thomas apresenta distinções entre o “colonial”, sendo como termo 
distintivo para o período pré-independência, e “moderno” ou “recente” para 
distinguir o período de independência ou emancipação política. Segundo 
Ashcroft, Griffiths e Tiffin (1991 apud BONNICI, 2012, p. 19), não há con-
senso sobre o termo “pós-colonial”, todavia ele é usado para remeter à cul-
tura dos povos construída sob a influência imperialista desde a colonização 
até a atualidade da nação, politicamente autônoma.
94
7.3 Compreender o que é a literatura pós-colonial
Bonnici (2012, p. 19) menciona um conceito de literatura pós-colonial: 
“[...] toda a produção literária dos povos colonizados pelas potências euro-
peias entre o século 15 e o 21”. Entendida dessa forma, todos os países que 
foram submetidos a colônias, ou francesas, ou inglesas, ou portuguesas, ou 
espanholas, possuem literatura pós-colonial. As Américas estão compostas 
de nações com literaturas construídas sob a influência indireta do imperia-
lismo e culturas nativas fundidas com o eurocentrismo. Todas elas origina-
ram-se da experiência da imposição do poder imperial pela colonização.
Em decorrência disso, a crítica pós-colonial tem como foco “[...] com-
preender o imperialismo e suas influências, como fenômeno mundial e [...] 
como fenômeno localizado” ligado à produção literária (BONNICI, 2012, p. 
20). Esta abordagem teórica de crítica literária questiona e investiga quais 
as relações e os resultados da cultura de uma nação que teve contato com o 
imperialismo para compreender o processo da descolonização, isto é, o con-
texto político e cultural na pós-colonização. O

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.