A doença como linguagem da alma
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A doença como linguagem da alma


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de demonstrá-las o tempo todo?
6. Eu encontro/suporto tranqüilidade dentro de mim? Eu a preservo 
suficientemente?
7. Os objetivos que tenho diante dos olhos são meus mesmo, e são 
realizáveis? Ou minha vida se dirige a um colapso devido à sobrecarga?
2. Comoção cerebral
Tanto no que se refere ao surgimento como também em relação à 
interpretação, este sintoma tem uma certa semelhança com a fratura do 
vômer. O afetado foi longe demais e recebeu um golpe na proa. Como o 
nome indica, o cérebro é abalado, sobretudo o daquelas pessoas a quem 
nada mais pode abalar. A cabeça registra a comoção que os afetados não 
admitem no âmbito anímico-espiritual. O trauma está dado de antemão, 
quase sempre uma queda. Ainda nos ocuparemos de seu simbolismo 
profundo quando tratarmos das fraturas de braço e de perna. Expressões tais 
como "quanto mais alto, maior a queda" mostram que se trata 
freqüentemente de corrigir um rumo errado, no qual o afetado "leva na 
cabeça\u201d. Eles quiseram subir alto demais e são retidos rudemente.
Os sintomas individuais da comoção cerebral (Commotio) falam uma 
linguagem clara. A dor de cabeça é testemunha de tentativas agressivas de ir 
de cabeça contra a parede. A tontura subseqüente fala sem rodeios que se 
pressupôs algo, que se partiu de pressupostos equivocados ou que houve 
uma supervalorização de si mesmo. Enjôos e vômitos mostram que o corpo 
deve voltar a se livrar o mais rapidamente possível da problemática que quer 
pôr para fora. Na linguagem do estômago e do intestino, isso quer dizer que 
não é possível assimilar a última experiência que se vivenciou. Uma perda de 
consciência, ainda que curta, é parte da comoção cerebral e da a entender 
que alguém, por um curto espaço de tempo, abandona a responsabilidade 
pela própria vida. A chamada amnésia retrógrada indica quão pouco o 
afetado se lembra da marcha dos acontecimentos que levaram ao acidente. 
Toma-se evidente ai ainda uma ampla negação da responsabilidade pelas 
próprias ações. A pessoa se furta à responsabilidade, expressando assim, 
que é melhor que outro assuma o volante. Trata-se de uma tática facilmente 
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detectável que transcorre aqui de forma inconsciente.
No degrau seguinte da escalada, a contusão cerebral (Contusio), os 
sintomas são ainda mais fortes, e outros novos, bastante graves, somam-se 
a eles. O cérebro, envolvido por um líquido aquoso que amortece os golpes 
da melhor maneira possível, é abalado tão fortemente que os amortecedores 
falham e sangramentos e compressão de tecidos surgem no local do golpe 
ou choque, e também do lado oposto. A perda de consciência é profunda e 
pode chegar ao coma. Edemas com a subida da pressão cefálica, ataques 
epilépticos e perturbações da regulação da respiração e da temperatura são 
algumas das complicações possíveis. Somam-se a isso diversas deficiências 
tais como agnosia, a incapacidade de reconhecer, apraxia, a perda da 
habilidade, e afasia, a perda da linguagem, perturbações da memória e do 
sentido de orientação bem como deficiências psíquicas, de perturbações da 
motivação à perda de sensações, da tendência a falar sozinho até às 
alucinações. Esses sintomas, por um lado, arrancam o afetado da vida 
cotidiana, e por outro forçam à luz da consciência conteúdos até então 
reprimidos. Suas mensagens falam por si mesmas. Tendências reprimidas e 
não vivenciadas aproveitam o momento favorável, o colapso das defesas por 
meio do violento abalo, para chamar a atenção sobre si.
Evidentemente, os afetados se depararam com um limite definitivo, que 
eles não podem ultrapassar assim sem mais nem menos. Ao contrário, eles 
terminaram sendo contundidos ao tentá-lo, precisando aprender novamente 
desde o começo e progressivamente, como crianças, a ocupar-se dos 
afazeres cotidianos e a assumir a responsabilidade sobre si mesmos. O 
sintoma os atirou de volta ao nível da infância, mostrando com isso a 
tendência de regressão dos afetados. Mas ele também oferece a 
oportunidade de um novo começo. A audácia, que muitas vezes levou aos 
acidentes, vem muito a propósito no âmbito anímico-espiritual.
A tarefa de aprendizagem é viver em sentido figurado tudo aquilo pelo 
qual o corpo passou. Dessa maneira, outros traumas físicos semelhantes 
tornam-se supérfluos. No caso de uma queda, trata-se de desmontar do alto 
corcel e deixar-se comover em sentido figurado, viver a coragem 
demonstrada fisicamente no âmbito anímico-espiritual e, aqui, ousar ainda 
mais. É válido admitir a própria impotência e perda de consciência e por uma 
vez abdicar da responsabilidade para voltar a assumi-la pouco a pouco 
conscientemente. Na nova orientação que se apresenta está a oportunidade 
de um novo começo.
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Perguntas
1. Onde eu bloqueio comoções anímico-espiritual?
2. De que caminho o acidente me tirou?
3. Onde eu demonstro a coragem externa e a prontidão para o risco 
que me faltam internamente?
4. Onde eu me enganei, ou seja, onde me contundi? Onde minha 
corrente de vida precisa de uma nova orientação, um novo começo?
5. A respeito de que eu deveria baixar a bola e pisar terreno que eu 
possa ver?
6. Onde eu deveria abdicar da responsabilidade exterior para assumi-la 
interiormente?
3. Meningite
Na meningite inflamam-se as membranas que envolvem protetoramente o 
cérebro. Ela constitui portanto uma guerra, no nível mais elevado, contra as 
forças femininas de preservação. Não é raro que o sucesso termine afetando 
o cérebro e se transforme em uma meningo-encefalite. Tanto a meninge 
mole (pía mater) como a meninge dura (dura mater) são atingidas. Várias 
bactérias, bem como vírus, podem participar da encenação do conflito que se 
estabelece ao redor da central de comando. Agentes infiltrados empreendem 
uma violenta batalha contra o sistema de defesa do corpo que, como em toda 
inflamação, é travada sem levar as perdas em conta e com as armas mais 
pérfidas. Neste caso, trata-se certamente de uma guerra para salvar a 
própria cabeça, no sentido mais verdadeiro da palavra. Os sintomas, 
amplamente subjetivos e não-especificos, indicam que se trata de um quadro 
menos individual. Trata-se da vida e da sobrevivência em si mesmas.
São principalmente os recém-nascidos e as crianças pequenas que são 
afetados pela doença primária, dando a impressão de que ainda estão 
lutando para sua entrada definitiva nesta vida. A cabeça, superdimensionada 
nessa idade tão tenra, torna-se, pela segunda vez após o nascimento o 
cenário de uma luta que põe em perigo a própria vida. Assim como um 
posicionamento transversal antes do nascimento indica que essa criança 
está atravessada e não participa com tanta facilidade do jogo da vida, aqui 
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também ganha expressão uma certa resistência. A cabeça da criança, já em 
si superdimensionada, incha ainda mais, já que a pressão encefálica 
aumenta devido ao maior influxo de água. A macia moleira fica abaulada. A 
longo prazo, há a ameaça de uma hidrocefalia, trágico símbolo da ultra-
enfatização do pólo masculino superior. Presumir um problema de ego ou de 
cabeça em um estágio tão precoce, tal como encarnado por um "cabeça-
dura", parece que é ir longe demais. Mas no campo das experiências com a 
terapia da reencarnação, incluídos o nascimento rotineiro e as fases pré-
natais, tais resistências tão precoces e desentendimentos agressivos quanto 
à entrada na vida que se apresenta são absolutamente cotidianas. 
Simbolicamente, a criança oferece mais resistência em relação à nova vida 
que em relação à obscura mãe primordial, de cujo útero ela acaba de liberar-
se. Ela transfere para o palco do corpo a luta contra as forças da mãe 
primordial que a querem reter. Hécate na mitologia grega, Kali na indiana, 
essa deusa sanguinária se vale de recursos típicos em seu trabalho. O 
influxo de líquido provocado pela inflamação pressiona o tenro cérebro contra 
a dura parede do crânio. Caso