ACAO SOC JUN CRI np1 (texto)
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DisciplinaAção Social Junto à Criança, Adolescente e Terceira Idade361 materiais654 seguidores
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ACAO SOC JUN CRI/ADOL/TER IDAD-np1
MODULO I - A TRAJETÓRIA DO RECONHECIMENTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE ENQUANTO SUJEITOS DE DIREITOS.
Iniciaremos com um levantamento histórico da atenção ofertada ao segmento criança e adolescente.
1. Os menores (assim considerados à época) na Idade Antiga (4.000a.C até a queda do Império Romano do Ocidente século V d.C.
Os vínculos familiares se estabeleciam em decorrência dos vínculos religiosos. Em Roma a família tinha por fundamento o pater familiae, onde o chefe da família era a autoridade familiar e a autoridade religiosa. Nesse sentido a natureza jurídica da sociedade familiar romana era de uma associação religiosa e não associação natural. E o pai tinha autoridade sobre o filho independente da idade.
Na Grécia somente crianças saudáveis poderiam se desenvolver, os doentes eram \u201cdescartados\u201d. A educação para meninas era voltada para afazeres domésticos e trabalhos manuais, enquanto os  meninos eram preparados para exercerem a cidadania, evidenciando-se uma situação de desvantagem entre gêneros.
Havia uma diferenciação entre as cidades-estados: em Esparta um forte apelo para as habilidades físicas, já em Atenas os meninos eram incentivados ao desenvolvimento de potencialidades intelectual.
2. Idade Média.
Período marcado pela obediência religiosa. \u201cPodemos resumir essa época com a seguinte frase: Deus falava, a igreja traduzia e o monarca cumpria a determinação divina\u201d (MACIEL, 2001, 51). Mas foi a igreja que dentro do direito menorista, na concepção da dignidade para todos, inclusive da criança, refletiu num abrandamento da relação pais e filhos. Nesse período a igreja aplica penas corporais  e espirituais aos pais que abandonam seus filhos. Mas cabe salientar que para a Igreja Católica só estavam protegidas as crianças cujos pais eram casados por essa instituição. As demais crianças, ficavam desamparadas.
3. Direito Brasileiro.
Em 1551 \u2013 os jesuítas \u2013 retiravam as crianças de seus pais, especialmente os indígenas, para proteger, e também para doutrinar pelo catolicismo.
3.1 Brasil-Colônia.
No Brasil colônia a referência era portuguesa, onde filhos deveriam respeitar seus pais. Sendo a repreensão por parte dos pais, inclusive física, e até mesmo de morte, não considerada até de violência, mas de educar.
Nesse mesmo período a Europa, sec. XVIII passava a se preocupar com o abandono de filhos de escravos e filhos bastardos que eram deixados à porta das igrejas.
 3.2 Brasil Império.
Período entre 1822 e 1899, onde se destaca a atenção aos \u201cinfratores\u201d, tanto crianças como adultos,que são punidos com requintes de crueldade. Pelo modelo proposto pela Ordenação Filipinas, a imputabilidade era a partir dos 7 anos, sendo que as penas, entre 7 e 17 anos eram semelhantes à qualquer faixa etária. E de 17 a 21 anos, eram exposto inclusive a pena de morte.
Datado de 1830 o Código Penal do Império, que apresentava o critério da capacidade de discernimento para a aplicação da pena.
Essa possibilidade segue até 1921. Quando da Lei 4.242, que substitui o sistema biopsicológico especificamente pelo critério de idade.
Nesse código, os menores a partir de 14 anos, eram considerados inimputáveis, mas se houvesse discernimento iriam para casa de correções.
Para a situação das crianças abandonadas, o Brasil, segue o modelo europeu, instituindo a Roda dos Expostos, onde crianças era colocadas nessa roda das Santas Casas de Misericórdia, ou seja abandonadas, que perdurou até 1927. O Código de Menores ordenou, que a mãe deveria entregar a criança, sem anonimato, porém o direito da criança, não era respeitado.
Em relação ao ensino, regulamentado em  1854, mas o acesso estava limitado as crianças, afrodescendentes e com problemas de saúde.
Em 1891 o decreto 1313 ordenou o trabalho infanto-juvenil, limitando para crianças acima de 12 anos de idade.
Percebemos que as legislações avançam, mas de fato não são aplicadas, nem universalizada.
3.3 Brasil República.
Em 1889 o Código Penal, estabelece 9 anos de idade para imputabilidade, com pena de 2/3 referente ao adulto, isso vencido com o Código de Menores, de 1927, como acabamos de ver.
Outra situação posta com a imigração da população da área rural para a área urbana, especialmente após a abolição da escravatura.
Com essa massa populacional, o inchaço, especialmente da cidade de São Paulo,  a questão social expressa, surgem, a titulo de higienização, as entidade de caridade.
Tem-se duas modalidades uma que cuida das crianças abandonadas, para educar, e outra que tem o objetivo de reformar crianças em situação de conflito com a lei.
Um novo olhar se estabelece, a partir do Congresso Internacional de Menores ocorrido em 1911, o deputado João Chaves, em 1912, propõe alteração da legislação puramente punitiva e menorista, visando a proteção. Esse posicionamento se fortalece em 1924 com a Declaração dos Direitos da Criança de Gênova.
Em 1917, o movimento de greve reivindica o trabalho a partir de 14 aos, e o trabalho noturno a partir dos 18 anos.
Em 1923 temos o primeiro Juiz de \u201cMenores\u201d, Dr. Mello Matos, e em 1927 o Decreto 17.923-A, conhecido como Código de Mello Matos, que aprsneta em seu 1º art.: \u201cO menor, de um ou outro sexo, abandonado ou delinqüente, que tiver menos de 18 anos de idade será submetido pela autoridade competente às medidas de assistência e proteção contidas neste Código\u201d. O foco estava na exclusão: \u201cdelinqüentes\u201d e abandonados.
Em relação aos atores de ato infracional, até14 anos, seriam punidos para serem educados, e entre 14 e 17 anos, punidos pela se responsabilizarem. Sendo o Juiz responsável pela avaliação dos casos e suas deliberações, ou seja com \u201csuper\u201d poderes.
A família, seja qual fosse a situação econômica, tinha a responsabilidade pelo cuidado e proteção de sua criança.
A Constituição Federal de 1937 preconiza a proteção a infância e juventude, especialmente pela criação do SAM \u2013 Serviço de Assistência ao Menor, vinculado ao Ministério da Justiça, com caráter reformador e punitivo, separava dois públicos: carentes (economicamente) e abandonados e em conflito com a lei. Os primeiros encaminhados para escolas de aprendizagem profissional, e os segundos direcionados para as casas de correção e reformatórios.
Além do SAM foram criadas duas entidades federais:
LBA \u2013 Legião Brasileira de Assistência: Foi criada em agosto de 1942 pela primeira-dama Darcy Vargas. Apresentava como objetivo ajudar as famílias dos soldados que foram enviados à Segunda Guerra Mundial. Com o fim da guerra, tornou-se um órgão de assistência às famílias necessitadas. Tinha como padrão ser sempre presidida pelas primeiras-damas. No ano de 1995, no primeiro dia de governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso, foi extinta.
CPJ - Casa do Pequeno Jornaleiro: Foi criada em 1940 pela primeira-dama Darcy Vargas. Inicialmente o seu objetivo era prestar assistência aos menores que trabalhavam como vendedores de jornais no centro do Rio de Janeiro, no ano de 1990 o regime de internato foi extinto. Hoje é uma instituição que tem como objetivo acolher, formar e orientar crianças e jovens (entre 11 e 18 anos) das camadas sociais mais pobres. (http://www.fdv.org.br/historico.asp)
Esse período é marcado pelo romper com os vinculo familiares e garantir a continuidade do poder do Estado.
Na década de 1960, com o Golpe Militar, se tem um grande retrocesso nas legislações, e na proteção social. Em 1964 se cria a FUNABEM - Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor.
Para poder estruturar esse governo, no dia 9 de abril de 1964 surge o Ato Institucional: AI-1:
\u201cÉ interessante notar, a propósito, que a ditadura militar não se instala, aqui, com a conquista do poder por forças armadas. Ela se instala com o chamado AI-1. A partir daí, realmente começa a ficar claro que se tem um novo tipo de poder. O Espanto diante disso, raiando pela incredulidade, foi um pouco ingênuo, como a surpresa diante da ocupação do aparelho de Estado e passagem ao aparelho militar das decisões importantes e até a doutrinação política,