Personalidade   Teoria e Pesquisa cap 7 e 8

Personalidade Teoria e Pesquisa cap 7 e 8


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A:BORD G\ufffdS DE TRAÇOS 
À ffi\ufffdéJNALIDADE: 
ALLPOR'f, EYSlEMTCK E CATTELL 
O CONCEITO DE TRAÇO 
O que é um traço? 
Idéias básicas compartilhadas pelos 
teóricos de traços 
A TEORIA DE TRAÇOS DE GORDON 
W. ALLPORT (1897-1967)
Traços, estados e atividades
Tipos de traços
Autonomia funcional
Pesquisas idiográficas
Comentários sobre Allport
A TEORIA DE 'fRts FATORES DE 
HANS J. EYSENCK (191&-1997)
Mensuração de traços: análise fatorial 
Dimensões básicas da personalidade 
Medidas por questionário 
Resultados de pesquisas 
Base biológica 
Psicopatologia e mudança comportamental 
Comentários sobre Eysenck 
A ABORDAGEM ANALÍTICO-FATORIAL DE 
TRAÇOS DERA YMOND B. CA ITELL (1905-1998) 
A visão de Caltell sobre a ciência 
A teoria da personalidade de Cattell 
Tipos de tl'aços 
Fontes de dados: dados L, dados Q e dados 0T 
Resumo 
Estabilidade e variabilidade do comportamento 
Comentários sobre Cattell 
A TEORIA DE TRAÇOS: ALLPORT, 
EYSENCK E CATTELL 
PRINCIPAIS CONCEITOS 
REVISÃO 
FOCO DO CAPÍTULO 
Chris acaba de concluir a sua graduação e de 
começar em wn novo emprego em uma cidade nova. 
Ele se sente solitário e quer conhecer pessoas novas. 
Após hesitar um pouco, ele decide colocar um anún­
cio nos classificados. Ele fita a folha de papel em 
branco - o que deveria escrever? Que tipo de carac­
terísticas da personalidade você escolheria escrever 
a seu respeito? Aqui está uma possibilidade: 
"lnconvencional, sensível, divertídn, feliz, bem-humoradn, 
bondoso, esbelto, graduado, 22 anos, busca qualidades se­
melhantes em alma-gêmea sensata". Alguém que pos­
sa ser descrito com essa lista de traços realmente pode 
ser um parceiro desejável! 
Os traços são aquelas características da per­
sonalidade que se tornam estdveis com o tempo e em 
QUESTÕES ABORDADAS NESTE CAPÍTULO 
1. Como podemos caracterizar as maneiras con­
sistentes em que os indh\u2022íduos diferem cm seus
sentimentos, pensamentos e cornportam\u20acntos?
Quantos traços diferentes são necessários para
descrever adequadamente essas diferenças de
personalidade?
2. Até que ponto as diferenças individuais têrn
uma base genética e herdada?
3. Se os indivíduos podem ser descritos segundo
os seus traços característicos, como podemos
O CONCEHO DE TRAÇO 
As p12Ssoas adoram falar sobre a personalidade. 
Passamos horas discutindo as características de indi ví­
duos, com.o a irritabilidade do chefe, a alegria do enca­
nador e, até mesmo, a lealdade do nosso cachorro. 
Quando as pessoas falam da persona.lidade, elas 
freqüentemente utilizam os traços. Por exemplo, ao 
serem solicitados que escrevàn'l a descri.ti.vos da perso­
nalidade de um amigo, muitos estudantes produz.em
urna lista de traços descritivos da personalidade, tais
como simpático, bondoso, feliz, preguiçoso, irritadiço 
e tímido (John, 1990). Aparentemente, as pessoas pen­
sam que os traços são centrais à personalidade. Da 
mesma forma, os pesquisadores da personalidade as-
Personalidade: teoria e prática 
diferentes situações, de modo que se poderia dizer 
que alguém que é sensível e bondoso hoje tam­
bém será sensível e bondoso daqui a urn mis. Este 
capítulo fala dos traços, definidos como disposi­
ções irtt\ufffdas amplas para se comportar de deter­
minadas formas. Revisaremos tris teorias e pro­
gramas de pesquisa que buscam identificar as di­
mensões básicas de traços da personalidade. Mui­
tos pesquisadores de traços utilizam um procedi­
mento estatístico particular, a análise fatorial, para 
determinar os traços básicos que formam a per­
sonalidade humana. A abordagem de traços é po\u2022 
p ular na psicologia americana e está enraizada no 
senso comum e na compreensão popular da per­
sonalidade. 
explicar a variabilidade do comporlamento ao 
longo do tempo e em diferentes situações? 
Nos capítulos anteriores, enfatizamos um repre­
sentante importante de cada perspectiva teórica. Neste 
capítulo sobre a teoria de traços, consideramos as 
idéias de diversos teóric-os. Nos capítulos anteriores, 
foi fácil apontar uma figura importante para repre­
sentar cada escola de pensamento. Isso não é tão fácil 
com a teoria de traços. 
saciados à abordagem de traços consideram os traços 
como as principais unidades da personalidade. Obvia­
mente, a personalidade abrange mais do que os traços, 
mas eles podem ser claramente vistos no decorrer da 
história da psicologia da personalidade. 
O QUE É UM TRAÇO? 
Falando de maneira ampla, os traço.s da perso­
nalidade referem-se a padrões consistentes na forma 
como os indivíduos se comportan'I, c-0mo sentem e 
pensam. Por exemplo, quando descrevemos um indi-
Lawrence A. Pervin e Oliver P. John 
víduo como "bondoso", queremos dizer que esse in­
divíduo tende a agir de forma bondosa com o passar 
do tempo (na semana passada e nesta semana) e em 
situações diferentes (com um vizinho idoso e com o 
cão manco). Essa definição ampla implica que os tra­
ços podem ter três funções importantes: Eles podem 
ser usados para resumir, prever e explicar a conduta 
de uma pessoa. Assim, uma das razões para a popu­
laridade dos conceitos de traços é que eles proporcio­
nam maneiras eéOnômicas para resumir o modo como 
uma pessoa difere de outra; atribuir o traço "bondo­
so" para uma pessoa resume uma história de muitos 
atos de bondade diferentes. Os traços contêm a pro­
messa de permitirem que façamos previsões sobre o 
comportamento futuro da pessoa; a noiva espera que 
o noivo bondoso se tome um marido bondoso. Final­
mente, os traços sugerem que a explicação para o com­
portamento da pessoa será encontrada no indivíduo,
e não na situação; uma pessoa bondosa irá agir de
maneira bondosa, mesmo que não haja nenhuma pres­
são situacional ou recompensa externa para que ela o
faça, sugerindo assim, algum tipo de processo ou me­
canismo interno que produza o comportamento.
Essa caracterização ampla geralmente captura a 
maneira romo os traços são conc:(?itualizados na atual 
literatura deste campo. Entretanto, ela também é geral e 
encobre inúmeras questões difíceis em que os teóricos 
de traços diferem. Em outras palavras, embora os teóri­
cos de traços sejam parte de uma família de teóricos que 
compartilham de determinadas idéias, também existem 
Nível do traço: 
Nível habitual 
de resposta 
Nível específico 
de resposta 
diferenças entre os membros da família. Em outras pala­
vras, a diversidade caracteriza o campo. Assim, além da 
definição apresentada acima, é difícil,\ufffd não impossí­
vel, produzir uma d\ufffdção do conceito de traço que 
seja aceita de forma geral: "Os traços são muitas coisas 
para muitos teóricos'' (Wiggins, 1997, p. 98). De fato, uma 
recente edição do periódico Psychological Inquiry foi 
dedicada a uma ampla crítica do conceito de, traço 
(Pervin, 1994), seguida de um debate sobre a sua defini­
ção, status conceitua] e fundamentação empírica. Esse 
debate demonstra a diversidade de visões entre os teóri­
\ufffd de traços, assim como a vivacidade do campo nesse 
momento. Iremos retomar a essas questões no Capítulo 
8, quando consideraremos as vantagens e fraquezas das 
abordagens de traços de um modo geral. Por enquanto, 
contudo, iremos considerar dois pressupostos básicos 
compartilhados pela maioria dos teóricos de traços. 
IDÉIAS BÁSICAS 1COMPARTILHADAS 
PELOS TEÓRICOS DE TRAÇOS 
O pressuposto básico da perspectiva de traços é 
que as pessoas possuem predisposiçê>es amplas, deno­
minadas traços, para responder de maneiras espccífi· 
cas. Em outras palavras, conforme mencionado anteri­
ormente, as pessoas podem ser descritas segundo a 
probabilidade de se comportarem, sentirem ou pensarem 
de uma maneira particular - por exemplo, a probabili­
dade de agir de maneira extrovertida e simpática, ou 
Ativo Assertivo BUSGil sensações 
Figura 7.1 Diagrama representativo da organização hierárquica da perwnalidade: Extroversão-Introversão