Michael Pollan   2018   Como Mudar Sua Mente
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Michael Pollan 2018 Como Mudar Sua Mente


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\u201cLer é aprimorar seus conhecimentos e compreender a
vida ao seu redor.\u201d
~ e-Livros.SITE, e-Livros.WIN ~
Copyright © 2018 by Michael Pollan
TÍTULO ORIGINAL
How to change your mind
PREPARAÇÃO
Diogo Henriques
REVISÃO
Carolina Leocadio
Carolina Rodrigues
IMAGEM DE CAPA
Craig Cutler
ADAPTAÇÃO DE CAPA
Antonio Rhoden
REVISÃO DE E-BOOK
Victor Huguet
GERAÇÃO DE E-BOOK
Intrínseca
E-ISBN
978-85-510-0417-3
Edição digital: 2018
1a edição
Todos os direitos desta edição reservados à
EDITORA INTRÍNSECA LTDA.
Rua Marquês de São Vicente, 99, 3o andar
22451-041 \u2014 Gávea
Rio de Janeiro \u2014 RJ
Tel./Fax: (21) 3206-7400
www.intrinseca.com.br
 
Para o meu pai
A alma deveria ficar sempre entreaberta.
\u2014 EMILY DICKINSON
Sumário
Folha de rosto
Créditos
Mídias sociais
Dedicatória
Epígrafe
Prólogo: Uma nova porta
CAPÍTULO UM
O renascimento
CAPÍTULO DOIS
História natural: sob a influência de cogumelos
Coda
CAPÍTULO TRÊS
História: a primeira onda
Parte I: A promessa
Parte II: O racha
Coda
CAPÍTULO QUATRO
Memórias de viagem: uma excursão clandestina
Viagem I: LSD
Viagem II: Psilocibina
Viagem III: 5-MeO-DMT (ou o sapo)
CAPÍTULO CINCO
A neurociência: seu cérebro sob o efeito de psicodélicos
CAPÍTULO SEIS
A viagem de tratamento: compostos psicodélicos na psicoterapia
I: Morrendo
II: Vício
III: Depressão
Coda: Indo conhecer minha rede neural de modo padrão
Epílogo: Um elogio à diversidade neural
Glossário
Agradecimentos
Notas
Bibliografia
Sobre o autor
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PRÓLOGO
Uma nova porta
EM MEADOS DO século XX, duas novas moléculas incomuns, compostos orgânicos com
semelhança familiar impressionante, explodiram no Ocidente. Com o tempo, elas
afetariam a história social, política e cultural, bem como a história pessoal de milhões de
indivíduos que as introduziram em seus cérebros. A chegada desses compostos químicos
revolucionários coincidiu com outra explosão histórica \u2014 a da bomba atômica. Houve
quem comparasse os dois eventos e desse grande importância à sincronia cósmica. Novas
e extraordinárias energias teriam sido liberadas no mundo; as coisas jamais voltariam a
ser as mesmas.
A primeira dessas moléculas foi uma invenção acidental da ciência.1 A dietilamida do
ácido lisérgico, conhecida como LSD, foi sintetizada pela primeira vez por Albert
Hofmann em 1938, pouco antes de os físicos conseguirem realizar a fissão de um átomo
de urânio. Hofmann, que trabalhava para a farmacêutica suíça Sandoz, procurava uma
droga que estimulasse a circulação, não um composto psicoativo. Somente cinco anos
depois, ao ingerir por acidente uma quantidade minúscula do novo composto, ele
percebeu que havia criado algo potente, ao mesmo tempo terrível e maravilhoso.
A segunda molécula já estava em circulação há milhares de anos, embora ninguém no
mundo desenvolvido a conhecesse.2 Produzida não por um químico, mas por um
discreto cogumelo marrom, essa molécula, que viria a ser conhecida como psilocibina, já
era usada há séculos por povos indígenas do México e da América Central em rituais
religiosos. Chamado pelos astecas de teonanácatl, ou \u201ccarne dos deuses\u201d, o cogumelo teve
seu uso brutalmente reprimido pela Igreja Católica após a conquista espanhola e foi
relegado à clandestinidade. Em 1955, passados doze anos da descoberta do LSD por
Albert Hofmann, um banqueiro e micologista amador chamado R. Gordon Wasson
experimentou o cogumelo na cidade de Huautla de Jiménez, no estado de Oaxaca, no sul
do México. Dois anos depois, ele publicou um relato de quinze páginas sobre o
\u201ccogumelo que provoca estranhas visões\u201d na revista Life, marcando o momento em que a
notícia de uma nova forma de consciência chegou ao grande público.3 (Em 1957 o LSD
só era conhecido na comunidade de pesquisadores e profissionais da saúde mental.) As
pessoas só iriam perceber a dimensão do que havia acontecido anos mais tarde, mas a
história do Ocidente havia mudado.
É difícil superestimar o impacto dessas duas moléculas. O advento do LSD pode ser
ligado à revolução na neurociência iniciada na década de 1950, quando os cientistas
descobriram a função dos neurotransmissores no cérebro. O fato de quantidades de LSD
medidas em microgramas serem capazes de produzir sintomas semelhantes aos da
psicose inspirou os neurocientistas a procurar uma causa neuroquímica para transtornos
mentais considerados inicialmente como de origem psicológica. Ao mesmo tempo, as
substâncias psicodélicas encontraram um lugar na psicoterapia e passaram a ser usadas
no tratamento de diversas doenças, entre as quais o alcoolismo, a ansiedade e a
depressão. Durante a maior parte da década de 1950 e o início da década de 1960, muitas
autoridades da psiquiatria consideravam o LSD e a psilocibina drogas milagrosas.
A chegada desses dois compostos também está ligada ao surgimento da contracultura
na década de 1960 e, talvez em especial, a seu tom e estilo. Pela primeira vez na história,
os jovens tinham um rito de passagem todo deles, a \u201cviagem de ácido\u201d. Em vez de servir
como porta para que os jovens entrassem no mundo adulto, como os ritos de passagem
sempre fizeram, esse os mandava para um local da mente que poucos adultos conheciam.
O impacto, para dizer o mínimo, foi perturbador.
Contudo, no fim dos anos 1960, as ondas de choque sociais e políticas liberadas por
essas moléculas pareciam se dissipar. O lado negro das substâncias psicodélicas começou
a receber enorme atenção pública \u2014 bad trips, surtos psicóticos, flashbacks, suicídios \u2014,
e a partir de 1965 a exuberância em torno do uso dessas novas drogas foi substituída por
um pânico moral. Com a mesma velocidade com que havia aderido às substâncias
psicodélicas, o establishment cultural e científico se voltava agora duramente contra elas.
No fim da década, essas drogas \u2014 que eram legais na maioria dos lugares \u2014 foram
banidas e relegadas à clandestinidade. Pelo menos uma das duas bombas do século XX
parecia ter sido neutralizada.
Mas então algo inesperado e revelador aconteceu. No início da década de 1990, bem
longe da vista da maioria de nós, um pequeno grupo de cientistas, psicoterapeutas e os
chamados psiconautas se convenceu de que algo precioso havia sido abandonado pela
ciência e pela cultura e resolveu recuperá-lo.
Hoje, depois de várias décadas de exclusão e negligência, as substâncias psicodélicas
vivem um renascimento. Uma nova geração de cientistas, muitos deles inspirados por
suas próprias experiências com os compostos, estão testando seu potencial na cura de
distúrbios mentais como depressão, ansiedade, trauma e vício. Outros cientistas usam
essas substâncias em conjunto com novos exames de imagem para explorar a ligação
entre cérebro e mente e esperam desvendar alguns mistérios sobre a consciência.
Uma boa maneira de tentar entender um sistema complexo é perturbá-lo e ver o que
acontece. Ao colidir átomos, o acelerador de partículas os força a revelar seus segredos.
Ao administrar doses cuidadosamente controladas, os neurocientistas podem alterar
profundamente a consciência desperta dos voluntários, diluindo as estruturas do \u201ceu\u201d e
provocando o que pode ser descrito como uma experiência mística. Enquanto isso
acontece, exames de imagem modernos registram as mudanças nas atividades do cérebro
e nos padrões de conexão. Esse trabalho já está produzindo informações surpreendentes
sobre os \u201ccorrelatos neurais\u201d da nossa autopercepção e da experiência espiritual. O velho
clichê dos anos 1960 de que as substâncias psicodélicas eram a chave para compreensão
\u2014 e expansão \u2014 da consciência não parece mais algo tão absurdo.
Como mudar sua mente é a história desse renascimento. Embora não tenha começado
dessa forma, é uma história pública e ao mesmo tempo muito pessoal. Talvez isso fosse
inevitável. Tudo que eu estava aprendendo
Isabela
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