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METODOLOGIA DA PESQUISA EM ESTUDOS LITERÁRIOS

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de Letras, voltada para jovens estudantes e amantes da 
literatura. Como um dos grupos que vieram nesse período como formador 
de novos escritores e meio de divulgação do fazer literário da cidade, cha-
mo atenção para a “Caravana Literária” e o Clube Literário do Amazonas 
(CLAM). Este oferecendo ao quadro, o livro A quinta estação, de 2009.
2.2.2 A metodologia
Mediante os resultados das etapas anteriores, que se prenderam a com-
preender as linhas de abordagens dos Estudos Culturais, assim como a de 
selecionar a qual melhor se insere para os Estudos de Expressão Amazonen-
se; conhecer os conceitos de um e de outro, os contextos; foi pesquisado uma 
definição relevante ao quadro teórico do que é cultura. E a este chegamos 
ao entendimento dado por Peter Burker em O que é História Cultural?, de 
2005, citando Clifford Geertz em uma teoria interpretativa da cultura, ei-lo: 
“[...] ela é um padrão historicamente transmitido, de significados simbólicos 
e concepções herdadas que se perpetuam e desenvolvem sua comunicação 
entre os homens.” (BURKER, 2005, p. 52).
Partimos do princípio de que os poetas escolhidos, Elson Farias e Octá-
vio Sarmento, são duas vozes de uma literatura multifacetada e plurissigni-
ficativa, carregada de símbolos que apresentam uma realidade cultural, uma 
identidade, esta é o resultado de uma produção de um povo que gosta de 
ouvir histórias, contar lendas; mas não há apenas o gosto pelo popular, há 
criticismo, denúncia e resistência. Nessa perspectiva, esse tipo de literatura 
é o estado de fruição da arte que complementa o mundo (ECO, 2003, p. 40).
Logo, após a apreensão desse contexto multidimensional, histórico e cul-
tural, a partir da escolha dos estudos culturais referentes aos modos de cons-
trução política e social das identidades, os poemas da obra Romanceiro e o 
poema “Uiara”, do livro Uiara e outros poemas, respectivamente de Farias e 
Sarmento, foram selecionados para entender os mecanismos da expressão 
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dos poetas a partir de um dos três caminhos listados abaixo, como usual no 
tocante aos estudos culturais, de um modo geral, sob a ótica da Literatura:
1. etnográfica;
2. textual;
3. recepção.
Uma vez escolhido o segundo caminho, os elementos que constituem o 
texto poético visam às leituras internas e externas aos poemas mencionados 
das metáforas que representam o imaginário amazônico na visão do ribeiri-
nho de Farias (1990) e do retirante da seca de Sarmento (2007).
Assim, delimitou-se o estudo pela jornada da expressão amazonense no 
eixo do período da economia gomífera, presente no contexto do poema 
mencionado de Sarmento (2007) a ser comparado com o ribeirinho apre-
sentado em Elson Farias, em um mesmo momento histórico.
2.3 Considerações finais
Nas últimas décadas do século XIX, entre os anos de 1870 e 1915, ocorreu 
o processo de expansão e apogeu da economia da borracha na Amazônia. 
Nesta época, a exploração da borracha silvestre, através do extrativismo, 
possibilitou uma crescente demanda pelo consumo da borracha nos países 
industrializados da Europa e Estados Unidos da América na época. Conse-
quentemente, a borracha silvestre brasileira (Hevea Brasiliensis) possibilitou 
que a Amazônia, em pouco tempo, fosse o principal fornecedor de borracha 
em nível mundial, detendo indiscutível monopólio. 
Esse cenário gerou uma rápida riqueza e desenvolvimento de cidades 
como Belém e Manaus, visto em alargamento de ruas, preocupação com a 
estrutura sanitária e construção de edifícios que refletissem esse momento 
de crescimento e também de ilusão, conforme expõe Dias (2007), em Ilusão 
do Fausto.
A literatura produzida em Manaus, nos meados de 1917, oscilava entre o 
culto ao exótico e à forma; em uma linguagem que busca o efeito parnaso da 
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perfeição da estética literária, isto é, existiam grupos que estavam divididos 
entre os “edenistas”, cujos temas poéticos têm como preferência a opulência 
da floresta, sintetizando uma visão exótica da região, conforme pensamento 
de Krüger (2001), em Amazônia: mito e literatura; e de outro, os “infernis-
tas”, que em suas propostas, pintam a paisagem amazônica como um verda-
deiro inferno verde, segundo Rangel (2008), em Inferno Verde.
Logo, os poetas escolhidos nesse estudo são o reflexo de uma Amazônia 
que sempre desafiou a tecnologia imposta pelos colonizadores, coronéis da 
borracha e empresários que possuem apenas a visão do exótico em relação a 
essa biodiversidade da existência. Os escritores da Geração da Madrugada, 
por exemplo, produziram de outras formas o fazer literário, contribuindo 
para a mudança da mentalidade exposta.
Diante disso, o trabalho com a linguagem literária impõe a reflexão acer-
ca de uma realidade e o seu respectivo reflexo é medido pela inteirado de 
sua expressão. Nesse contexto, a Literatura assume o caráter humanizador 
e a aquisição do saber, a percepção da complexidade do mundo e dos seres 
que nele estão inseridos, isto é, ela nos torna compreensíveis e abertos para 
a natureza, eis a expressão amazônica.
Referências
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INTERTEXTUALIDADE PARA 
PESQUISA EM LITERATURA
Ana Fabíola Silva dos Santos 
Monike Rabelo da Silva Lira
3.1 Considerações iniciais 
Neste texto, nos propusemos a tratar das noções teóricas e metodológicas 
sobre a Intertextualidade

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