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Apostila de Patologia Especial (Anatomia Patológica Veterinária) .PDF

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 Anatomopatologia Veterinária 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Anatomopatologia Veterinária 
 
 
 Coleta e Remessa de Material 
 
Deve-se coletar um fragmento da área que se apresenta normal, de uma área intermediária e da área 
lisada. Caso não seja possível coletar os três fragmentos, coletar apenas da área lisada. 
Os fragmentos retirados devem ter de um a dois centímetros. Se a lesão for muito grande (ex: tumor), 
retira-se toda a lesão e faz-se cortes na mesma para o fixador fixá-la melhor. 
O frasco onde serão colocadas as amostras deve ter boca larga e tampa de rosca. 
Deve-se usar fixadores para preservar a amostra. O frasco deve estar sempre cheio do fixador (10 a 
20 vezes mais fixador do que fragmentos). O mais utilizado é a solução de formol a 10%, diluído em água. No 
SNC utiliza-se formol a 20% (fixa o tecido em 12 a 24h). O líquido de Bouin é bom para fixar glândulas e 
sistema genital (fixa mais rápido e mantém por 6 a 12h, mas depois é preciso deixar mais 12h no álcool – por 
isso não é muito utilizado). Sua composição é o ácido pícrico e o formol. 
A identificação deve ser com uma etiqueta, contendo todos os dados do animal, do lado de fora do 
frasco. Deve-se usar lápis, pois caso ocorra vazamento não há perigo de borrar a tinta, como poderia 
acontecer se fosse escrito a caneta. 
 
 
 Alterações Cadavéricas 
 
São alterações bioquímicas, estruturais e morfológicas que ocorrem no corpo do animal após sua 
morte. 
Deve-se conhecer bem as alterações cadavéricas para poder diferenciá-las das causas patológicas 
anteriores à morte. Também é importante saber a quanto tempo o animal morreu (cronotanatognose). 
 
 Fatores que influenciam o aparecimento precoce ou tardio das alterações cadavéricas 
 
 Temperatura ambiente – quanto mais quente, mais rápido ocorrem as alterações. Por isso o animal deve 
ser congelado o mais rápido possível, para que se inibam as enzimas lisossomais (que promovem a autólise – 
destruição do tecido por suas próprias enzimas) e a proliferação bacteriana (heterólise – destruição do tecido 
por bactérias de sua flora ou concomitantes). 
 Tamanho do animal – quanto maior mais difícil o congelamento rápido, portanto as alterações se 
instalam mais depressa. 
 Estado de nutrição – se for bom, algumas alterações demoram a se instalar. 
 Causa mortis – patologias que causam hipertermia e gasto energético muito grande (logicamente 
anteriores à morte) favorecem o aparecimento das alterações. Intoxicação por estricnina, traumatismo no 
SNC, tétano. 
 
 Classificação 
 Não transformativas – não alteram o estado geral do cadáver. 
 Imediatas – insensibilidade, imobilidade, parada respiratória e cardíaca, arreflexia (ausência de 
reflexo). É a constatação da morte somática ou clínica. 
 Mediatas ou tardias – decorrentes da autólise. Frialidade cadavérica (algor mortis), hipóstase 
cadavérica (livor mortis), rigidez cadavérica (rigor mortis), coagulação do sangue, embebição pela 
hemoglobina, embebição pela bile. 
 
 Transformativas – alteram o estado geral do cadáver. Decorrentes da putrefação ou heterólise. 
 Meteorismo ou timpanismo cadavérico; 
 Pseudo prolápso retal; 
 Deslocamento, torção e ruptura das vísceras; 
 Pseudo melanose; 
 
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 Enfisema cadavérico; 
 Maceração; 
 Coliquação; 
 Redução esquelética. 
 
O algor mortis corresponde à perda de temperatura corporal (aproximadamente 1ºC a cada hora). É o 
frio da morte, o resfriamento do corpo, que ocorre pela parada dos processos metabólicos e pela perda das 
fontes de energia, o que faz com que o organismo pare de produzir calor. 
Livor mortis são as manchas cadavéricas, que se iniciam rosadas e vão ficando roxas. Ocorrem pela 
perda do tônus das vênulas e capilares. Se acumulam no lado de decúbito do animal (na pele e nos órgãos), 
pois o acúmulo de sangue segue a força da gravidade. Para diferenciar livor de hemorragia: se o acúmulo de 
sangue for por alteração post-mortem, ao comprimir o órgão ele demora a voltar ao normal. Se for por 
hemorragia, ele retorna logo ao normal. 
Rigor mortis é a rigidez cadavérica. Ocorre pela contração muscular, deixando os músculos rígidos, o 
que se dá pela falta de ATP, formando pontes de ligação entre actina e miosina, mantendo o músculo 
contraído. Ao tentarmos mover a mandíbula e os membros, encontramos dificuldade pelo enrijecimento da 
musculatura. Surge após 2 a 3 horas da morte, durando até 12h (quando começam a se desfazer as pontes, 
por degradação). Inicia-se pela cabeça, seguindo pela região cervical, tronco e membros, desaparecendo pela 
mesma ordem. Primeiro ocorre na musculatura lisa, depois na esquelética. 
Na coagulação do sangue percebe-se coágulos no sistema cárdio-circulatório, principalmente no 
coração esquerdo. Os coágulos podem ser confundidos com trombos (que são formados antes da morte e 
podem ser a causa dela). O coágulo é liso, brilhante e elástico. É encontrado sempre solto, não aderido. O 
trombo é friável (quebra fácil), seco, opaco e está sempre aderido a parede dos vasos e no endocárdio. 
A embebição pela hemoglobina decorre da hemólise de eritrócitos nos vasos sangüíneos. A 
hemoglobina liberada entra em solução com o plasma sangüíneo e, ao mesmo tempo, as paredes dos vasos 
tornam-se mais permeáveis aos líquidos. Com isso os tecidos ao redor dos vasos e do endocárdio ficam 
embebidos por um líquido avermelhado. 
A embebição pela bile é o vazamento de bile através da parede autolisada da vesícula biliar (que sofre 
uma autólise muito rápida), corando de verde (ou verde-amarelado) os tecidos adjacentes (fígado, estômago, 
alças intestinais). 
O meteorismo corresponde ao aumento do volume abdominal decorrente do acúmulo de gás. Esse 
aumento é muito variável, podendo ser maior ou menor em cada indivíduo. Para diferenciar do timpanismo 
anti-mortem verifica-se as alterações circulatórias. O timpanismo em vida causa alterações circulatórias que 
se observam no baço e fígado (que ficam pálidos) e nas alças intestinais (que ficam avermelhadas e 
congestas). 
O prolápso retal que ocorre após a morte não causa alterações circulatórias, mas o anterior a morte 
sim. 
A pseudomelanose é a presença de manchas esverdeadas ou verde-acinzentadas próximas ao trato 
gastrintestinal e na parede intestinal. Isso ocorre pela degradação do conteúdo gastrintestinal, liberando ácido 
sulfídrico, que associado ao ferro da hemoglobina origina sulfametahemoglobina, acarretando a coloração 
verde. 
O enfisema cadavérico corresponde à presença de bolhas no tecido subcutâneo e no parênquima dos 
órgãos. Esse gás é oriundo da degradação dos tecidos pelas bactérias. 
Maceração é o desprendimento das mucosas dos órgãos. A mucosa ruminal, mesmo sem a 
putrefação (a ação das bactérias) já se desprende. 
Coliquação é a liquefação das vísceras, que ficam amorfas. A medular da adrenal normalmente fica 
liquefeita logo em seguida à morte do animal. 
A redução esquelética ocorre pela degradação de ossos, dentes, chifres, unhas e cascos. 
 
 Patologias do Sistema Urinário 
 
 Funções homeostáticas vitais dos rins 
 Manutenção da concentração de sais e água no corpo; 
 
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 Regulação do equilíbrio ácido-básico; 
 Produção de hormônios e outras substâncias: Eritropoietina (formação de hemácias), renina 
(manutenção da pressão sangüínea), prostaglandinas, metabolismo da vitamina D para sua forma ativa (1,25-
dihidroxycholecalciferol). 
 
O mau funcionamento do rim altera o que está sendo excretado e o que está circulando no sangue, 
desequilibrando a concentração de solutos e de água, alterando o equilíbrio osmótico, podendo provocar 
toxemia e outros problemas. 
 
 Requerimentos essenciais para a função renal normal 
 Adequada perfusão sangüínea (pressão

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