A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
150 pág.
APOSTILA GERENCIAMENTO DE RISCOS

Pré-visualização | Página 1 de 26

GERENCIAMENTO DE RISCO 1 
[Data] 
 
 
Gerenciamento de Riscos 
 
 
 
GERENCIAMENTO DE RISCO 2 
Gerenciamento de Riscos 
 
1. Fundamentos do Risco 
 
As funções do ser humano estão ligadas a um potencial de riscos, tanto na área 
profissional como na social. O homem primitivo sobreviveu aos fenômenos e às 
incertezas da natureza, mesmo antes de estabilizar-se geograficamente mediante 
desenvolvimento da agricultura e pecuária. A partir dessa estabilização, o homem 
criou estratégias básicas de sobrevivência e, assim, reduziu incertezas. 
 
A revolução industrial iniciou um grande processo que determinou avanços 
tecnológicos mundiais ao longo dos anos. A velocidade na transformação do mundo 
atual apresenta uma complexa dinâmica no modelo do crescimento econômico e de 
valor social, caracterizada por um elevado nível de competição. 
 
No âmbito profissional, essas mudanças demonstram a necessidade de inovação de 
ideias, processos e produtos, exigindo cada vez mais novas competências e 
habilidades do ser humano, além de tornar frequente a exposição ao risco. Cabe, 
então, enfrentar de modo hábil essas situações, na perspectiva de se obterem 
resultados positivos. 
 
1.1 Conceito de Risco 
 
Risco é a probabilidade de ocorrência de um evento e suas possíveis consequências. 
O termo risco é proveniente do latim e significa ousar. Assim, seu conceito elenca 
o efeito acumulado da probabilidade de uma incerteza do evento de forma 
qualitativa e quantitativa. 
 
Os riscos expressam características diferenciadas dependentes de suas 
características operacionais, além do ambiente de atuação da empresa. Dessa 
 
 
 
GERENCIAMENTO DE RISCO 3 
maneira, os riscos podem ser classificados em riscos puros ou estáticos e riscos 
especulativos ou dinâmicos (FIGURA 1). 
Figura 1 - Classificação dos riscos 
 
Fonte: CTISM, adaptada de De Cicco e Fantazzini (2003). 
 
Os riscos podem ser considerados puros quando existe somente a possibilidade de 
perda. Já quando existe a oportunidade de ganho ou de perda são chamados de 
riscos especulativos. 
 
1.1.1 Riscos Puros 
 
O efeito dos riscos puros resulta em perdas. De acordo com a Figura 1, os riscos 
puros são classificados em riscos à propriedade, riscos às pessoas e riscos de 
responsabilidade. 
 
Os riscos relativos à propriedade estão ligados às perdas por incêndios, explosões, 
vandalismo, roubo, sabotagem, acidentes naturais e danos a equipamentos e bens 
em geral. 
 
Os riscos às pessoas são relativos a doenças ocupacionais ou acidentes de trabalho 
que levam a incapacidade temporária, invalidez ou morte de colaboradores. 
 
 
 
 
GERENCIAMENTO DE RISCO 4 
Os riscos de responsabilidade referem-se a perdas causadas pelo pagamento de 
indenizações a terceiros, responsabilidade ambiental, além da qualidade e da 
segurança do produto ou serviço prestado. 
 
As organizações possuem bens tangíveis e intangíveis expostos à perda. As perdas 
são apontadas como tangíveis quando estão relacionadas com prejuízos 
mensuráveis. Do mesmo modo, as perdas são intangíveis quando são referentes a 
elementos de difícil mensuração como, por exemplo, a imagem da empresa. As 
principais perdas resultantes da materialização dos riscos puros em uma empresa 
são: 
 
 Perdas decorrentes de morte, invalidez ou afastamento de funcionários, além de 
indenizações a dependentes e pagamento de honorários advocatícios. 
 Perdas de tempo e produtividade por profissional não treinado, equipamento 
danificado, baixa na moral da equipe. 
 Perdas por danos à propriedade e bens não cobertos por seguros, tais como a 
reposição de produto ou itens danificados. 
 Perdas decorrentes de fraudes ou atos criminosos. 
 Custos com investigação de acidentes, perito de defesa, ações corretivas, 
honorários advocatícios, assistência emergencial. 
 Perdas por danos causados a terceiros. Responsabilidade da empresa por poluir 
o meio ambiente, responsabilidade pela qualidade e segurança do produto 
fabricado ou do serviço prestado. 
 
1.1.2 Riscos Especulativos 
 
Os riscos especulativos podem ser denominados riscos administrativos, políticos e 
de inovação. 
 
Os riscos administrativos derivam-se do processo de tomada de decisão, uma vez 
que uma decisão errada pode gerar perdas consideráveis, enquanto que uma 
 
 
 
GERENCIAMENTO DE RISCO 5 
decisão correta pode trazer lucros para a empresa. Nesse tipo de risco há uma 
dificuldade em prever antecipadamente e com precisão o resultado de uma decisão 
e a incerteza quanto ao resultado é uma das definições de risco. Os riscos 
administrativos podem ser subdivididos em: 
 
 Riscos de mercado: determinados fatores tornam incerta a venda de um 
determinado produto ou serviço a um preço razoável que traga resultados 
satisfatórios em relação ao capital investido. 
 Riscos financeiros: referem-se às incertezas em relação às decisões tomadas 
sobre a política econômico-financeira da organização. 
 Riscos de produção: envolvem questões e incertezas relativas ao processo 
produtivo da empresa, quanto a materiais, equipamentos, mão de obra e 
tecnologia utilizados na fabricação de um produto ou na prestação de um 
determinado serviço (CASTRO, 2011). 
 
Os riscos políticos estão relacionados com leis, decretos, portarias, resoluções, entre 
outros, oriundos dos Governo Federal, Estadual e Municipal, os quais podem 
ameaçar os interesses e os objetivos da organização. 
 
Já os riscos de inovação referem-se às incertezas decorrentes, normalmente, da 
introdução ou oferta de novos produtos ou serviços no mercado, e da sua aceitação 
ou demanda pelos consumidores. 
 
Até pouco tempo atrás, o conceito de risco expressava apenas os eventos que 
provocassem efeitos negativos, ou ameaças. Hoje, os riscos podem ser descritos 
como desafios que, quando bem administrados, levam a oportunidades, ou seja, 
como eventos que, ao ocorrerem, provocam efeitos positivos ou negativos (FIGURA 
2). 
 
 
 
 
 
 
GERENCIAMENTO DE RISCO 6 
Figura 2 - Conceito atual de risco 
 
 
Fonte: Elaborado pela autora. 
 
O guia para o conjunto de conhecimentos de gerenciamento de projetos (PMBOK, 
2015) propõe dez áreas de conhecimento para o gerenciamento de projetos, com a 
aplicação de conhecimentos, habilidades, ferramentas e técnicas às atividades do 
projeto, a fim de atender ao propósito para o qual ele está sendo executado, em 
que uma delas é o risco de projetos, de acordo com a Figura 3. 
 
 
Figura 3 – As áreas de conhecimento do gerenciamento de projetos 
 
 
Fonte: PMBOK (2015). 
 
 
RISCOS
AMEAÇAS OPORTUNIDADES
 
 
 
GERENCIAMENTO DE RISCO 7 
 
O PMI (Project Management Institute) (2015) define os riscos de um projeto como 
eventos ou condições incertas que, caso ocorram, provocam um efeito positivo ou 
negativo nos objetivos do projeto. Essa visão mais ampla leva em consideração não 
apenas a possibilidade de eliminação ou minimização das falhas, mas também do 
aproveitamento das oportunidades. Os riscos de um projeto se dividem em três 
classes (GRAY, 2000): 
 
 Riscos de Projeto: são os riscos ligados diretamente ao projeto. Caso os riscos 
de projeto se tornem reais, o custo e o tempo de projeto podem aumentar 
radicalmente. Os fatores ligados a esses riscos são: cliente, cronograma, 
orçamento, pessoal, recursos e requisitos. Esses riscos podem ameaçar o plano 
do projeto, atrasar o cronograma, além de aumentar os custos. 
 
 Riscos Técnicos: são os riscos relativos à qualidade do produto a ser 
desenvolvido. Se os riscos técnicos se

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.